A ex-vocalista do Babado
Novo investiu 3 milhões
de reais no lançamento da carreira-solo.
A ela, só interessa o topo do showbiz brasileiro
Sérgio Martins
Fotos
Roberto Setton
Claudia Leitte: "Posso até
ser sexy, mas não sou vulgar. Uso shortinho sem ofender
a Deus"
Na semana passada, Claudia Leitte fez uma aposta de 3 milhões
de reais. O valor pode até ser mais alto a contabilidade
ainda não foi fechada. "Vendi imóveis e quebrei
o porquinho para realizar meu objetivo", diz a cantora.
A aposta foi nela mesma. No domingo, dia 17, a ex-vocalista
do grupo Babado Novo lançou-se em carreira-solo numa
apresentação gratuita na Praia de Copacabana,
no Rio de Janeiro, para um público de 700 000 pessoas.
O show será lançado em CD e DVD no início
de maio, juntamente com um documentário biográfico
são 110 horas de gravação, entre
lembranças da infância, depoimentos de amigos e
cenas de palco. Na gravação do show carioca foram
usadas 22 câmeras, duas a menos do que num concerto dos
Rolling Stones realizado em 2006 no mesmo local. Houve também
gastos com segurança, transporte e toda a parafernália
que um evento desse porte requer. É preciso vender mais
de 1 milhão de cópias do disco e do DVD para recuperar
o investimento feito raro no mercado fonográfico
atual. Outra alternativa, mais provável, é usar
o disco como cartão de visitas para agendar shows por
um bom cachê. Mas não é a hipótese
de prejuízo que mais preocupa. O espectro que realmente
assusta é o de ver uma carreira em ascensão perder
fôlego e entrar em declínio. Claudia acredita que
tem chances de ingressar no primeiro escalão do showbiz
brasileiro um espaço rarefeito onde impera Ivete
Sangalo, uma cantora com raízes e estilo muito semelhantes
aos seus.
O Babado Novo foi
um projeto criado pelos empresários Manoel Castro e Cal
Adan um dos mentores do É o Tchan!. Eles contrataram
Claudia Leitte depois de assistir a uma apresentação
dela ao lado de um grupo de pagode chamado Nata do Samba. A
princípio, tudo correu como de praxe no mundo do axé:
os donos da banda ficavam com a maior parte dos lucros e pagavam
um cachê à loira. Mas Claudia se destacou tanto
que passou a receber um porcentual de 30% sobre os lucros do
Babado Novo. A fórmula do grupo, porém, se esgotou.
Apesar da presença constante nas micaretas, os carnavais
fora de época que pululam no país, Ver-Te Mar,
seu último lançamento, não passou das 50.000
cópias. Surgiu então a idéia de lançar
Claudia em carreira-solo. Castro e Cal Adan continuam na jogada.
Os músicos do Babado Novo ainda dão apoio a Claudia.
Enfim, boa parte dos ingredientes permanece igual. Mas a música
ganhou um acento mais pop o primeiro produto da nova
fase é Exttravasa, canção dançante
que lembra os funks de Ivete Sangalo.
Claudia, a flexível: vozeirão
grave e pernas extraordinárias só falta
ter a medida exata do seu carisma
Claudia diz que já
respondeu "um milhão e quatrocentas mil vezes"
sobre a semelhança entre o seu trabalho e o de Ivete.
"Ela parece ter estudado cada movimento da rival",
diz um empresário. Ao vivo, Claudia é uma entertainer
tão eficiente quanto Ivete. Tem presença de espírito
(no início da carreira, ela estava cantando num trio
elétrico quando um folião morreu no meio do show
Claudia parou com o axé e passou a cantar hinos
religiosos) e tem preparo físico para agüentar a
maratona do Carnaval baiano. "Se ela não fosse talentosa,
jamais conseguiria atrair 700.000 pessoas para uma apresentação
na praia", diz Jesus Sangalo, empresário e irmão
de Ivete. Mas ela nunca emplacou um sucesso à altura
de Festa e Sorte Grande, músicas que, mesmo
que involuntariamente, estão encravadas na memória
de dez entre dez brasileiros. Também não é
claro ainda o tamanho de seu carisma. Ivete é hoje cortejada
não só pelo público, mas por artistas de
toda espécie. Em sua estréia-solo, Claudia contou
com convidados como Gabriel o Pensador e Daniela Mercury, que
não vivem propriamente o auge.
Álbum
de família
A cantora, na infância:
ovo, e não jaca
Claudia é linda. Tem pernas extraordinárias
que na adolescência lhe valeram o apelido "zagueiro
do Bahia" e um vozeirão grave. A cantora
fala em Deus a todo instante e, mesmo quando rebola no palco,
se preocupa em não parecer vulgar. "Uso shortinho
para valorizar minhas curvas, mas sem desrespeitar a Deus."
Diz que não freqüenta uma igreja específica,
mas tem uma relação estreita com os evangélicos.
Seu casamento com o empresário Márcio Pedreira,
realizado em março de 2007, foi celebrado pelo pastor
Ivo, da Comunidade Evangélica Artistas de Cristo. Momentos
antes de subir ao palco montado na Praia de Copacabana, cantou
um hino religioso da pastora Ludmila Ferber. Quando era pequena,
Claudia viu sua família passar por dificuldades. "Comíamos
arroz, feijão e ovo todos os dias. Mas não tenho
do que reclamar: Carlinhos Brown, por exemplo, era tão
pobre que almoçava jaca", diz. Hoje em dia, ela
tem um padrão de vida confortável. O Babado Novo
fazia dezesseis apresentações por mês a
um cachê de 350.000 reais. Ela está construindo
uma casa em Alphaville, condomínio de luxo em Salvador,
onde uma casa não custa menos de 1 milhão de reais.
Se a carreira-solo decolar, será só o começo.
A aposta está lançada.