Feito sob medida

Fabricante de material esportivo desenvolve
modelo de tênis especial para as mulheres

A indústria finalmente descobriu que o pé feminino é muito diferente do masculino. Foi um pequeno passo para as marcas, mas um grande avanço para as mulheres. Os principais fabricantes esportivos investem pesado no desenvolvimento de novos produtos para aumentar o conforto e melhorar o desempenho dos atletas. É por isso que as botinas de couro cru usadas nos tempos de Pelé deram lugar a chuteiras de materiais sintéticos, mais leves, resistentes e impermeáveis. Os tênis utilizados pelos corredores também passaram por mudanças profundas. Uma das principais melhorias adotadas foram os solados especiais, com sistemas de amortecimento capazes de minimizar o impacto da atividade física.

Finalmente se descobriu a mulher. Até pouco tempo atrás, os calçados femininos existentes no mercado eram produzidos com a mesma fôrma utilizada nos modelos masculinos. Só mudavam a cor e a numeração. Algumas empresas já começam a modificar esse panorama. A Penalty, por exemplo, investe no desenvolvimento de uma chuteira para jogadoras. Outra empresa, a multinacional Nike, desenvolveu a linha Air Imara, um produto sob medida para mulheres. O tênis feminino deve chegar ao mercado brasileiro até julho.

Calcanhar frágil — A Nike desenvolveu o novo produto adotando sugestões das mulheres. Atletas patrocinadas pela empresa, como a americana Jackie Joyner- Kersee, recordista mundial do heptatlo, e a tenista Monica Seles, funcionam como consultoras técnicas da fábrica. Com base nas informações recebidas e em pesquisas de laboratório, a palmilha do novo modelo foi projetada sob medida para as atletas. Como a mulher pesa menos do que o homem e tem o pé mais delgado, seu tênis exigiu um composto de borracha mais flexível na parte anterior, um sistema de amortecimento menos reforçado e um solado mais estreito. A economia de material melhorou a estabilidade e deixou o calçado 20% mais leve, mesmo depois de receber um reforço para proteger o calcanhar feminino, mais frágil (veja quadro). É uma vantagem significativa, levando em conta que um corredor dá em média 170 passadas por minuto numa prova de longa distância.

A própria maneira de pisar é diferente entre os sexos em função da distribuição da gordura corporal. Enquanto os homens concentram gordura na cintura e no abdome, as mulheres acumulam peso nos quadris. Isso gera um desvio no centro de inclinação do corpo que as atletas tendem a corrigir correndo com os pés abertos e os joelhos fechados. Esse problema de postura pode acarretar contusões graves no joelho. Outra diferença está no biotipo. Como têm pernas mais curtas, as mulheres dão passadas 12% menores do que os homens. Com isso, elas têm de dar mais passos para cobrir a mesma distância. Em compensação, levam vantagem por ter de deslocar em seus movimentos, em média, 10 quilos menos de peso do que os homens.

Sérgio Ruiz Luz




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