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Edição 1 744 - 27 de março de 2002
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Lauro Jardim [e-mail: ljardim@abril.com.br ]

SUCESSÃO

Arapongagem corre solta

O Ministério da Saúde não quis fazer barulho e até hoje guarda em segredo o assunto. Mas a Fence, empresa especializada em retirar grampos telefônicos, teve trabalho no ministério. Encontrou sinais de escuta clandestina em pelo menos quatro lugares. No caso de José Serra, houve vestígios de grampo numa linha de seu gabinete, quando ainda era ministro, e também em sua casa, em São Paulo. O atual ministro Barjas Negri também sofreu: os sinais foram encontrados em duas linhas telefônicas do ministério – uma de telefone mesmo e outra de fax.

Reconciliação à vista?

De zero a dez, a chance de Jarbas Vasconcelos ser o candidato a vice na chapa de José Serra é oito. Se der zebra, FHC confidenciou nesta semana a um interlocutor que não se oporia à já falada "solução Itamar Franco". É um aceno importante – mas só um aceno, e assim deve ser entendido o gesto. Até porque seria muito difícil explicar ao pobre eleitor a condição de Itamar como candidato da situação depois de tanto quebra-pau com FHC.

Voz do candidato

Recentemente, numa conversa fechada, José Serra admitiu pela primeira vez que o ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio foi caixa de sua última campanha. Mas sublinhou que ele não foi o principal arrecadador.

Voz do caixa

Em Nova York, onde tem passado longas temporadas, Ricardo Sérgio disse na semana passada a um amigo que "não participará da campanha de José Serra de forma alguma". Ricardo Sérgio desembarca nesta semana em São Paulo apenas para, segundo ele, cuidar de seus negócios imobiliários.

Outra do Garotinho

Garotinho ainda vai morrer pela boca. Nos últimos dias, ele tem garganteado aos quatro ventos a contratação da consultoria Ernst & Young para fazer uma auditoria independente nas contas de seu governo. Assim, nenhum adversário poderia duvidar que ele estaria entregando um Rio de Janeiro em ordem à vice-governadora petista Benedita da Silva na semana que vem. Parecia uma bela idéia. Agora, a realidade: nenhuma auditoria está sendo feita. Palavra da Ernst & Young.

Quércia é Serra

Até Orestes Quércia, quem diria, está se aninhando ao lado de José Serra.

As campanhas de Duda

Duda Mendonça fechou o cardápio de campanhas petistas que pilotará como marqueteiro nestas eleições. Além da campanha de Lula, claro, fará mais três. A de José Genoíno para o governo paulista, a de Aloizio Mercadante para o Senado por São Paulo e a de Benedita da Silva para o governo do Rio de Janeiro.

 

Dinheiro sem origem. Ainda

Coube ao vice-governador do Maranhão, José Reinaldo Tavares, a dura missão de procurar grandes empreiteiros para assumir a paternidade do 1,3 milhão de reais encontrado no cofre da empresa de Roseana Sarney e Jorge Murad – dinheiro que seria fruto de doações para a campanha eleitoral, de acordo com a sétima e última das versões dadas. José Reinaldo, ex-ministro dos Transportes do governo Sarney, contatou alguns pesos-pesados do setor nas duas últimas semanas. Mas até sexta-feira suas diligências deram em nada. Nenhum deles quis botar a mão nessa fogueira.

 

CONGRESSO

Vai lotar o plenário

A turma – cada vez maior – de deputados que batem ponto apenas às terças e quartas-feiras em Brasília deve botar as barbas de molho. Aécio Neves resolveu jogar duro com eles. Anuncia nesta semana que o parlamentar que não estiver nas votações de quinta-feira na Câmara perderá o direito aos jetons do resto da semana.

 

GOVERNO

A hora da verdade

É sabido que, quando uma autoridade está deixando o poder, até a moça do cafezinho deixa de lhe dar atenção. A festa de despedida do ministro do Planejamento, Martus Tavares, em 2 de abril, promete ser uma boa oportunidade para medir sua popularidade com os subordinados. Até porque a taxa de adesão à festança custará – dependendo do cargo do servidor – entre 10 e 35 reais. Será que lota?

No divã

No divã

O ministro Paulo Renato Souza está mesmo em outra. Depois de desistir de qualquer pretensão de concorrer a cargos eletivos e de se casar, resolveu cuidar da cabeça: voltou a fazer análise.

 

FUTEBOL

No aquecimento

Falcão deve assumir em maio seu posto como diretor de seleções da CBF.

 

CIGARROS

O jogo dos bilhões

A Receita está desfechando, junto com o Ministério Público, a Anvisa e o INSS, a maior operação já vista contra as empresas que sustentam e fazem prosperar o mercado ilegal de cigarros – uma brincadeira sem graça que já movimenta 1,9 bilhão de reais por ano. O Leão já andou fazendo umas contas e acha que pode cravar no peito desses malandros autuações no valor de 1 bilhão de reais.

O custo Serra

Está custando 10 milhões de dólares para a Souza Cruz a inclusão da série de fotos condenando o fumo nos maços de cigarros. É quanto ficou mais cara por ano a impressão das embalagens.

 

JUSTIÇA

Decisão polêmica

A Advocacia-Geral da União (AGU) comprou uma briga feia com a Justiça Federal do Ceará. Certa de que há algo muito estranho no processo 90.0003711-5, em tramitação naquele tribunal, a AGU está brecando o pagamento de um precatório milionário a servidores da Polícia Federal. Cerca de 18 milhões de reais já foram pagos. Agora, o governo tenta evitar nova facada, de 103 milhões. Entre os beneficiados pela decisão judicial está o deputado federal e ex-delegado da PF Moroni Torgan, um dos autores da ação.

 

Campeã de audiência

 
Rosane Marinho

Murilo Benício: astro de O Clone

O Clone virou o grande sucesso das novelas da era Marluce Dias da Silva: desde a semana passada é a maior audiência da Globo em teledramaturgia em quatro anos. Bateu até Terra Nostra. Comparando-se os primeiros 148 capítulos das duas produções, a participação de O Clone no total de aparelhos ligados é de 62%, contra 60% da saga de imigrantes italianos levada ao ar em 1999. O triunfo da atual novela das 8 tem também um sabor especial para a Globo. Desta vez, por causa das duas edições de Casa dos Artistas, há concorrência de verdade no horário.

 

Colaboraram Marcelo Carneiro e Ronaldo França



 
 

 

 

 

   
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