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• Especial: Haiti, do caos à esperançaInternacionalBonitinho, mas ordinárioO ex-senador John Edwards, que disse que não teve, mas
teve, uma
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Elise Amendola/AP![]() |
| QUEM, EU? Edwards, exposto por um tabloide: "Errei em negar que fosse minha filha" |
Nunca na história dos Estados Unidos um político
acusado de prevaricar no campo amoroso chafurdou em lamaçal tão
sórdido quanto o que engoliu o ex-senador democrata John Edwards, 56
anos - um campo em que, certamente, competição não lhe
falta. Nesta semana Edwards admitiu o que o país inteiro estava cansado
de saber, mas ele desmentia com cinismo infinito: tem uma filha fora do casamento.
"Errei em negar que fosse minha filha e espero que um dia, quando for capaz
de entender, ela possa me perdoar", escreveu num comunicado à imprensa
divulgado sem corpo presente - Edwards continua mais desaparecido do que Tiger
Woods, um santo comparado a ele. O ex-senador não mencionou, mas todo
mundo já fez as contas e também sabe que a pequena Francis Quinn,
2 anos no mês que vem, foi concebida quando ainda estava fresca a notícia
de que sua mulher, Elizabeth, sofria de recidiva incurável de câncer.
Também é do conhecimento geral que Edwards prometeu à amante,
Rielle Hunter, 45, que se casaria com ela assim que Elizabeth morresse - e adiantou
detalhes da festa. Parece muito? Pois tem mais. No papel de calhorda renomado,
Edwards nunca decepcionou.
Jim R. Bounds/AP![]() |
| CONTA REFEITA Rielle, com Quinn: também teve verba de campanha |
Filho de operário, advogado milionário e muito bem-apanhado
(já foi "o político mais sexy" da revista People), Edwards era aposta forte no começo de 2007, quando anunciou que iria
disputar a indicação democrata à Presidência. Pouco
depois Elizabeth soube da recidiva, mas resolveram ir em frente, como típico power couple, os casais com projetos políticos comuns. Por essa
época, apareceu no National Enquirer a notícia do caso
de Edwards com Rielle, cinegrafista que trabalhou na campanha. Por ser um tabloide
de quinta, não foi levado a sério, mas tanto fez, tanto insistiu,
que o caso cresceu. Acuado, em janeiro de 2008 Edwards retirou a candidatura.
Em fevereiro, Quinn nasceu. Pouco depois, lá estava o National Enquirer afirmando que a menina era filha do ex-senador. Já escolado na safadeza,
Edwards convenceu um assessor casado, Andrew Young, a assumir a paternidade.
Durante algum tempo, bancou todo mundo na mesma casa, como num infernal Big
Brother: a amante, a filhinha renegada e o assessor obrigado a se passar
por pai. Não podia, evidentemente, dar certo. Young voltou atrás
e agora, claro, está lançando um livro em que conta tudo. Edwards,
entrega, pediu-lhe que providenciasse um teste de paternidade - falso, como
nas mais delirantes novelas. Para uso próprio, propôs que roubasse
uma fralda do bebê, com a qual faria um DNA de verdade, para ver se era
mesmo o pai. Investigado sobre o desvio de dinheiro de campanha para Rielle,
Edwards está afastado da política e só fala obrigado pelos
fatos, por comunicados. Já o National Enquirer avisa, meio de
brincadeira, meio a sério, que vai se candidatar ao Pulitzer, o mais
importante prêmio de jornalismo do mundo.