BUSCA

Revistas
Notícias
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2049

27 de fevereiro de 2008
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
André Petry
Stephen Kanitz
Diogo Mainardi
J.R. Guzzo
Millôr
Reinaldo Azevedo
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
Auto-retrato
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 

Televisão
Com amigos assim...

A nova série da Globo mostra a ressaca da turma
da esquerda com o fim do comunismo


Marcelo Marthe

No ar desde a semana passada, a minissérie Queridos Amigos é ambientada num momento crucial da história recente: o ano de 1989, quando a queda do Muro de Berlim precipitou o fim das ditaduras comunistas do Leste Europeu. O evento não serve apenas de pano de fundo ao enredo de Maria Adelaide Amaral. A ressaca da queda do Muro é o catalisador da trama, centrada no questionamento existencial dos protagonistas – um grupo de amigos que viveu os anos 70 e volta a se reunir por iniciativa de Léo (Dan Stulbach), que está à beira da morte. É uma gente com um pé na contracultura e o outro na militância política. Três deles engrossavam a brigada esquerdóide nos tempos da ditadura militar. Há um dinossauro como Tito (Matheus Nachtergaele), comunista que não abre mão da pregação contra o "individualismo capitalista" nem quando a utopia em que acreditava desmorona de podre. Outro engajado é Ivan (Luiz Carlos Vasconcelos), jornalista que foi militante clandestino, mas muda suas posições ao notar que está fadado à obsolescência. Há, por fim, uma sonsa como Bia (Denise Fraga), hippie que nos anos 70 flertou com o movimento estudantil e foi vítima da tortura. Esses tipos são um amálgama de pessoas reais com quem Maria Adelaide conviveu e que inspiraram seu romance Aos Meus Amigos (1992), em que se baseia a série. "Eu era simpatizante da esquerda e conheci muita gente assim", diz ela. A autora vislumbra até mesmo onde os personagens estariam hoje se fossem de carne e osso (veja o quadro abaixo).

A Maria Adelaide Amaral interessa sobretudo explorar como o fim das certezas de um tempo exerce impacto brutal sobre aqueles que acreditavam com fervor. Em seus melhores momentos, Queridos Amigos expõe quanto tais personagens têm de patético. Tito, o comunista casca-grossa, não se conforma com seu emprego – selecionar moças para sessões de fotos sensuais numa revista de quinta categoria (ele merecia coisa pior, convenhamos). Bia, a bicho-grilo, refugia-se na astrologia para esquecer seus fracassos. No somatório final, contudo, a série acaba tratando essa turma de forma um tanto compassiva, como admite a própria Maria Adelaide. Nos primeiros capítulos, ofereceu-se uma visão para lá de simpática deles como seres humanos, sem que se denunciassem com todas as letras o autoritarismo e o atraso do projeto político que abraçavam. O problema é que as mesmas idéias ainda se arrastam por aí como fantasmas. Prontas a fazer estrago.

 

BRIGADA ESQUERDÓIDE

O que seriam hoje os personagens da série Queridos Amigos, ambientada em 1989, segundo a autora Maria Adelaide Amaral

Divulgação/TV Globo

Tito (Matheus Nachtergaele)
O personagem: comunista que insiste em suas idéias obsoletas mesmo com a queda do Muro de Berlim
O que seria hoje: militante do PSOL de Heloísa Helena
 
Ivan (Luiz Carlos Vasconcelos)
O personagem: jornalista e ex-militante forçado a mudar seu discurso com a derrocada do comunismo
O que seria hoje: assessor de imprensa de algum governo do PT
 
Bia (Denise Fraga)
O personagem: hippie que entrou de gaiata no movimento estudantil e acabou torturada pela ditadura
O que seria hoje: astróloga de sucesso


Publicidade

 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |