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Um
impressionista no Brasil
AP
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| Ziegler
com uma criança pobre: erros grosseiros |
Os
graves e persistentes problemas sociais brasileiros ganharam na semana
passada mais um comentarista internacional dos tantos que, de tempos em
tempos, fazem análises apressadas ou francamente erradas sobre
o país. A revista inglesa The Economist escreveu, a propósito
do assassinato do prefeito Celso Daniel, que os crimes políticos
tinham voltado ao Brasil. Newsweek, revista semanal de notícias
americana, defendeu em sua edição latino-americana a tese
de que a reforma agrária brasileira é "um desastre do começo
ao fim". Agora foi a vez do sociólogo Jean Ziegler, um conhecido
polemista suíço de orientação socialista.
Em visita ao Brasil na qualidade de relator especial da Comissão
de Direitos Humanos das Nações Unidas, Ziegler cometeu erros
grosseiros de avaliação, como o de dizer que o Brasil é
o mais injusto entre todos os 189 países membros da ONU. É
indiscutível que o país tem uma antiga e gigantesca dívida
social. Mas, a partir da afirmação de Ziegler, o ouvinte
incauto sai com a convicção de que, no campo social, o Brasil
está pior que Afeganistão, Albânia ou Angola, para
ficarmos apenas nos países membros da ONU que começam com
a letra "a". Mesmo se dando ao suíço o benefício
de estar trabalhando com o conceito de desigualdade social e não
com o de miséria , a comparação não
se sustenta.
Outra confusão conceitual de Ziegler embaralhou desnutrição
e fome. O suíço disse que no Brasil há 25 milhões
de famintos. Justificou apresentando dados oficiais brasileiros que apontam
que o número de pessoas sem renda suficiente para comprar comida
é muito próximo de 25 milhões. A estatística
é correta, mas a conclusão é errada. Falta de renda
para comprar comida não é necessariamente sinônimo
de fome, pois muita gente, especialmente nas zonas rurais, planta e colhe
o que come, enquanto outros tantos brasileiros recebem cestas básicas.
Trata-se de uma confusão de bom calibre, sobretudo para um cidadão
que fala em nome da ONU.
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