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Sharon
na defensiva
Primeiro-ministro israelense
não consegue deter
violência
e amarga isolamento
Reuters
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| Enterro
de palestinos mortos pelas tropas de Israel: paz distante
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Ariel
Sharon, o guerreiro, teve sua chance. Atacou os palestinos com ímpeto
sem paralelo nos quase dois anos da revolta nos territórios ocupados.
Não conseguiu abater o ânimo nem inibir os meios dos terroristas.
Agora o primeiro-ministro caiu na defensiva. Eleito por folgada maioria
há um ano, Sharon não conseguiu resolver o problema da segurança
de Israel nem avançou um milímetro na resolução
da questão palestina. As negociações com o líder
palestino Yasser Arafat para um acordo que ponha fim à violência
estão congeladas e sem perspectiva de ser retomadas, em meio às
acusações dos dois lados. Os israelenses, que apostaram
em Sharon com a esperança de que a revolta fosse esmagada com rapidez,
estão sendo vergados pela constância e virulência dos
atentados. A direita acusa Sharon de ser leniente demais com os palestinos.
A esquerda o responsabiliza pelo fracasso nas negociações
de paz e, conseqüentemente, pelo recrudescimento dos atentados.
Balançando à frente de um governo de coalizão no
qual ninguém se entende, Sharon começa a dar mostras de
hesitação. Na quinta-feira passada, foi à TV, mas
não apresentou nenhuma alternativa para pôr fim ao impasse.
Havia muita expectativa após mais uma sangrenta seqüência
de atentados e contra-ataques que deixou 49 mortos desde o início
da semana em Israel e nos territórios sob administração
da Autoridade Palestina. A única medida com que Sharon acenou,
a criação de zonas de segurança para separar fisicamente
áreas palestinas e israelenses, deverá alimentar ainda mais
a violência. As zonas de segurança teriam 1 quilômetro
de extensão e seriam cercadas e monitoradas por patrulhas móveis.
O primeiro-ministro não deu maiores detalhes nem especificou como
essas zonas vão afetar os 200.000 israelenses que vivem em assentamentos
na Cisjordânia e em Gaza. Na prática, o primeiro-ministro
tentou agradar a todos com uma proposta populista. Isso porque muitos
israelenses já defendem a retirada das áreas palestinas
como única forma de viver em paz. Já o lobby da direita
não aceita estabelecer fronteiras precisas, pois a medida implicaria
dizer ao mundo o tamanho que os israelenses julgam que deve ter o Estado
de Israel. Por esse critério, Israel ficaria do tamanho que tinha
antes da guerra de 1967.
AFP
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| Ariel
Sharon: acuado e sem proposta clara para pôr fim ŕ crise |
Sem planos nem apoio expressivo, Sharon deverá sofrer uma pressão
ainda maior para tentar algum tipo de acordo com Arafat que continua
confinado em Ramallah, na Cisjordânia, mesmo depois de anunciar
a prisão de três implicados no assassinato do ministro israelense
do Turismo, Rehavam Zeevi. A prisão dos acusados pelo crime foi
condição imposta por Sharon para suspender o cerco a Arafat.
Eternos aliados, os Estados Unidos estão mudando de atitude. Para
Washington, os preparativos de uma campanha contra o Iraque são
agora prioridade na agenda e nada pior que a radicalização
do conflito árabe-israelense para atrapalhar Bush. Sharon corre
o risco de ficar só.
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