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Edição 2040

26 de dezembro de 2007
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Para começar do zero

Sem um bom plano de vôo é impossível a um sujeito
sedentário tornar-se ativo ou a um glutão inveterado
se transformar num exemplo à mesa. Essas são promessas típicas de Ano-Novo. Para ajudar a tirá-las do campo teórico, especialistas ouvidos por VEJA reuniram sugestões práticas de combate à inércia. Eis a lista.


Promessa de Ano-Novo

Praticar uma atividade física regular

Desfecho comum: apenas 20% dos novatos se mantêm ativos – os demais regressam ao sedentarismo

O plano dos especialistas: Começar com caminhadas. Elas prescindem de conhecimento técnico e podem ser praticadas a qualquer hora – um incentivo a mais para os iniciantes

Dez minutos na primeira semana é um tempo razoável. Não exige demais do coração nem força os músculos do corpo além da conta. Com um aumento gradativo na duração do exercício ao longo de um mês, a pessoa caminhará meia hora por dia, sem nenhuma seqüela física

Elevar a dificuldade do percurso. Incluir ladeiras no trajeto faz aumentar em 10% o gasto calórico com o exercício

 

Paulo Giandalia

A secretária Lílian Becker, 46 anos, deixou o sedentarismo por recomendação médica. Começou com caminhadas de meia hora em ritmo lento. Em dois meses, passou a cumprir o mesmo trajeto em velocidade três vezes maior. O método de inclusão gradativa no mundo da atividade física funcionou. "Não consigo mais ficar um dia sem praticar esportes"

 

Promessa de Ano-Novo

Estudar inglês no exterior

Desfecho comum: o aspirante perde os prazos de inscrição ou não poupou o suficiente para arcar com os custos da viagem

O plano dos especialistas: Escolher o destino com base em dados racionais. O lugar pretendido deve, sim, despertar alguma espécie de interesse, mas os preços não podem jamais ser ignorados. Muita gente desiste de viajar por falta de dinheiro sem sequer saber que intercâmbios no Canadá custam 35% menos e, em cidades americanas do interior, eles saem cerca de 25% mais baratos

Matricular-se num curso de línguas antes da viagem. O melhor cenário para avanços consistentes no exterior é sair do Brasil com uma base razoável do idioma, resultado de algo como seis meses de aulas intensivas

Encarar prazos com disciplina. Parece um detalhe, mas muita gente deixa de embarcar por não ter reunido na data certa todos os documentos – e às vezes são exigidas dezenas deles. Vale a pena perder tempo com a burocracia para não correr riscos

 

Promessa de Ano-Novo

Cultivar hábitos mais saudáveis à mesa

Desfecho comum: aos radicalismos na dieta se segue um período de anarquia alimentar

O plano dos especialistas: Fazer refeições mais demoradas. Pesquisas mostram que quem devora a comida em menos de vinte minutos costuma consumir 20% mais calorias. A esse ritmo, o cérebro não tem tempo de registrar os efeitos do alimento. A pessoa continua a comer com voracidade, portanto, porque ainda sente fome

Comer menos. Para tal, além de boa dose de disciplina, prefira pratos menores. Isso mesmo: a circunferência da louça também tem sua contribuição, segundo um conjunto de estudos científicos. Eles mostram que pratos maiores são um estímulo para as pessoas consumirem 30% mais comida

Fugir de gordura trans. O consumo regular dessa gordura – vilã número 1 da dieta – reduz em 20% os níveis do colesterol bom (HDL). Uma vez alojada nas artérias, ela exige ainda 30% mais esforço do coração em sua função de bombear o sangue para o corpo

 

Paulo Giandalia

O empresário Fred Frank, 36 anos: todas as refeições dele duram pelo menos uma hora

Especialistas consultados: Celso Cukier (do Instituto de Metabolismo e Nutrição); Luiz Alberto Grossman (do Hospital Samaritano); Marcos Paulo Reis (da MPR Assessoria Esportiva); Mauro Vaisberg (do Hospital Samaritano); Meire Brasil Parada (da Unifesp)


Com reportagem de Marcos Todeschini

 

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