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Vulcão de água
Trio de
surfistas brasileiros enfrenta no Havaí
as maiores e mais temidas ondas do mundo
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A
explosão de jaws em Maui: volume de água igual
ao de cinco piscinas olímpicas |
A
Ilha de Maui, no Havaí, é o paraíso dos surfistas
malucos por ondas gigantes. Ali se formam os maiores e
mais perigosos vagalhões do mundo. Passam dos 15 metros,
a altura de um prédio de cinco andares, e despejam 10
milhões de litros de água, volume equivalente ao de
cinco piscinas olímpicas. Os nativos batizaram as
ondulações de jaws (mandíbulas, em inglês). Parecem
mesmo enormes bocas de espuma engolindo tudo que
encontram pela frente. Cair da prancha em jaws, ou tomar
um "caldo", como dizem os praticantes do
esporte, significa afundar na água à força e ter de
segurar o fôlego por mais de um minuto até voltar à
tona. Há quatro anos, o local começou a ser explorado
por surfistas experimentados da região. Apenas pessoas
muito bem preparadas têm permissão para surfar em Maui
e há sempre uma frota de jet-skis dando cobertura aos
surfistas. Só por isso as ondas mais bravas do mundo
nunca causaram nenhum acidente fatal. Há duas semanas,
um grupo de brasileiros teve acesso à barreira líquida
pela primeira vez. Todos sobreviveram. "Foi como
manobrar a prancha em frente de uma manada de
búfalos", definiu Romeu Bruno Filho, 34 anos.
Romeu e seu
companheiro de aventura Alfredo Villas-Boas, 32 anos,
moram no Havaí, onde trabalham como salva-vidas. O
terceiro era João Pedro Simonsen, 32 anos, surfista de
São Paulo. Os três passaram por uma preparação que
incluía mergulhos no mar carregando pedras de 20 quilos.
O objetivo era ganhar fôlego para escapar com vida de um
"caldo". Para chegar ao ponto de pegar as
ondas, foram rebocados por jet-skis. Utilizavam pranchas
mais curtas, estreitas e pesadas do que as convencionais.
Com velocidade de até 60 quilômetros por hora, subiram,
desceram e deslizaram em meio ao turbilhão.
"Cheguei a cair da prancha; por sorte, era uma onda
pequena para os padrões locais", conta João
Simonsen. As ondas de Maui se formam em tempestades no
alto-mar do Pacífico Norte, nas costas do Japão, a
milhares de quilômetros do Havaí. Empurradas pelo vento
e sem uma massa de terra para barrar seu caminho, elas
arrebentam na ilha com violência. Como o mar é raso na
região, a propagação das ondas para baixo tromba com
seu fundo. Assim, toda a sua energia é catapultada para
cima, como num vulcão aquático.
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