Harmonia
Vermelha, de Matisse: o "sentimento religioso da vida"
Escritos
e Reflexões sobre Arte, de Henri Matisse (tradução
de Denise Bottmann; Cosac Naify; 400 páginas; 120 reais) Figura
fundamental da arte moderna, o francês Henri Matisse (1869-1954) ocupou
um lugar original entre o impressionismo e o cubismo. Ri-camente ilustrado com
reproduções de obras do artista e com retratos de Matisse
feitos pelo fotógrafo Henri Cartier-Bresson , esse volume reúne
ensaios, entrevistas, depoimentos, anotações, cartas do pintor.
É um painel de seu pensamento sobre a arte. "O que mais me interessa
não é nem a natureza-morta nem a paisagem, é a figura. É
ela que me permite exprimir melhor o sentimento religioso, por assim dizer, que
tenho da vida", escreve em Notas de um Pintor. Leia
trecho.
Modesto
Carone: a angústia dos joelhos femininos
Por
Trás dos Vidros, de Modesto Carone (Companhia das Letras; 208 páginas;
38 reais) Quase todos muito curtos e incisivos, os contos desse livro
alguns deles inéditos, outros retirados de três coletâneas
anteriores do autor alcançam surpreendentes notas de angústia
a partir de situações comezinhas, como a do casal que espera em
uma estação de trem ou a do escritor que contempla os joelhos de
uma mulher. Principal tradutor da ficção de Kafka no Brasil, Modesto
Carone deve muito ao autor checo. O registro realista, sem nenhum sinal de alarme
ou assombro, com que ele descreve as situações mais absurdas e violentas
é bem característico do autor de A Metamorfose e Na Colônia
Penal. Leia
trecho.
Livro
das Mil e Uma Noites Volume 3 (tradução de Mamede
Justafa Jarouche; Globo; 376 páginas; 49 reais) As Noites comportam
todo tipo de história imaginável: sagas heróicas, crônicas
do cotidiano, piadas licenciosas. Esse que é um dos mais ricos repertórios
literários de todos os tempos está ganhando sua primeira tradução
brasileira direta do árabe. Os dois primeiros volumes eram dedicados ao
chamado "ramo sírio", mais antigo. O terceiro livro inaugura
o "ramo egípcio", cuja edição mais célebre
foi feita no Cairo, no século XVIII. O novo volume inclui as aventuras
de um dos personagens mais conhecidos das Mil e Uma Noites, o marinheiro
Simbad (ou Sinabad). Leia
trecho.
DVD
Hulton
Archive/Getty Images
Monty
Python: o nonsense ao vivo
Monty
Python ao Vivo no Hollywood Bowl (Inglaterra, 1982. Sony) Apenas
um ano antes de fazer seu último filme, O Sentido da Vida, e se
dissolver, a trupe inglesa de comediantes registrou essa apresentação
em Los Angeles, que inclui desde esquetes clássicos, como o dos "andares
tolos" e o dos milionários que relembram as dificuldades absurdas
de sua infância, até criações inéditas. Destaque
para o trio de australianos que interpreta uma canção sobre os hábitos
etílicos dos grandes filósofos e o programa de perguntas e respostas
com a participação de Karl Marx, Che Guevara, Mao Tsé-tung
e Lenin (prêmio para o vencedor: um lindo conjunto de sofá e poltrona).
Na verdade, destaque para tudo: nunca outro grupo humorístico atingiu os
píncaros de nonsense conquistados pelo Monty Python.
DISCOS
Van
Morrison: três décadas versáteis
Still
on Top: The Greatest Hits, Van Morrison (Universal) Nome fundamental
do rock, o cantor irlandês tem sua discografia tratada com desleixo no Brasil.
São raros os discos dele lançados por aqui e a maioria traz
um Van Morrison longe de sua melhor forma. Com um repertório que vai dos
anos 60 aos 90, o disco duplo Still on Top ajuda a suprir essa lacuna.
A coletânea mostra a versatilidade do cantor. Van Morrison começou
no Them, grupo de rhythmnblues de sucesso relativo no mercado americano
(Baby Please Dont Go e Here Comes the Night, presentes no
CD, são desse período). Na carreira-solo, explorou gêneros
como blues, jazz e música folclórica irlandesa. A compilação
traz ainda uma raridade: uma versão alternativa de Healing Game,
canção da fase mais recente do artista.
The
Hives: menos pesado, mas ainda feroz
The
Black and White Album, The Hives (Arsenal) O quinteto sueco integra,
ao lado de Strokes e The White Stripes, o grupo de artistas que no início
da década ressuscitaram o rock de garagem. O Hives tem uma sonoridade menos
polida do que as outras duas bandas as guitarras são distorcidas
e é de admirar que o cantor Howlin Pelle Almqvist ainda não
tenha perdido a voz, de tanto que grita. Seu quarto CD, The Black and White
Album, está longe de amansar a ferocidade do Hives, mas traz músicas
menos pesadas. Um dos motivos da mudança é a presença do
produtor Pharell Williams, que já trabalhou com Justin Timberlake e Britney
Spears. Seu repertório de samples e ritmos eletrônicos fez de T.H.E.H.I.V.E.S.
a canção mais dançante do repertório do grupo. Outro
grande momento é Hey Little World, faixa nitidamente inspirada nos
Rolling Stones.