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Cartas
Saúde sem neurose VEJA está de parabéns
pela reportagem "Abaixo a ditadura dos índices" (20 de fevereiro).
É impressionante como as pessoas se preocupam em manter índices
de pressão, colesterol e glicemia para evitar doenças cardiovasculares,
mas muitas vezes se esquecem de praticar atividade física. Milhões
de pessoas se entopem de medicamentos para controlar a pressão, o colesterol
ou a glicemia. Mas o grande segredo para uma vida com saúde é sabedoria,
autoconhecimento e, principalmente, paz interior. Parabéns a VEJA
por abordar o tema "saúde sem neurose". Só espero que
o quadro "Quando o diet engorda" não estimule novas neuroses
nos leitores. Afinal, ainda está longe de ser um consenso científico
que os refrigerantes diet, light e zero sejam mais perniciosos do que a gordura
saturada. Vale lembrar que a sacarina é utilizada há quase 120 anos.
No início do século XX, o presidente americano Theodore Roosevelt
(em dieta) entrou na briga, dizendo que "qualquer um que fale que a sacarina
faz mal à saúde é um idiota". Embora seja fã
de VEJA, gostaria de dizer às leitoras "gordinhas" que dificilmente
teria emagrecido 60 quilos sem a ajuda do refrigerante dietético. Gostaria
de parabenizar VEJA pela abordagem séria e competente sobre as metas do
tratamento do diabetes, da hipertensão e da dislipidemia. O jornalismo
médico de VEJA sempre cumpre sua missão de informar com seriedade
a população. VEJA
foi muito feliz na reportagem "Abaixo a ditadura dos índices".
As doenças cardíacas e vasculares são um terrível
legado da espécie humana e tenderão a ser cada vez mais letais.
Os medicamentos são úteis. Mas é preciso evitar a instalação
dessas doenças com medidas preventivas individuais, em vez de nos fiarmos
demasiadamente em pílulas. Sou médico há
37 anos. Já vi muitos conselhos serem seguidos rigorosamente pelos pacientes
e, depois, serem abandonados por descobertas da ciência. Vejo com constrangimento
as publicações alar-mantes que estimulam ditaduras de comportamento
do homem moderno. A medicina se constrói com o tempo e, talvez, nunca venha
a ter orientações para todos os problemas que nos afligem. Parabéns
pela reportagem. A
reportagem "Saúde sem neurose" leva o leigo a pensar em não
tratar sua doença. Como se sabe, os tratamentos de doenças crônicas
têm baixa adesão, o que torna seus riscos ainda maiores. VEJA
nos brindou com uma verdadeira obra-prima do jornalismo médico ao abordar
as metas de tratamento da potencialmente danosa tríade diabetes-hipertensão-colesterol.
José Eduardo Cardozo Não sou petista.
Tenho uma verdadeira ojeriza por esse partido, principalmente depois dos escândalos
promovidos pelos seus filiados que se intitulam probos, éticos e transparentes.
É gratificante saber que, nos seus quadros, o PT pode contar com pessoas
da estirpe de José Eduardo Cardozo. Nem tudo está perdido. ("O
mensalão existiu", Amarelas, 20 de fevereiro). Quanto
à entrevista por mim concedida a VEJA e publicada nas páginas amarelas,
julgo oportuno esclarecer que, conforme consta fielmente transcrito no texto da
entrevista, questionado sobre a existência do denominado "mensalão",
afirmei que "a palavra mensalão pode ter vários sentidos".
Por isso, não a utilizei em nenhum momento, optando por afirmar aquilo
que, durante a CPI dos Correios, por diversas vezes já havia declarado
publicamente, ou seja, que, no caso, "houve situações de ilegalidade
com a destinação de recursos financeiros de forma indevida a aliados
políticos". Complementei essa idéia afirmando que "nós
não podemos esconder esse fato da sociedade e temos de punir quem praticou
esses atos e aprender com os erros". Assim, a afirmação "O
mensalão existiu", com todas as conseqüências que dela
podem eventualmente ser extraídas em vários sentidos e conotações,
não foi feita, em nenhum momento, por mim. Quando indagado pelo repórter
sobre uma possível contradição por ter assumido a secretaria-geral
do partido, que, segundo ele, seria presidido por um "aloprado", fiz
uma observação que acabou não constando do texto. Afirmei
que tinha por injusta essa acusação, uma vez que, no episódio
em questão, absolutamente nada foi apurado contra Ricardo Berzoini. Se a intenção
de José Eduardo Cardozo foi a de passar por bom moço, não
colou. Se foi "descobrir a pólvora", ao confessar a existência
do mensalão, também não convenceu. Quem convive com malandros,
trambiqueiros, tungadores do dinheiro público, salteadores da República
jamais poderá personificar o papel de "mocinho". Achei
José Eduardo Cardozo sincero, qualidade rara nos políticos
brasileiros em geral e nos do PT em particular. Mas a conquista da estabilidade
econômica é do governo FHC, que nunca poderá ser alterada
nos livros de história de nenhum partido de esquerda. José Eduardo Cardozo
reconhece que "as pessoas entram na política por idealismo, por vaidade,
por carreirismo e alguns até pela perspectiva do enriquecimento",
mas nada faz para acabar com isso e se alinha a mensaleiros e aloprados ao assumir
a secretaria-geral do PT. Quem com porcos se mistura, farelo come! A
cara de bom moço do secretário-geral do PT me lembra de continuar
não acreditando em Papai Noel, mas morrer de medo do Lobo Mau vestido de
Chapeuzinho Vermelho. Sou militante do PT e não acho que esse senhor tenha
autoridade para fazer juízo de valor sobre qualquer companheiro. Zé
Eduar-do é o lobo que comeu a Vovozinha e está dando uma de Chapeuzinho.
Cartões corporativos Sugiro ao senador Neuto de Conto
e ao deputado Luiz Sérgio que, ao lado do nome dos integrantes da CPI,
adicionem uma coluna em que cada membro da CPI possa colocar seu sabor preferido
de pizza. Ou alguém duvida que essa CPI terminará em pizza? E o
pagamento da pizza, claro, será feito com cartão corporativo ("A
fábula da CPI dos cartões", 20 de fevereiro). Depois
do uso abusivo dos cartões corporativos, acho que passou da hora de
o povo bancar o Capitão Nascimento e gritar para o presidente, seus ministros e
a totalidade da atual legislatura do Congresso: "Pede pra sair!". Quando
governo e oposição chegam a um consenso sobre a melhor forma de
apurar o caso, fica evidente o interesse de jogar a sujeira para baixo do tapete.
Cartões corporativos Esclarecedora a reportagem
"A fábula da CPI dos cartões" (20 de fevereiro).
Sua chamada, entretanto, não deveria proclamar "Acordo com
a oposição...". Mais precisos seriam termos como negociata,
maquinação, conluio, conspiração e conchavo, esses,
sim, coerentes com a atitude nefasta e desonesta dos políticos que
nos sonegam a verdade. Os
nossos parlamentares devem ser os únicos no mundo a formar uma comissão
para investigar se reforma de mesa de sinuca e compra de tapioca, bebida e outras
quinquilharias com dinheiro público são atos ilegais. As faturas
dos cartões não bastam para revelar as irregularidades. Como ficou
claro na reportagem, estão tentando combater uma farra com outra.
Lya Luft O Ponto de vista "Falta
de educação e velocidade" (20 de fevereiro), de Lya Luft, relata
exatamente o cotidiano enfrentado por milhares de brasileiros. Um trânsito
de "valentes", de pessoas indiferentes às conseqüências
de seus atos. Um fato vivido por mim no último fim de semana, em passeio
recente, mostrou um jovem, aparentemente bêbado, sem condições
de dirigir, ultrapassando perigosamente um caminhão. Eu, em sentido contrário,
tive de jogar o carro no acostamento para permitir a passagem do "motorista".
História de ficção? Não. O nosso Brasil. Sim,
nós somos uns irresponsáveis, inconseqüentes, ignorantes, mas
principalmente indisciplinados no trânsito. Por quê? Porque a maioria
dos brasileiros nunca recebeu uma educação em sua casa. A ordem
e a disciplina são as molas mestras de uma civilização que
se possa chamar como tal. Eu
estava em uma pequena cidade suíça caminhando pela calçada
em diagonal, como se fosse atravessar a rua. Não havia faixa de pedestres
nem semáforo, e eu estava na calçada. Um ônibus vindo pela
rua começou a diminuir a velocidade e seu condutor sinalizou-me para atravessar,
já que minha caminhada indicava que eu pretendia atravessar a rua. E parou
o ônibus. Só em razão de uma suposta intenção
deste pedestre de fazer a travessia. Ou seja, grande Lya: não é
só autoridade ou temor à lei, é índole, é cidadania,
é educação de berço. Alguém
já me deve ter tido por mal-educado pelo simples fato de que solicitando
ultrapassagem pela esquerda, dentro da velocidade a mim permitida numa via de
mais de uma faixa, não ter sido atendido e ter-me contentado em cortar
pela direita. Enquanto policiais rodoviários municipais, estaduais ou federais
se preo-cupam com itens como equipamentos obrigatórios, velocidade exagerada,
entre outros, dezenas de condutores se acidentam ou perdem a vida porque tentam
ultrapassar pela direita, após sucessivas solicitações não
atendidas.
Joanna Maranhão Admirável
a atitude da nadadora Joanna Maranhão ("Uma dor sem tamanho",
20 de fevereiro). É necessário ter muita coragem para fazer uma
denúncia dessa natureza, já que a violência não se
resume apenas ao ato físico do agressor. Na realidade, a criança
ou adolescente vítima de violência sexual sofre duas vezes. Primeiro
com o ato de um adulto em quem supostamente deveria confiar. Num segundo
momento, o sofrimento é gerado por pessoas ligadas ao agressor (família,
amigos, conhecidos ou mesmo o próprio violador) que buscam desmerecer a
denúncia, dizendo que se trata de fantasia ou de simples mentira. É
uma tentativa de fazer da vítima uma pessoa perturbada e, portanto, não
merecedora de crédito. Pensei
que já tivesse superado, mas, ao ler a reportagem sobre Joanna Maranhão,
me veio tudo à tona novamente. Sofri abuso sexual aos 7 anos e não
tive a coragem de Joanna para contar a minha família. Ao sofrer o abuso,
a criança não entende o que aconteceu e se sente culpada de algo
que nem sabe o que é. É humilhante! Paga-se um preço muito
alto por toda a vida. Estou com 48 anos, sou pai de três filhos e
chorei muito ao ler a matéria. Parabéns, Joanna, você é
brilhante, como atleta e como ser humano. Emocionei-me
ao ler o relato da atleta (cheguei a ler três vezes a reportagem), sei o
tamanho da sua dor e conheço suas marcas. A leveza que hoje nossa campeã
sente, por ter falado do abuso sofrido na infância, é de apertar
o coração. Sofri o mesmo tipo de violência, com uma diferença:
o agressor foi o meu próprio pai. Assim como Joanna Maranhão,
também falei dos abusos que sofri, no dia 31 de maio de 2006, fazendo uma
denúncia ao Ministério Público Estadual de Alagoas. Hoje
o processo tramita no Tribunal de Justiça e o procurador-geral de Justiça
pediu sua prisão preventiva. O
abuso sexual sofrido por essa jovem, ou qualquer outro tipo de molestamento a
crianças, é absolutamente hediondo. Porém, uma pergunta
não quer calar: por que só agora, decorridos onze anos, essa história
veio à tona? Que tipo de pai/mãe tem essa jovem, que escuta a filha
falar de molestamento e chega à conclusão: "Nunca mais pense
nisso, minha filha, vamos tocar a nossa vida para frente!". Por que não
foram à polícia na época?
Educação O
candidato à Presidência da República do Brasil Cristovam Buarque
insistia na assertiva: ninguém conseguirá mudar este país
sem uma educação de qualidade. VEJA, em sua reportagem "A melhor
escola do mundo" (20 de fevereiro), acerca do sistema educacional implantado
na Finlândia, ratifica o pensamento de Buarque. Com medidas simples e fundamentais
em dois pontos básicos currículo amplo e a formação
de professores capazes , o governo daquele país conseguiu ter os
seus alunos muito bem preparados para o exercício da cidadania e o mercado
de trabalho. E nós, diante de tanto desperdício de recursos públicos,
quando seguiremos esse exemplo? Simplicidade
de processos internos, descentralização profissional, transparência
na gestão de orçamento público e pouca demagogia contribuíram
para o crescimento educacional na Finlândia. Lamentavelmente, esses estágios
estão longe da realidade educacional brasileira, na qual o orçamento
da educação está aliado à incompetência. Quando
vemos reportagens como essa, podemos observar o abismo que existe entre a educação
do Brasil e a de outros países do Primeiro Mundo. Sabemos que o Brasil
tem uma população 35 vezes maior do que a da Finlândia, e
dessa forma fica difícil fazer uma comparação, mas o que
precisamos aprender é que, quando os recursos são bem aplicados,
os resultados aparecem e sem dúvida fazem a diferença no futuro,
seja ele a curto, médio ou longo prazos. Infelizmente, investir na educação
no Brasil não dá muito retorno nas urnas, pois os políticos
precisam de votos a cada quatro anos, e os resultados de uma educação
bem estruturada demoram mais do que isso para aparecer.
PET versus lata Em resposta
à carta do presidente da Abipet (seção Cartas, 20 de fevereiro),
cumpre-nos esclarecer que a lata de aço é a mais inviolável,
resistente e segura dentre todas as embalagens, justamente porque é feita
de aço e não de plástico. Aliás, dadas as qualidades
da matéria-prima, o Super-Homem é chamado também de Homem
de Aço (e não de plástico). Sem dúvida, o aço
não é transparente como o plástico. Essa, entretanto, é
uma falsa vantagem do PET, uma vez que a transparência, ao permitir a entrada
da luz, provoca a oxidação do óleo e o torna rançoso
em pouco tempo. Para evitar esse fenômeno, os óleos embalados em
PET recebem, via de regra, a adição de conservantes, como o controvertido
TBHQ. Com relação à reciclabilidade, é fato notório
que os frascos PET não se prestam à reciclagem devido à sua
contaminação pelo óleo embalado. São lixo e, uma vez
descartados na natureza, levarão mais de 100 anos para se degradar.
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