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27 de fevereiro de 2008
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Auto-retrato
Erich Stamminger

Massao Goto Filho/E-Mais


O presidente mundial da indústria de materiais esportivos Adidas, o alemão Erich Stamminger, torce para um time de futebol pouco expressivo de seu país, o FC Nuremberg. Mas é ele quem administra os contratos de patrocínio da marca com os maiores clubes do mundo, como o Real Madrid e o Milan, e com jogadores do porte de Kaká. De passagem pelo Brasil, ele falou ao repórter Rafael Corrêa

O senhor trabalha há 25 anos com equipamentos esportivos. Hoje é mais fácil vender tênis?
As vendas de material esportivo não param de crescer. A razão para isso é que as pessoas em todo o mundo estão cada vez mais preocupadas com a saúde e querem manter o corpo em forma. Além disso, as marcas se beneficiam do crescimento do que podemos chamar de moda esportiva. Quando você vai à academia e olha para as mulheres, percebe que elas querem parecer bonitas em sua roupa esportiva. Enquanto as mulheres desfilam com os lançamentos mais recentes, os homens usam camisetas de dez anos atrás. São mundos diferentes. Antigamente, não se relacionava roupa esportiva à moda. Hoje, há mais moda no esporte, e as mulheres são mais sensíveis a isso.

Como é possível vender o mesmo produto em 200 países, para consumidores de culturas tão díspares?
É preciso identificar as preferências de cada país e adaptar os produtos a elas. O Japão, por exemplo, exige os padrões de qualidade mais altos do mercado de acessórios esportivos. A mão-de-obra, o acabamento, os materiais, tudo tem de ser da melhor qualidade. O produto feito para o mercado americano não serve para o Japão, e vice-versa. Os asiáticos, em geral, preferem produtos muito coloridos, ao contrário dos europeus.

A Teamgeist, bola oficial da Copa de 2006, fabricada pela Adidas, foi criticada por alguns jogadores por ser muito rápida. A tecnologia, às vezes, pode prejudicar o jogo?
Teoricamente, sim. Mas, como fã de futebol, acho que, quanto mais gols se fizerem num jogo, melhor. O espetáculo fica mais bonito. Se uma bola mais rápida resultar num jogo de 4 a 3, em vez de um fraco 1 a 0, fico com a Teamgeist. Aliás, as críticas às nossas bolas partem de jogadores patrocinados por nossos concorrentes. Em geral, são sempre os mesmos. Por que será?

Beleza conta na hora de um fabricante de artigos esportivos fechar um contrato de patrocínio com um atleta?
Não há como negar que beleza ajuda bastante na hora de fazer publicidade, embora esse não seja o critério principal para patrocinarmos jogadores. Os verdadeiros atletas sabem que têm de treinar muito e ganhar. Para nós, o que conta é o rendimento esportivo e o potencial que vemos no atleta. Ele precisa se comportar bem, cultivar bons valores e tratar bem os fãs, dar autógrafos e não ser arrogante.

Fidel Castro freqüentemente aparece em fotos e na TV vestindo um agasalho Adidas. Isso é bom para a marca?
O que posso fazer? Qualquer um pode entrar numa loja e comprar Adidas. Preferiria evitar que certos políticos aparecessem usando a marca. O chefe de estado de uma ditadura queria muito que fizéssemos o uniforme de sua seleção, mas dissemos que não estávamos interessados. Outro fabricante acabou vestindo a seleção. Por outro lado, as aparições de Fidel usando agasalhos de nossa marca são boa publicidade nos países do Leste Europeu, onde temos boas vendas de agasalhos. Lá, a imagem de Fidel tem um apelo chique, meio mítico.

Haverá mais atletas excepcionais como Pelé e Michael Jordan?
Não acho que haverá jogadores como Pelé ou Jordan porque o mundo mudou. Não é possível construir tanta popularidade em torno de um único jogador. Haverá, sim, mais jogadores de elite. É claro que torço para Kaká ser eleito o melhor do mundo pelos próximos dez anos, já que o patrocinamos. Mas, quando você vê as eleições de melhor jogador dos últimos anos, percebe que tudo muda muito rápido.



 

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