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Livros Um
guia para quem deseja conhecer o Riquistão a terra
A riqueza é um tema complicado, repleto de armadilhas para quem deseja retratá-la com objetividade. De um lado, há o impulso fácil de atribuir uma mancha moral a todos os ricos, de culpá-los pela pobreza e por todos os males do mundo. E existe também a sedução oposta: o deslumbramento diante do glamour dos endinheirados. Frank escapou habilmente das duas arapucas. Nem heróis, nem vilões, os personagens de Riquistão formam uma nova geração de ricos, que tomou o lugar dos herdeiros das velhas fortunas. São os beneficiários de uma era de inovação tecnológica e fluxo de capitais sem precedente na história dos Estados Unidos e do mundo. Muitos fizeram fortunas no fim dos anos 90, antes que estourasse a chamada "bolha" da internet, que elevou às alturas as ações de empresas ligadas à rede (o estouro da bolha, é claro, também arruinou muita gente e há um capítulo melancólico em Riquistão sobre um ex-bilionário que viu suas ações virar pó em 2000 e hoje vive endividado). Mas não é só a internet que produz fortunas. Milhões, às vezes bilhões, foram acumulados com brinquedos para piscina, bibelôs de porcelana e xampus.
Com base em dados de consultorias e do banco central americano (Fed), Frank calcula que existam cerca de 7,5 milhões de lares americanos com patrimônio entre 1 milhão e 10 milhões de dólares mas esse é apenas o "baixo Riquistão", a classe mais chinfrim do país. No topo da pirâmide, estão cerca de 400 bilionários (em 1985, existiam apenas treze). Esse crescimento da riqueza trouxe pressões extras sobre a classe média alta, que se endivida na tentativa de emular os mais ricos. Os riquistaneses, afinal, são praticantes do que o economista americano Thorstein Veblen chamou de "consumo conspícuo" (veja o quadro abaixo): os produtos que eles compram servem sobretudo para propagandear a afluência do proprietário. Frank conta o caso de um ricaço de Palm Beach que se tornou alvo de deboche de seus pares por presentear a namorada com um Mercedes SLK de 50.000 dólares e teve de trocá-lo pelo modelo SL, de 110.000 (em tempo: lançado nos Estados Unidos no ano passado, Riquistão não diz nada a respeito do impacto da recente crise imobiliária americana sobre os novos ricos. Mas, no blog que Robert Frank mantém no site do The Wall Street Journal, já se atestou uma queda de 52% nas vendas da Jaguar no mês passado, em comparação com janeiro de 2007). A competição ostensiva estende-se também ao tamanho das mansões e dos iates. Essa briga de peixes grandes inflaciona o mercado de imóveis e planos de saúde, por exemplo, o que prejudica os mais pobres e aumenta a desigualdade. Mas os economistas também falam de um fenômeno chamado trickle down (algo como "pingadinho para baixo"): as orgias de consumo desenfreado dos super-ricos criam empregos e derramam riqueza para os que estão abaixo. Riquistão não dá uma palavra final sobre esse caráter ambivalente da riqueza mas o tom do livro é otimista. Riqueza produz mais riqueza: Frank diz que já viu um pedreiro entrar em uma revendedora Ferrari para comprar um carro. Havia feito uma pequena fortuna construindo muros e pátios de mármore para os ricos.
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