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Finalmente a oligarquia Sarney, presente no Maranhão há
décadas, está sendo questionada. Tardiamente, mas está.
Como maranhense, não consigo mais conviver com essa "dinastia".
Diante de inúmeras mentiras, uma coisa é certa: o Maranhão
está na maioria das vezes em primeiro lugar, porém nas estatísticas
não muito agradáveis, como por exemplo ser o Estado mais
pobre do Brasil. A
guerra dos dossiês não traz, em si, nenhum problema para
a sociedade se o caso for de apuração de eventuais responsabilidades
criminais e eleitorais. O eleitorado necessita de tais informações,
até mesmo para melhor analisar a qualidade ética, moral
e cívica dos pretendentes a cargos eletivos. O que é condenável,
isso sim, é a continuação da prática irritante
e irresponsável de utilizá-los apenas como elemento de barganha
e de pressão, sem que os tais dossiês sejam apresentados
às autoridades públicas competentes para a apuração
necessária ("A
guerra dos dossiês", 20 de março). Estou
morando nos Estados Unidos há mais de seis meses e tenho lido as
notícias do Brasil por intermédio de VEJA. Principalmente
aquelas relacionadas ao escândalo no Maranhão e à
candidatura de Roseana. Comparando politicamente o Brasil com os EUA,
parece muito fácil perceber que todo o nosso país tem sido
administrado pela "cultura da malandragem". O Brasil não é
só bagunçado, é triste. Os
políticos do PFL que apoiaram Roseana nesse escândalo poderiam
fazer um bem à população brasileira: exigir a renúncia
da governadora e aproveitar para renunciar à vida política,
pois eles são uma vergonha nacional. Sobre
a reportagem "A guerra dos dossiês", eu concluo que a campanha presidencial
está muito semelhante aos atuais reality shows tão
em moda: não se aproveita nada do que os participantes falam, e
eles ainda passam o tempo tramando sobre qual candidato deve ser o próximo
eliminado. Mais
uma vez fica claro que as oligarquias estão com os dias contados
e é preciso que os governantes aprendam a ter uma visão
macro dos problemas brasileiros.
Quando imaginaríamos ver os ex-senadores Antonio Carlos Magalhães
e Jader Barbalho, um magistrado de elevada instância judiciária,
como o Nicolau, um congressista poderoso, como Luiz Estevão, e
o PFL, sempre por cima e agora perdido como um cachorro que caiu da mudança,
todos sendo apeados do seu cavalinho? Tenho a certeza de que acordamos
para exigir um Brasil justo para todos e de que esse despertar não
tem mais volta. Em
l987 concluí minha dissertação de mestrado sobre
política local e naquela ocasião constatei a mudança
do "sistema oligárquico tradicional", que tinha como base a violência
e o poder econômico particular, para o "sistema pluralista oligárquico
moderno", que se baseia na utilização do patrimônio
público como esteio da política clientelista e conseqüentemente
do continuísmo no poder. Agora, grupos (oligarquias) políticos,
sem abrir mão das práticas anteriores, fortalecem-se com
as concessões de rádios e TVs (coronelismo eletrônico).
Esse tipo de autoritarismo não se extingue nem desaparece. Ao contrário,
muda de tática, ou melhor, se moderniza. Tudo indica que estamos
condenados à "lei férrea da oligarquia" de Robert Michels.
As reportagens de VEJA têm sido muito ilustrativas.
Uma pérola o título da entrevista com Robert Zoellick ("O
czar do comércio", 20 de março). O homem é um verdadeiro
czar: autoritário, seus atos são perfeitos e não
admitem contestação. Nossos dados, irrefutáveis porque
baseados em números reais, segundo ele provêm de estudos
parciais ou desconhecidos. A verdade é que VEJA o encostou na parede.
Pena é que, com a habitual arrogância ianque, ele não
abaixe a crista. Que se prepare: a União Européia, já
forte, vai crescer ainda mais com o euro. Achei
uma piada as explicações dadas pelo senhor Robert Zoellick
na entrevista sobre as medidas protecionistas dos EUA. O governo americano
deveria tratar o Brasil com um pouco mais de respeito, e não apenas
dar explicações fracas e tendenciosas defendendo a clara
política protecionista do governo Bush. Ao menos, deveria tratar
os brasileiros como pessoas inteligentes. Ai, que saudade do presidente
Clinton. Robert
Zoellick demonstrou em sua entrevista ser digno do cargo que ocupa diante
do governo americano, prestando assessoria ao presidente George W. Bush
para assuntos de comércio e negócios internacionais. Concordo
piamente com suas colocações ao abordar que a integração
econômica entre nações não se resume ao alicerce
da prosperidade, mas também ao da democracia e, sobretudo, ao da
liberdade. São figuras com o perfil de Zoellick que enaltecem a
gestão Bush.
Leitor de VEJA há mais de vinte anos, sendo uma década como
assinante, sou no mínimo suspeito de elogiar com imparcialidade
o conteúdo jornalístico dessa combativa revista. Entretanto,
não dá para segurar em silêncio a satisfação
de ler, entre outros artigos, "O ocaso das oligarquias" (Carta ao leitor,
20 de março). Um texto sucinto, didático e cronológico
sobre a derrocada das oligarquias, desde as denúncias feitas por
Rui Barbosa em 1910 até o afogamento de Roseana Sarney neste mar
de lama de 2002. Parabéns!
Não tenho a intenção de polemizar com o doutor Ferrara;
quero apenas expor minhas críticas e corrigir inverossimilhanças
quanto ao procedimento, levando em consideração apenas aspectos
científicos. O FDA não aprovou o uso do anel intra-estromal.
Aprovou, sim, um processo de investigação autorizado chamado
Investigational Device Exemption (IDE). Ou seja, uma das fases experimentais
do processo de aprovação do anel para uso em ceratocone.
Vale lembrar que essa isenção é exclusiva para o
uso do anel produzido pela KeraVision Inc. Qualquer outro dispositivo,
mesmo que semelhante, deve submeter-se à aprovação
do FDA. Por outro lado, não somos regulamentados pelo FDA e sim
pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que caracteriza o procedimento
como experimental. Quanto ao termo ortopédico, sua aplicação
é incorreta, pois só se aplica à ortopedia. Os termos
corretos, ortoceratologia e seus derivados (ortoceratológico ou
ortoqueratológico), são usados na prática médica,
mas não são grafados por muitos dicionários brasileiros.
Como tudo em medicina, esse procedimento se submeterá ao julgamento
do tempo, senhor da razão. Enquanto isso, devemos ser criteriosos
e céticos, para o bem de nossos pacientes e a credibilidade dos
profissionais da saúde (Cartas, 20 de março).
Tive o impulso
de recolher todos os exemplares de VEJA das bancas da Mooca, porque não
me importo de vocês me atribuírem todos os pecados do mundo,
mas, por favor, não digam que eu seria capaz de comer pizza de
soja ("O homem da máquina já incomoda", 20 de março).
Além de perder todos os votos de vizinhos e conterrâneos,
corro o risco de parecer ingrato para com as delícias da cozinha
italiana. Em matéria de pizza, sou firmemente ortodoxo. Que tal
a próxima entrevista ser feita na Castelões, na Speranza,
na Tal da Pizza ou em outro reduto de esplendorosas calabresas?
A doutora
Mariza D'Agostino bem relatou os aspectos do oxigênio hiperbárico,
mas seu uso inalatório em situações de pressão
atmosférica normal só faz bem em uma patologia em especial,
a cefaléia em salvas, que pode ter sua crise abortada, na falta
de determinados medicamentos, com inalação de oxigênio
por curto prazo de tempo. O uso indiscriminado leva à euforia e
pode causar danos estruturais e definitivos ao cérebro, convulsões
etc. Além do risco de tais bares, espantosamente, terem rede de
oxigênio, que é inflamável e explosivo ("O barato
do oxigênio", 20 de março).
É
inacreditável o que faz o egoísmo. Compra-se a falta de
liberdade total e ainda se paga manutenção. Uma ferramenta
como essa deveria ser usada para o bem da coletividade e ser implantada
em criminosos julgados, condenados e cumprindo pena que envolva trabalho,
com a segurança do monitoramento ("Chip anti-seqüestro", 20
de março).
Li a reportagem
"Os EUA perdem a paciência com Israel" (20 de março). É
com grande prazer que digo que Ariel Sharon está levando o Exército
israelense a uma grande e notável derrota.
A origem
do diploma (faculdade pública ou privada) pode até favorecer
na hora da contratação, mas a condução da
carreira está nas mãos de cada um. VEJA ajuda a desmistificar
um falso conceito. Como psicólogo consultor na área organizacional,
eu já vinha observando tal fenômeno, mas não dispunha
de dados. A reportagem me trouxe a tão valiosa informação
("As escolas do PIB", 20 de março). A seguir
a linha de raciocínio apresentada na reportagem, é bem possível
que uma pesquisa com as pessoas mais ricas do mundo levasse à conclusão
de que o melhor caminho para ficar rico seria não cursar faculdade
alguma (aí estão Bill Gates e Silvio Santos). Se a intenção
era relacionar a faculdade de origem ao sucesso profissional, não
seria mais correto que se pesquisassem pessoas que obtiveram destaque
atuando em suas respectivas áreas de formação, como
arquitetos, médicos, dentistas e advogados?
Parabéns
pela reportagem "Os donos da maior empresa do mundo" (20 de março).
Quando a vi surgir no Brasil, em 1995, fui um de seus colaboradores (associado).
Trabalhei muito em seu nome, mas hoje não sou mais associado. Nem
por isso me sinto chateado. Pelo contrário. É muito gratificante
saber que a empresa pela qual já trabalhei merece esse título.
Parabéns à família Walton. Vocês ainda moram
no meu coração.
Não
diria que sou leitor e apreciador do senhor Diogo Mainardi. Às
vezes, sinto que ele busca a polêmica em seus textos por estar habituado
a ela. O fato é que na crônica "O Cony é coisa nossa"
(20 de março) ele foi extremamente feliz. É
sobretudo lamentável que pessoas da projeção de Carlos
Heitor Cony ainda custeiem a sobrevivência coletando os famosos
jabaculês. Mais lamentável ainda será constatar que
Cony continuará nas páginas de nossos jornais fazendo a
cabeça de muita gente, com suas bem elaboradas crônicas que
nem de longe refletem seu procedimento por trás do teclado.
Com relação
ao tema da nota "Vida de garanhão" (20 de março), esclareço
que o que custa 500.000 dólares não
é um "descendente" do reprodutor puro-sangue inglês "Storm
Cat", mas sim uma "cobertura".
CORREÇÕES:
O Ministério da Educação, e não o da Cultura,
distribuirá entre alunos do ensino fundamental obras literárias
de grandes autores brasileiros ("Fábrica
de best-sellers", Holofote, 13 de fevereiro).
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