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O
costureiro...
Enquanto
o Sepultura hiberna,
o baterista Igor
Cavalera ganha
a
vida no corte e costura

Marcelo
Marthe

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Dispensado
pela gravadora devido às decepcionantes vendagens de seus discos
mais recentes, e sem tocar ao vivo nem ensaiar desde agosto do ano passado,
o Sepultura passou os últimos seis meses em estado de hibernação.
Mas seu líder, o baterista Igor Cavalera, de 31 anos, não
ficou esse tempo todo no ócio. Enquanto as baquetas estão
de molho, ele se dedica àquela que antes era uma atividade secundária
em sua rotina. Podemos chamá-la de corte e costura. Atualmente,
Igor reserva menos espaço em sua agenda ao heavy metal do que à
grife que leva o seu nome, a Cavalera, cujas camisetas com estampas irônicas
e calças folgadonas fazem sucesso no filão do streetwear
(moda de rua). "Os caras da banda ficam um pouco enciumados. Mas eu preciso
correr atrás de coisas que garantam o meu sustento", diz Igor.
O músico foi presença constante nos desfiles da São
Paulo Fashion Week. "Se os fãs do Sepultura vissem as roupas ousadas
que a Cavalera apresenta na passarela, eles cairiam duros", brinca Monika
Bass Cavalera, mulher e empresária do baterista.
Claudio Rossi
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Cavalera,
em
momento "fashion": nada de sexo, drogas e rock'n'roll
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A grife Cavalera não pertence a Igor. Seu dono é o deputado
estadual paulista Alberto Hiar, mais conhecido como Turco Loco. O negócio
nasceu sete anos atrás. Igor, que gosta de desenhar, associou-se
a Hiar, seu padrinho de casamento, para criar uma linha de camisetas para
roqueiros. Enquanto o empresário entrava com o dinheiro, Igor cedia
o sobrenome e fazia divulgação no palco e na base
da camaradagem entre estrelas do metal. Por exemplo: toda vez que encontrava
colegas de bandas internacionais como o Metallica e o Rage Against the
Machine, ele os presenteava com peças da grife. Enquanto o Sepultura
esteve no auge, sua participação não foi muito além
disso.
Agora as coisas mudaram. A banda não está dando dinheiro
e Igor que é dono de um apartamento em Santo André,
de uma casa no litoral paulista, de dois carros e de "algumas economias"
quer ampliar sua participação no negócio de
moda. Ele sempre abocanhou um naco pequeno dos lucros. Basicamente, uma
remuneração pelo uso de sua imagem. Esses royalties, hoje,
giram em torno dos 4 000 reais por mês. Pouco, se se levar em conta
que a Cavalera é uma grife de médio porte, que produz 120.000
peças ao ano e teve faturamento estimado em 3 milhões de
reais em 2001. Suas roupas são distribuídas em mais de 300
pontos-de-venda no país. Além dos modelitos para roqueiros,
skatistas e afins, que sempre foram seu forte, a marca passou recentemente
a oferecer linhas menos radicais. Existem peças até no guarda-roupa
e essa é para os metaleiros cortarem os pulsos da
dupla Sandy & Junior.
Apenas uma das lojas da grife pertence a Igor e à sua mulher. Foi
aberta há menos de dois anos, em Santo André, e ainda não
deu dinheiro. Neste momento, os advogados de Igor e de Turco Loco estão
renegociando os termos da relação comercial. "A Cavalera
surgiu tão na brincadeira que nunca pusemos nada no papel", explica
Igor. Turco Loco que, por enquanto, foi quem mais se deu bem com
a história diz que não se importaria de ver o roqueiro
mais presente nas reuniões da empresa, exercendo algo além
do direito informal de veto que sempre lhe coube. Tempos atrás,
Igor implicou com uma estampa que satirizava o manjado lema "sexo, drogas
e rock'n'roll". Exigiu que o produto fosse tirado de linha. "Esse chavão
já não tem nada a ver com o meu jeito de ser. Vida de roqueiro
não compensa", afirma o líder do Sepultura. Isso é
que é desejo de enterrar o passado.
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