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Essa, Lula ganhou

Ao derrotar Suplicy, o candidato do
PT obtém sua primeira vitória desde
1989 e promete agora laçar o PL

Luís Henrique Amaral

 
Celso Junior/AE

Lula cumprimenta Suplicy após a divulgação do resultado: alívio na direção do partido



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Na semana passada, Luís Inácio Lula da Silva obteve finalmente uma vitória. Foi contra o senador paulista Eduardo Suplicy, nas prévias organizadas pelo Partido dos Trabalhadores para escolher seu candidato à Presidência. Lula alcançou 84% das intenções de voto, contra apenas 16% do senador. O resultado causou alívio na direção do PT. Os dirigentes não trabalhavam com a hipótese de Lula ser derrotado, mas temiam que uma votação mais expressiva de Suplicy pudesse diminuir o brilho do ingresso formal de Lula na sucessão. Poderia ainda, na opinião da cúpula petista, dificultar a negociação com o Partido Liberal. Afinal, se o presidenciável não demonstrasse musculatura política suficiente para esmagar os adversários em seu próprio quintal eleitoral, o que poderia Lula prometer aos aliados quando a campanha que interessa começasse para valer? Essa angústia acabou.

Lula era o candidato natural do partido, mas Suplicy defendia a realização das prévias sob o argumento de que o PT deveria estudar a possibilidade de trocar seu eterno presidenciável por alguém que, quem sabe, renovasse as esperanças dos militantes que já foram às ruas aos gritos de "Lula presidente" por três vezes e voltaram para casa derrotados em todas elas. O senador temia que o desfecho se repetisse. Na opinião dos especialistas, as pesquisas de opinião têm sido o maior inimigo do PT. Como elas sempre colocam Lula em posição de destaque, o partido passa a acreditar que tem chance de vitória, o que é bastante lógico. Só que, na hora do voto, o eleitor acaba preferindo outro candidato. Na semana passada, os petistas festejavam a permanência de Lula no primeiro lugar em uma pesquisa do Ibope, apesar de uma pequena queda. O resultado foi recebido como uma indicação de que, neste ano, as coisas podem ser diferentes. Mas basta observar o que aconteceu nas eleições anteriores para ver que o quadro não é nada fácil para o PT.

Em 1989, Lula aparecia em segundo lugar e chegou a ultrapassar a casa dos 20% das intenções de voto. Fechou o primeiro turno com 16% dos votos, sendo depois derrotado no segundo turno por Fernando Collor. Na eleição de 1994, ele permaneceu em primeiro lugar durante oito meses. Perdeu em primeiro turno, obtendo 27% dos votos. Na reeleição de FHC, Lula reapareceu em segundo lugar nas pesquisas e chegou a atingir 32% dos votos. O fato é que o candidato do PT tem mostrado um desempenho incomparável nas pesquisas, mas essa popularidade toda não se repete nas urnas. Uma leitura do fenômeno feita pelos assessores diretos do candidato está ligada à imagem de Lula junto ao eleitorado. Muitos o consideravam radical demais. A coligação com o PL busca anular essa impressão.

O PL é um saco de gatos. Junta deputados que são pastores evangélicos com políticos profissionais e alguns empresários. É um partido oportunista e é difícil definir sua ideologia pelo programa, tão vago que admite qualquer tipo de definição. O PL, no entanto, é encarado como uma agremiação de direita – e é isso justamente que atrai a cúpula do PT. A assessoria de Lula acredita que se coligar com um partido que carrega a palavra "liberal" no nome poderá mostrar à população que o PT amadureceu politicamente e que fará um governo equilibrado. O "poder econômico", como os petistas se referem aos empresários, seria representado na chapa pelo senador José Alencar, do PL mineiro, um dos homens mais ricos de Minas Gerais. Em outros tempos, um acerto desse tipo seria inaceitável. Hoje, os caciques do PT acham que está tudo bem. Isso mostra que o partido está se afastando da esquerda radical. Caminha para um ponto mais ao centro, e isso é bom para a legenda e para o país. O acordo dos petistas com o PL estava praticamente fechado até o Tribunal Superior Eleitoral decidir que as coligações concretizadas na eleição presidencial devem repetir-se nos Estados. Para o PL, a junção com o PT é útil na corrida ao Palácio do Planalto, mas atrapalharia nas disputas locais. "Se a verticalização for confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, o PL não fechará a aliança com o PT", diz o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, que teme ver diminuída sua bancada federal caso não possa fazer bons acordos regionais.


Nos últimos meses, Lula andou em má fase. Tinha, dentro do partido, a concorrência incômoda de Eduardo Suplicy, que ninguém levava a sério mas provocava desgastes. Houve baixas também. O coordenador do programa da campanha, Celso Daniel, prefeito de Santo André, foi assassinado. A tragédia se somou à morte do prefeito de Campinas, Toninho do PT, ocorrida em setembro. Nos jornais, a publicação de pesquisas mostrando que administrações-vitrine do partido, como a prefeitura de São Paulo e o governo do Rio Grande do Sul, estavam mal avaliadas também serviu para tirar o ânimo do PT. Na semana passada, o desencanto com a gestão de Olívio Dutra foi marcado por uma derrota do governador nas prévias para definir o candidato do partido à sua sucessão. Olívio Dutra perdeu a vaga para o prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro. "Lula andava casmurrão", conta Marco Aurélio Garcia, um dos articuladores da campanha petista. (Atenção: casmurrão quer dizer triste.) "Mas agora vamos à luta", afirma Garcia.

Nessa batalha, o PT acredita piamente em propaganda. Na última semana, VEJA falou com dez lideranças do partido. Todas usaram a mesma expressão para se referir à principal arma da campanha deste ano: "uma equipe de comunicação e marketing profissional". O comando dessa equipe está entregue ao marqueteiro Duda Mendonça, conhecido por eleger Paulo Maluf e Celso Pitta prefeitos de São Paulo. Duda é um dos grandes defensores da aliança com o PL. Sonha com o comercial mostrando a união entre Lula, um homem simples que saiu do Nordeste e se tornou o maior líder sindical do país, e José Alencar, o mineiro que começou a vida como balconista e acabou enriquecendo como empresário, para terminar no Senado. "É uma imagem forte", diz um integrante do PT. "Acho que vai funcionar."

 
 
   
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