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Música
Os sobreviventes
Em seu novo CD, o New Order investe
mais uma vez na melancolia. A biografia
do grupo explica

Marcelo Marthe
Divulgação
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| Os veteranos do New Order: uma das bandas
mais influentes e encrencadas do pop |
O grupo inglês New Order está
para o pop eletrônico assim como os Beatles para o rock. Surgido
há 25 anos, foi o grande precursor do gênero, ao cruzar
a música computadorizada dos alemães do Kraftwerk
com a batida "profana" da discoteca. O New Order emplacou sucessos
em série nos anos 80 e 90. Tornou-se também uma das
bandas mais influentes de todos os tempos. Com chegada às
lojas nesta semana, No (Waiting for the Siren's Call), seu
oitavo disco, não foge à sua receita. Basta uma audição
para identificar faixas candidatas a arrasa-quarteirão nas
pistas, como Guilt Is a Useless Emotion. A atmosfera é
de melancolia algo nada gratuito, em se tratando do New Order.
Sua própria gênese foi uma tragédia: o suicídio,
em 1980, do vocalista do grupo anterior de seus integrantes, o Joy
Division. O problemático Ian Curtis, cuja vida em breve será
tema de um filme (cogita-se o ator Jude Law para o papel), foi uma
figura marcante. Seus três antigos companheiros de grupo,
hoje à beira dos 50 anos, saíram de sua sombra com
o New Order. Mas a morte de Curtis foi apenas o primeiro dos muitos
dramas aos quais eles resistiram.
É quase um milagre que o vocalista
e guitarrista Bernard Sumner, o baixista Peter Hook e o baterista
Stephen Morris tenham sobrevivido, em primeiro lugar, a seu mergulho
nas drogas. Nos anos 80 e 90, eles consumiram álcool, cocaína
e ecstasy aos montes. A banda estava num ambiente propício
a isso: sua cidade natal, Manchester, foi epicentro do chamado Verão
do Amor, do fim dos anos 80, época em que a moda clubber
veio à tona. Além de viver esses excessos, o New Order
perdeu dinheiro na mesma proporção em que produziu
hits. Eles faliram quando sua casa noturna, o Haçienda, caiu
em desgraça depois de ser dominada por gangues de traficantes
e virar palco do primeiro caso de overdose de ecstasy na Inglaterra.
A Factory, gravadora independente que os lançou e da qual
se tornaram sócios, também foi à bancarrota.
Para tentar salvá-la, o grupo então contava com as
vendas de um novo álbum das outras estrelas do selo, o Happy
Mondays. Foi uma roubada. A banda do vocalista Shaun Ryder gravou
numa ilha do Caribe. De lá exigiu resgate para liberar os
originais do disco e abastecer-se de drogas. A Factory foi para
o buraco.
No início dos anos 90, no auge de seu
processo autodestrutivo, os integrantes do New Order se odiavam
tanto que decidiram encerrar suas atividades. Mas o tempo operou
outro milagre. Em 2001, a banda voltou das cinzas com o ótimo
disco Get Ready. O retorno não se deu sem baixas:
Gillian Gilbert, tecladista e mulher do baterista, abandonou o posto
para cuidar da filha mais nova do casal, portadora de uma doença
grave. Apesar dos pesares, o New Order sobrevive.
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