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Edição 1 744 - 27 de março de 2002
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TELEVISÃO

Divulgação
Vaticano: bastidores


O Vaticano pelas Lentes da National Geographic
(terça, às 21h, no National Geographic Channel) – O Vaticano tem uma história riquíssima e guarda alguns dos maiores patrimônios artísticos da humanidade. Esse documentário examina o imponente complexo de prédios seguindo três vertentes. Uma delas, histórica, vai em busca da origem do Vaticano, que remonta ao século IV. Nasceu como capela, erigida pelo imperador romano Constantino sobre aquele que teria sido o túmulo de São Pedro. O segundo propósito do especial é revelar detalhes de bastidores. Ele fala sobre o trabalho de manutenção de suas obras-primas e aponta várias curiosidades. Por exemplo: lá, até os caixas eletrônicos de banco têm texto em latim. Finalmente, o programa detém-se sobre episódios célebres – abonadores ou nem tanto – envolvendo grandes papas.

 

DVD

Paramount Pictures
Maratona: "Está a salvo?"


Maratona da Morte
(Marathon Man, Estados Unidos, 1976. Paramount) – "Está a salvo?" Com essa pergunta, e uma broca de dentista em punho, Laurence Olivier torturava Dustin Hoffman numa cena que fazia com que parte da platéia fosse buscar refúgio no saguão do cinema, tal a aflição que ela causava. Olivier, já muito doente, voltou à cena no papel de um criminoso nazista que imagina existir um plano para roubar os diamantes que o sustentam. Acreditando que Hoffman está envolvido, ele o captura. Desde a primeira cena – um "racha" entre dois velhinhos –, o diretor John Schlesinger instaura o clima de tensão e imprevisibilidade. Nos extras, pode-se conferir o estilo extravagante do lendário produtor Robert Evans e ver a emoção de Olivier com a homenagem prestada a ele pelo elenco.

 

VÍDEO

Riqueza: versão intrigante

Riqueza Perdida (The Claim, Inglaterra/França/Canadá, 2001. Fox) – Romance fundamental da literatura inglesa, O Prefeito de Casterbridge ganha aqui uma versão intrigante. Em vez de filmá-lo no cenário rural descrito pelo escritor Thomas Hardy (1840-1928), o diretor Michael Winterbottom transpôs para as montanhas da Califórnia, à época da corrida do ouro, a história do homem que enriquece depois de trocar a mulher e a filha por um pedaço de terra. Anos mais tarde, o passado volta a rondá-lo, pondo em marcha acontecimentos que irão revolucionar a vida de todos naquele canto remoto. Com bela fotografia, o filme traz Peter Mullan (de Meu Nome É Joe) e a jovem Sarah Polley em boas atuações. Como curiosidade, a ex-modelo Milla Jovovich faz uma cafetina portuguesa que entoa fados.

 

DISCO

Soul Food, Cyrus Chestnut (WEA) – Hoje com 39 anos, Cyrus Chestnut foi um menino prodígio do jazz: aos 9 anos já vencia concursos do gênero. Em Soul Food, além de mostrar seus dotes como pianista de swing, ele prova que foi um aluno aplicado da cadeira de composição e arranjo (possui um diploma da prestigiada Escola de Música Berklee, de Boston). Cyrus é inspirado – e generoso. Suas músicas dão espaço para que outros instrumentos possam brilhar. O trompetista Marcus Printup, por exemplo, é responsável por um longo e belo solo na canção que dá nome ao CD. James Carter, um dos saxofonistas mais celebrados da nova geração do jazz, também está na faixa-título, além de colaborar em Brother Kawky Hawk, canção de jazz tradicional adaptada por Chestnut, e Wellllll!

 

LIVROS

História, de Heródoto (tradução de J. Brito Broca; Prestígio; 1.072 páginas; 75 reais) – Considerado o "pai da história", o grego Heródoto, que viveu no século V a.C., era um exímio narrador. Traduzido para o português nos anos 60 pelo crítico Brito Broca, esse relato sobre as guerras entre gregos e persas antes estava disponível apenas numa versão de bolso mixuruca e resumida. Agora, ganha edição integral caprichada. Nos nove livros reunidos no volume, Heródoto também traz à luz as impressões colhidas em viagens pela Europa e pela África – donde surgiram máximas famosas, como "O Egito é uma dádiva do Nilo". As páginas trazem reproduções de obras de arte e peças arqueológicas que ajudam a compreender o que se está lendo. Veja trecho do livro.

 
AFP
Michael Chabon: o universo pop na literatura

As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay, de Michael Chabon (tradução de Roberto Muggiati; Record; 672 páginas; 50 reais) – Queridinho da crítica americana, o escritor Michael Chabon, de 38 anos, transporta com inteligência o universo pop de seu país para a literatura. Esse seu terceiro romance é ambientado na época de ouro das histórias em quadrinhos. No fim dos anos 30, o adolescente judeu Josef Kavalier foge da então Checoslováquia ocupada pelos nazistas e passa a dividir um apartamento com seu primo Sammy Clay, em Nova York. Juntos, eles criam um super-herói de sucesso. Dito assim, dá a impressão de que se trata apenas de uma aventura juvenil. Não é. Com referências que vão do filme Cidadão Kane à criatura mitológica conhecida como Golem, Chabon tece uma trama que fala de temas como o escapismo e a redenção pessoal.

 

OS MAIS VENDIDOS - CRÍTICA

A escritora americana Meg Cabot oculta sob sete chaves sua idade real. Por outro lado, proclama aos quatro ventos a sua idade mental. "É de 14 anos e meio", diz ela. Deveras. Mas nem isso explica como ela pôde conceber um romance infanto-juvenil tão boboca quanto O Diário da Princesa (tradução de Ruy Jungmann; Record; 284 páginas; 25 reais), que ocupa o oitavo lugar na categoria de ficção da lista de mais vendidos de VEJA e já rendeu um filme homônimo, produzido pelos estúdios Disney. Seu público-alvo são as meninas. A história, narrada em forma de diário, é uma espécie de reedição da velha fábula da Cinderela. A protagonista é Mia, uma garota de 15 anos que carrega nas costas todos aqueles clichês sobre as mocinhas de sua idade: ela se acha alta e desengonçada, não tem seios, tem crises de baixa estima diante dos garotos mais velhos e ainda por cima vai mal nas aulas de álgebra. A pobre Mia mora com a mãe, uma artista plástica, em Nova York. Mas um dia seu pai vem da Europa para lhe contar que ela é uma princesa. Logo deverá assumir suas nobres funções no distante reino da Genovia e, é claro, acabará cruzando com seu príncipe encantado. Para compensar a overdose de glicose, Meg Cabot tenta conferir uma roupagem moderninha ao romance. Tudo indica que queria fazer algo como uma versão adolescente da célebre Bridget Jones, criada pela jornalista inglesa Helen Fielding. Mas lhe falta graça. Sua princesa é só um poço de futilidades.

   
 



Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Nobel, Siciliano, Fnac; Rio: Saraiva, Laselva, Sodiler, Siciliano; Porto Alegre: Saraiva, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Saraiva, Siciliano; Natal: Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano; Fortaleza: Siciliano, Laselva; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Leitura; Maceió: Sodiler.
   
 
   
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