Publicidade
buscas
cidades PROGRAME-SE
Edição 1 744 - 27 de março de 2002
Internacional Europa

estasemana
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Índice
Seções
Brasil
Internacional
  Europa: Em marcha para a direita
Diplomacia: EUA pedem demissão de brasileiro de órgão da ONU
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos

colunas
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Claudio de Moura Castro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo

seções
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Carta ao leitor
Entrevista

Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
Datas

Para usar
VEJA on-line
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos

arquivoVEJA
(conteúdo exclusivo para assinantes VEJA ou UOL)
Arquivo 1997-2002
Reportagens de capa
2000|2001|2002
Entrevistas
2000|2001|2002
Busca somente texto
96|97|98|99|00|01|02


Crie seu grupo




 

Guinada à direita na Europa

Vitória em Portugal reforça tendência
favorável aos partidos de centro-direita

 
AFP Photo/EPA/Lusa/Inacio Rosa/FOB

Durão Barroso na festa da vitória: sem mudanças na área macroeconômica

Com a vitória dos partidos de centro-direita na eleição em Portugal na semana passada, o eleitorado deu mais um sinal de que as coalizões de centro-esquerda estão cada dia menos populares na Europa. Apenas três anos atrás, doze dos quinze países da União Européia eram governados por partidos de centro-esquerda. Hoje, somente sete governos podem ser classificados como representantes da vertente mais à esquerda do espectro político. Nas últimas eleições na Espanha, Itália, Áustria e Dinamarca, a preferência foi por candidatos conservadores. Pelo menos na Europa, isso não significa grandes mudanças em termos de metas de inflação e déficit público. Nos anos 80, a primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher e os socialistas do presidente francês François Mitterrand estavam em trincheiras diametralmente opostas. Isso acabou. O banco central europeu é o responsável pela condução da política macroeconômica há dois anos nos doze países que adotaram o euro (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal). Em alguns deles, a divisão ideológica é tão tênue que fica difícil classificar a linha de governo. Na Bélgica, o primeiro-ministro Guy Verhofstadt é de centro-direita, mas conta com o apoio de socialistas e ecologistas.

Mesmo sem poder realizar mudanças na política macroeconômica, o grande vencedor das eleições em Portugal na semana passada, José Manuel Durão Barroso, espera estabelecer diferenças claras com os socialistas que governaram o país nos últimos seis anos. "Os socialistas foram castigados porque criaram muitas expectativas e não corresponderam", disse a VEJA José Carlos Vasconcelos, analista político do canal de televisão português RTP. Durão Barroso quer dar um choque fiscal, reduzindo os impostos das empresas para tentar reanimar a economia. Além da questão fiscal, a imigração é outro tema em que há divergências marcadas entre os partidos de esquerda e de direita europeus. Na Dinamarca, a coalizão de centro-direita chegou ao poder em novembro com a promessa de diminuir a imigração. Os imigrantes são apenas 7% da população, mas essa taxa parece já ser alta para o eleitorado. Os dinamarqueses estão dificultando até mesmo a entrada de parentes dos estrangeiros estabelecidos no país. A explicação é que o índice de desemprego entre jovens imigrantes é muito alto. Grupos ligados à causa dos direitos humanos estão protestando, mas a polarização em nada se parece com a da Itália, governada pelo controverso barão da mídia Silvio Berlusconi numa coalizão que conta com um partido neofascista.

O bilionário com ego digno de imperador romano venceu as eleições do ano passado com um discurso que defendia a mudança. A ajuda de seu conglomerado de comunicações, de muito dinheiro e de um tom fortemente moralista também contou para a vitória. Num país com larga tradição de governos de centro-esquerda, a segunda ascensão de Berlusconi em menos de dez anos assombrou por causa das acusações que pesam sobre ele. Algumas das denúncias de lavagem de dinheiro, evasão fiscal, suborno e conexões com a Máfia foram transformadas em processos. Isso, no entanto, não tira o brilho da sua reforma da legislação trabalhista. As leis que regem as relações entre trabalhadores e patrões na Itália eram das mais rígidas da Europa. No sul do país, uma de cada cinco pessoas está procurando emprego. Como o exemplo de Margaret Thatcher mostrou na Inglaterra dos anos 80, mudanças nas leis trabalhistas exercem efeitos benéficos na criação de empregos. Apesar da oposição dos poderosos sindicatos italianos, Berlusconi tem chances de ver sua reforma aceita.

Até o final do ano, franceses e alemães irão às urnas para escolher seus representantes. Na França, o conservador Jacques Chirac e o socialista Lionel Jospin lutam cabeça a cabeça pela Presidência. Sabendo que o eleitorado não está dócil, Jospin declarou recentemente que seu programa não era socialista. Diante da gritaria dos partidários, foi obrigado a voltar atrás na semana passada. Na Alemanha, o chanceler social-democrata Gerhard Schroeder, aquele que acabou com a supremacia de dezesseis anos da coalizão conservadora de Helmut Kohl, tentará a reeleição em setembro. Mas sabe que não será fácil. "Em épocas de incerteza, os eleitores tendem a apoiar o discurso forte e direto dos partidos de centro-direita", disse a VEJA Joan Subirats, professor de ciência política da Universidade Autônoma de Barcelona. Na Alemanha, o desemprego atinge 4 milhões de pessoas, 500.000 acima da meta apresentada no programa de Schroeder. Caso a centro-direita vença as eleições na maior economia da Europa, o poder dos conservadores estará solidificado no continente.

 

 

 
 

 

 
   

 

   
  voltar
   
  NOTÍCIAS DIÁRIAS