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Sangue,
suor e câmaras
A série Band of Brothers,
produzida por Steven Spielberg e pelo astro Tom Hanks, mostra a II Guerra
em toda a sua crueza
Marcelo
Marthe
Fotos divulgação
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Band
of Brothers:
com orçamento de 120 milhões de dólares, trata-se
da série mais cara na história da TV
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Veja também |
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A
abertura de O Resgate do Soldado Ryan garantiu um dos momentos
mais impactantes do cinema nos últimos anos. Ao recriar o desembarque
das tropas aliadas na Normandia em 6 de junho de 1944 o Dia D da
II Guerra Mundial , Steven Spielberg elevou as cenas de combate
a um patamar de realismo sem precedentes. Vista pelos olhos aterrorizados
dos soldados, a batalha surge em toda a sua intensidade caótica
e sangrenta. Mas Spielberg não se deu por satisfeito: associou-se
ao protagonista da fita, o astro Tom Hanks, para conceber um desdobramento
à altura de Soldado Ryan: a minissérie Band
of Brothers, que estréia neste domingo, 24, no canal pago
HBO. Com orçamento de 120 milhões de dólares, trata-se
da mais cara produção do gênero já feita para
a TV. Os dez episódios do programa, que recentemente ganhou o Globo
de Ouro, têm oito diretores, entre os quais Hanks, que responde
pelo quinto capítulo (Spielberg se absteve de pôr a mão
na massa). As batalhas de Band of Brothers nada ficam a dever à
superprodução do cinema e sua fonte de inspiração
também é a mesma, a obra do historiador americano Stephen
Ambrose. Na verdade, graças ao seu formato, que totaliza mais de
dez horas de duração, a série consegue ir além
do filme como peça de reconstituição histórica,
motivo pelo qual agradará especialmente aos iniciados no tema.
Mais que transmitir a sensação de estar num combate moderno,
ela expõe a rotina excruciante das baixas patentes, desde o treinamento
até o inferno de viver por semanas dentro de uma trincheira, sob
uma nevasca, observando a linha inimiga a algumas dezenas de metros. "O
programa mostra bem o doloroso processo psicológico por que passaram
os combatentes da II Guerra, do momento em que chegaram ao front até
se tornarem veteranos", disse Ambrose a VEJA.
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Cena
de combate na
Europa ocupada: do desembarque no Dia D ao Ninho da Águia
de Hitler
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Baseada
no livro homônimo do historiador (veja
quadro),
Band of Brothers acompanha a trajetória verídica
da Easy Company, um batalhão de pára-quedistas do Exército
americano. O título bando de irmãos, em inglês
vem de uma expressão extraída da peça Henrique
V, de Shakespeare, que é dita pelo rei da Inglaterra ao exortar
seus soldados combalidos a lutar com bravura. A metáfora
se aplica bem às missões enfrentadas pela companhia. Depois
de dois anos de treinamento nos Estados Unidos, eles partem para uma longa
campanha contra os nazistas na Europa. Como vem à tona no segundo
capítulo, a maneira como os pára-quedistas desbarataram
uma bateria de canhões inimigos no Dia D, levando os alemães
a atirar uns contra os outros, até hoje é tema de aulas
nas academias militares. Depois de passar meses lutando na Holanda, na
Bélgica e na França, o grupo encerra sua atuação
com a tomada do Ninho da Águia, a fortificação nos
Alpes alemães onde Hitler escondia tesouros artísticos pilhados
por suas tropas. Por ter estado sempre na linha de frente, a Easy Company
sofreu um alto índice de mortalidade. Só na invasão
da Normandia, perdeu quase a metade de seus 139 homens.
Assim como em O Resgate do Soldado Ryan, nada no visual da série
é fortuito. Onze cidades européias foram recriadas em estúdio
e contou-se com 10.000 figurantes. Dos tanques às botas dos recrutas,
todos os objetos são autênticos ou réplicas perfeitas.
As referências das cenas de combate são as mais fidedignas:
as fotografias do conflito feitas por Robert Capa, um dos fundadores da
célebre agência Magnum, e as filmagens documentais realizadas
pelo cineasta George Stevens (do clássico Assim Caminha a Humanidade).
Essas imagens, captadas em super-8, estão entre os raros registros
coloridos da II Guerra. A fotografia da série procura evocar sua
textura, o que explica o tom acinzentado. Quanto ao elenco, não
há grandes astros em cena mas eles não fazem a mínima
falta. O personagem de maior destaque, o major Richard Winters, é
vivido pelo desconhecido porém competente ator inglês Damian
Lewis. A presença mais notória é a de David Schwimmer,
da série Friends. Ele está surpreendentemente bem
no papel de um oficial durão que se revela covarde e inepto para
o comando. Falar em personagens principais seria um exagero, já
que os dramas humanos são pulverizados por todo o batalhão
da Easy Company. A maioria deles corresponde a combatentes reais, vários
dos quais ainda estão vivos. Os depoimentos dos sobreviventes no
início de cada episódio provam que, mais que uma opção,
a camaradagem é uma arma vital quando se está sob o fogo
pesado da artilharia.
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O
McHISTORIADOR
AP
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| Ambrose,
entre Hanks e Spielberg: plágio |
O
americano Stephen Ambrose, de 66 anos, é um historiador pop.
Seus livros ele já lançou mais de trinta, dois
dos quais editados no Brasil costumam freqüentar as
listas de best-sellers. Ele ganhou fama por explorar um filão
relativamente novo na historiografia: os livros que abordam a II
Guerra pelo ponto de vista dos militares de baixas patentes. É
o caso de Soldados Cidadãos e Band of Brothers,
que inspirou a série de Steven Spielberg e Tom Hanks. "O
leitor médio americano está mais interessado em saber
como um recruta se virava para sobreviver do que nas estratégias
traçadas pelos poderosos", acredita Ambrose, que entrevistou
1.400 veteranos para escrever suas obras. "Além do mais,
incontáveis acadêmicos já se ocupam dos grandes
personagens, e eu me considero diferente deles: sou, essencialmente,
um bom contador de histórias." Ambrose, que já vendeu
mais de 1 milhão de livros, é tachado de superficial
pelos estudiosos. Recentemente, veio à tona uma bomba: ele
usou trechos de outros autores em seus textos, sem citar fontes.
Ou seja, cometeu plágio. Depois do bombardeio a que foi submetido
na imprensa americana, ele acenou com a bandeira branca. "Pedi desculpas
pelo que fiz e prometi dar as fontes nas próximas edições",
diz.
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