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Zona
suspeita
Seis empresas instaladas em
Manaus são investigadas pelo
maior contrabando da região
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| CCE:
Receita quer explicações sobre produtos apreendidos
com a sua marca |
Desde
que foi criada há mais de trinta anos para integrar a Amazônia
à economia do país, a Zona Franca de Manaus é fonte
constante de suspeitas. O modelo que concede generosos incentivos fiscais
às indústrias e ao comércio instalados no complexo
tem seus defensores. Mas empresários do resto do país sempre
se queixaram dos privilégios fiscais dados aos colegas do norte,
que estão mantidos até 2013. Na semana passada, a divulgação
do maior contrabando da história da Zona Franca colocou de novo
a região e seus privilégios no foco das atenções.
Seis empresas estão sendo investigadas pelo Ministério Público
Federal sob a acusação de importar itens acabados, usufruindo
assim a isenção de impostos que vigora na região
apenas para componentes.
O superintendente da Receita Federal da Região Norte, José
Tostes, disse que até o momento o valor da fraude é de cerca
de 50 milhões de reais. Segundo ele, esse número pode triplicar,
levando-se em conta que dos mais de 2.000 contêineres apreendidos
nem um terço da mercadoria foi conferido. As cargas, incluindo
radiogravadores, aparelhos de som e máquinas fotográficas,
vieram de Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul e China e estão
retidas nos portos de Manaus, Santos e Vitória. "É a globalização
da fraude. Os produtos são fabricados em diversos lugares do mundo
e já chegam com o selo da Zona Franca de Manaus", diz Tostes. Até
agora só se conhece o nome de duas empresas envolvidas no esquema.
Uma delas é a DM Eletrônica, indústria de eletroeletrônicos.
As outras quatro empresas, duas das quais de grande porte, estão
sob investigação e, portanto, com o nome preservado.
Ao todo, dezesseis pessoas foram indiciadas pelo Ministério Público,
entre elas funcionários da Receita, da DM e o presidente da CCE,
Isaac Sverner, que detém 30% do capital votante da DM. A CCE alega
que a DM é apenas um de seus fornecedores e sustenta que desconhecia
suas práticas ilegais. Além disso, informa que a participação
na DM é um investimento pessoal de Sverner e, portanto, desvinculado
da CCE. A Justiça Federal acatou o pedido do Ministério
Público para a quebra de sigilo bancário e fiscal dos envolvidos,
mas negou a solicitação de prisão preventiva dos
sócios da DM.
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