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Edição 1 740 - 27 de fevereiro de 2002
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O risco de erro é mínimo

Aeroporto de Londres testa
máquinas de leitura da íris
para melhorar a segurança

Ricardo Mendonça

 
Claudio Rossi
Fotomontagem
Equipamento em operação: traços dos olhos são individuais e inconfundíveis

Após os atentados às torres do World Trade Center, no ano passado, várias equipes de especialistas vêm se dedicando a melhorar os sistemas de segurança de locais públicos, como os aeroportos. Os administradores do Aeroporto Heathrow, na Inglaterra, anunciaram recentemente que conseguiram avanços consideráveis nessa área. Durante os últimos meses, eles testaram com sucesso o mais moderno sistema de identificação desenvolvido pela indústria. Ele faz o reconhecimento pela leitura da íris do olho humano. O programa funciona assim: em vez de apresentar o passaporte no balcão de imigração, os passageiros aproximam o rosto de uma câmara digital. Essa foto é enviada a um banco de dados, onde ficam arquivados milhares de imagens de íris, com a ficha de seus respectivos donos. Em alguns segundos, o equipamento diz se o estrangeiro tem ou não autorização para entrar no país. O sistema está sendo utilizado em caráter experimental num grupo de 2.000 turistas que viajam com freqüência para Londres. Caso não ocorram problemas, ele será adotado como procedimento de rotina em Heathrow num futuro próximo. Outros aeroportos, como o JFK, em Nova York, também estudam sua implantação.

Essa nova tecnologia se tornou uma grande promessa para reforçar a vigilância em locais como aeroportos graças a seu grau de precisão. A íris é formada por inúmeros traços irregulares, com grossura, tamanho, tonalidade e relevo completamente distintos. Mesmo no caso de dois irmãos gêmeos, existem milhões de pontos diferentes que podem ser detectados pelo equipamento. "Nas impressões digitais, a única variável analisada é o contorno dos traços, que podem ser bastante semelhantes em alguns casos, induzindo ao erro", afirma Guilherme Otero, gerente de marketing da Siemens, empresa alemã que está desenvolvendo a tecnologia de escâneres de íris. O risco de erro na identificação da nova tecnologia chega a ser desprezível – um em 10 milhões, contra um em 10.000 nas impressões digitais. No limite, um ladrão pode queimar a ponta dos dedos para dificultar o reconhecimento. Para evitar a identificação pela íris, seria preciso arrancar os olhos.



Impressão digital: maior risco de fraude

Existem vários bancos na Europa e nos Estados Unidos que utilizam esse equipamento para controlar o acesso de funcionários a seus cofres. O sistema chegou ao Brasil no ano passado. A Telefônica foi uma das companhias pioneiras em adotá-lo. Em agosto passado, ela gastou 200.000 reais para instalar máquinas desse tipo no controle de acesso em cinco salas de sua central de servidores. Num futuro breve, imaginam os especialistas, os escâneres de íris vão estar presentes também em lugares como penitenciárias, hospitais, escolas e até academias de ginástica. O único empecilho à instalação generalizada do equipamento ainda é o preço. "Implantar esse controle de acesso numa única porta custa doze vezes mais que um sistema de identificação por cartão magnético", afirma Renato Zatz, diretor da LG Electronics, que começou a vender no ano passado a nova tecnologia no Brasil.

   
 
   
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