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Edição 1 740 - 27 de fevereiro de 2002
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Sharon na defensiva

Primeiro-ministro israelense
não consegue
deter violência
e amarga isolamento

 
Reuters
Enterro de palestinos mortos pelas tropas de Israel: paz distante

Ariel Sharon, o guerreiro, teve sua chance. Atacou os palestinos com ímpeto sem paralelo nos quase dois anos da revolta nos territórios ocupados. Não conseguiu abater o ânimo nem inibir os meios dos terroristas. Agora o primeiro-ministro caiu na defensiva. Eleito por folgada maioria há um ano, Sharon não conseguiu resolver o problema da segurança de Israel nem avançou um milímetro na resolução da questão palestina. As negociações com o líder palestino Yasser Arafat para um acordo que ponha fim à violência estão congeladas e sem perspectiva de ser retomadas, em meio às acusações dos dois lados. Os israelenses, que apostaram em Sharon com a esperança de que a revolta fosse esmagada com rapidez, estão sendo vergados pela constância e virulência dos atentados. A direita acusa Sharon de ser leniente demais com os palestinos. A esquerda o responsabiliza pelo fracasso nas negociações de paz e, conseqüentemente, pelo recrudescimento dos atentados.

Balançando à frente de um governo de coalizão no qual ninguém se entende, Sharon começa a dar mostras de hesitação. Na quinta-feira passada, foi à TV, mas não apresentou nenhuma alternativa para pôr fim ao impasse. Havia muita expectativa após mais uma sangrenta seqüência de atentados e contra-ataques que deixou 49 mortos desde o início da semana em Israel e nos territórios sob administração da Autoridade Palestina. A única medida com que Sharon acenou, a criação de zonas de segurança para separar fisicamente áreas palestinas e israelenses, deverá alimentar ainda mais a violência. As zonas de segurança teriam 1 quilômetro de extensão e seriam cercadas e monitoradas por patrulhas móveis. O primeiro-ministro não deu maiores detalhes nem especificou como essas zonas vão afetar os 200.000 israelenses que vivem em assentamentos na Cisjordânia e em Gaza. Na prática, o primeiro-ministro tentou agradar a todos com uma proposta populista. Isso porque muitos israelenses já defendem a retirada das áreas palestinas como única forma de viver em paz. Já o lobby da direita não aceita estabelecer fronteiras precisas, pois a medida implicaria dizer ao mundo o tamanho que os israelenses julgam que deve ter o Estado de Israel. Por esse critério, Israel ficaria do tamanho que tinha antes da guerra de 1967.

AFP
Ariel Sharon: acuado e sem proposta clara para pôr fim ŕ crise


Sem planos nem apoio expressivo, Sharon deverá sofrer uma pressão ainda maior para tentar algum tipo de acordo com Arafat – que continua confinado em Ramallah, na Cisjordânia, mesmo depois de anunciar a prisão de três implicados no assassinato do ministro israelense do Turismo, Rehavam Zeevi. A prisão dos acusados pelo crime foi condição imposta por Sharon para suspender o cerco a Arafat. Eternos aliados, os Estados Unidos estão mudando de atitude. Para Washington, os preparativos de uma campanha contra o Iraque são agora prioridade na agenda – e nada pior que a radicalização do conflito árabe-israelense para atrapalhar Bush. Sharon corre o risco de ficar só.


 
 
   
 
 
   
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