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26 de dezembro de 2007
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Turismo
Não tem neve? Vamos ao spa

Ameaçados de perder as pistas de esqui devido
ao aquecimento global, os Alpes agora oferecem
resorts e muitas piscinas


Duda Teixeira

Fotos divulgação
Parque aquático do Aqua Dome, na Áustria (à esquerda), e o spa Tschuggen Bergoase (à direita), na Suíça: arquitetura extravagante e programas alternativos para atrair turistas em qualquer estação

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O aquecimento global é uma dor de cabeça para o futuro do turismo nos Alpes. Nos últimos trinta anos, a temperatura da região aumentou três vezes mais do que a média do planeta. Hoje, 609 das 666 pistas médias e grandes dos Alpes atingem um nível adequado de neve para permitir a prática do esqui e do snowboard por pelo menos 100 dias do ano. Em 2025, serão 500 e em 2050 apenas 400, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A previsão está longe de ser uma sentença fatal para o mais charmoso entre os destinos turísticos de inverno, que atrai 80 milhões de visitantes todo ano. Para se prepararem para um futuro com menos neve e sem esqui, grandes cadeias de hotéis estão em busca de novos atrativos para a região: edifícios com arquitetura extravagante, spas colossais, salas de convenções e parques aquáticos. Nos últimos dois anos, uma dúzia de resorts de alto padrão foi inaugurada na Alemanha, na Suíça e na Áustria seguindo essa receita. Eles podem ser desfrutados tanto no inverno quanto no verão.

O Aqua Dome, na Áustria, dispõe de um parque aquático digno de hotéis tropicais. Três piscinas no formato de tigelas gigantes permitem uma vista privilegiada para as montanhas. Duas delas são equipadas com jatos de massagem, enquanto uma terceira tem música subaquática e água salgada, para dar uma "sensação de leveza", segundo a administração do resort. O frio a 3.250 metros de altitude é amenizado com água a 40 graus, retirada de uma fonte termal. Nos folhetos do hotel, quase não há menção aos esportes de neve, embora o complexo esteja em um vale com 150 quilômetros de pistas de esqui. A propaganda afirma que as crianças podem se divertir com jogos eletrônicos e um paredão de escaladas. Adultos escolhem entre aulas de tai chi chuan, ioga e jazz. Um spa oferece banhos relaxantes, terapia com pedras quentes e massagens.

A arquitetura dos novos resorts alpinos oscila entre o extravagante e o elegante. No Aqua Dome, uma estrutura semelhante a um cone de sorvete envidraçado dá acesso às três piscinas-tigela. Em geral, o traço é assinado por arquitetos e designers requisitados. Inaugurado há um ano, o Tschuggen Bergoase, na Suíça, foi criado pelo arquiteto suíço Mario Botta, que cuidou da restauração do Teatro alla Scala de Milão. O edifício feito para abrigar um spa é um anexo do Tschuggen Grand Hotel. Para levar luz natural aos quatro andares do spa, foram construídas no telhado nove estruturas de vidro parecidas com gomos de laranja, as chamadas "árvores luminosas". Em seu interior, piscinas, sauna e sala de meditação. Botta também criou uma caverna em que o visitante, após passar por uma cortina de água, pode experimentar diversas sensações térmicas, como uma chuva de verão, uma tempestade de inverno ou neblina. Nada de neve. No próximo ano, o hotel ficará aberto mais tempo, por dez meses. "Queremos atrair mais turistas fora da temporada de inverno", disse a VEJA a diretora de relações públicas do hotel, a alemã Ina Bauspiess, que conta com passeios de bicicleta e escaladas para chamar a atenção dos visitantes. "Daqui para a frente, vamos promover o verão e o outono intensamente."

O efeito do aquecimento global nas estações de esqui é principalmente a redução da temporada com neve suficiente para a prática dos esportes de inverno. Nas pistas situadas em baixas altitudes, o risco de uma temporada inteira sem nenhuma neve já existe. A maior parte dos novos projetos, no entanto, está em altitudes mais elevadas, justamente para poder vender uma gama mais variada de atrações: esqui na temporada com neve e outras diversões nos períodos mais quentes. Na Suíça, está sendo construída uma torre com trinta andares no topo da montanha Matterhorn, a mais alta, que pode ser alcançada por teleférico. O edifício, em forma de pirâmide, terá restaurantes, salas de conferência, piscinas e um restaurante panorâmico. A altitude, 4.000 metros acima do nível do mar, obrigará o complexo a ter salas de descompressão. Lá, pelo menos, a previsão é de temporadas com neve por mais tempo. A diversão está garantida, ainda que com modificações.


 

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