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26 de dezembro de 2007
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Tragédia teen

Sete Pecados é a primeira novela a mostrar
o drama dos jovens que já nasceram com HIV


Marcelo Marthe

Divulgação
Gina (Carla Diaz) conta seu segredo ao paquera: amor e preconceito

As novelas da Rede Globo já haviam abordado o drama de soropositivos contaminados por meio de relações sexuais sem camisinha, transfusões de sangue e uso de drogas injetáveis. Na terça-feira passada, a novela Sete Pecados mostrou pela primeira vez uma faceta menos conhecida da aids: a "transmissão vertical" de mãe para filho. Desde o início da epidemia no Brasil, nos anos 80, mais de 13.000 crianças foram infectadas durante o parto. A cada ano, cerca de 700 novos casos se somam a tal estatística. Esses portadores não enfrentam apenas o problema de saúde. Ao chegarem à adolescência, têm de lidar com a discriminação e as dificuldades de quem está iniciando a vida afetiva – exatamente como a personagem de Sete Pecados. Na cena que foi ao ar na terça-feira, Gina (Carla Diaz) contou seu segredo ao colega e pretendente Sandro (Darlan Cunha), na biblioteca de uma escola pública de periferia. "Eu nasci com aids", revelou a garota, confidenciando ainda que o pai tinha morrido em decorrência do HIV e que sua mãe também estava doente.

O noveleiro Walcyr Carrasco dá sinais de que não pretende dourar a pílula. Gina, que apareceu na trama há cerca de dois meses, era discriminada no colégio em que estudava anteriormente e por isso decidiu esconder sua condição do paquera. Quando a notícia de que tem aids se espalhar, ela passará a ser tratada como pária. Um grupo de alunos tentará vetar sua entrada no prédio. Numa lição de matemática, eles a isolarão na sala de aula. Gina também será impedida de fazer exercícios de educação física, pois os colegas terão medo de se contaminar caso ela sofra ferimentos. Assim como já vem fazendo ao expor os problemas da escola pública, Carrasco pretende tirar daí lições contra o preconceito. Seria interessante também se chamasse atenção para outro dado. A transmissão vertical é uma tragédia para a qual há prevenção: com certos cuidados no parto e durante a gestação, está provado que se pode reduzir a taxa de infecção de 20% para menos de 1%. Mas a falta de conscientização e o desleixo têm impedido o Brasil de minimizar essa tragédia. "A aids hoje é controlável. Mas o preconceito, não", diz Marinella Della Negra, infectologista do Hospital Emílio Ribas.




 

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