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Edição 2040

26 de dezembro de 2007
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Poluição
A batalha da fumaça

Depois de muita conversa e pouca ação nas
negociações de Bali, a Comissão Européia quer
exigir dos fabricantes carros menos poluidores


Thomaz Favaro

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Nesta reportagem
Quadro: A solução européia
Reuniões plenárias internacionais para discutir a emissão de poluentes do efeito estufa tendem a se encerrar com declarações de boas intenções. O assunto é então deixado em fogo brando até a próxima reunião. Em lugar de esperar por um improvável consenso mundial, a Comissão Européia decidiu começar por limpar o ar em sua própria casa. Na semana passada, o órgão apresentou uma proposta de lei que estipula, para os carros fabricados a partir de 2012, um limite de emissão de 120 gramas de dióxido de carbono por quilômetro rodado. Isso significa uma redução de 25% em relação ao nível médio das emissões atuais. A nova regra, que agora será votada pelo Parlamento europeu, foi divulgada poucos dias depois do fim da 13ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Bali, na Indonésia. Ali, após muita discussão e pouca definição, 187 países concordaram em iniciar negociações para formular um tratado que substitua o Protocolo de Kioto a partir de 2013. Durante o encontro, a União Européia propôs que os países ricos reduzam entre 25% e 40% as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2020. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), esse é o corte necessário para evitar que a temperatura média do planeta suba mais de 2 graus acima dos níveis pré-industriais. Os Estados Unidos, campeões em poluição, resistem à proposta.

As medidas unilaterais dos europeus para diminuir a poluição poderão servir, nos próximos anos, como parâmetro para a possibilidade de sucesso de qualquer tratado internacional que venha a substituir o de Kioto. Alcançar as metas depende de avanços tecnológicos. Um acordo entre o governo europeu e os fabricantes, feito em 1995, previa uma redução voluntária de 3% ao ano para atingir o limite de 120 gramas por quilômetro rodado já em 2005. O ritmo de diminuição conseguido pelos técnicos automotivos não passou de 1,5%. As metas anunciadas na semana passada colocaram os fabricantes em pé de guerra. As empresas alegam que o índice sugerido não poderá ser atingido no prazo de cinco anos, o que ameaçaria a competitividade da indústria automobilística européia. Encabeçam os protestos as companhias alemãs, como BMW e DaimlerChrysler, produtoras de carros luxuosos. Em geral, cada um deles emite mais que 180 gramas de poluentes por quilômetro rodado. Mesmo os fabricantes franceses e italianos, com automóveis menores e menos poluentes, reclamaram. Eles estimam que o custo da adaptação vá representar um aumento de 1.300 euros no preço de cada veículo. Na proposta de lei da semana passada, a solução encontrada foi criar parâmetros menos exigentes para os carros de luxo, mais pesados e poluentes. A redução das emissões exigida será proporcional ao tamanho do automóvel.

O setor de transportes é responsável por 22% do total de emissões do planeta e, justiça seja feita, não preocupa somente os europeus. A China tem desde 2004 padrões mínimos de eficiência energética para carros novos, e o Congresso americano acaba de aprovar uma lei mais exigente nesse quesito. Iniciativas como essas têm efeitos mais rápidos que investir em conversas multilaterais. "Os resultados dessas reuniões acabam sendo menos significativos que mudanças internas nas políticas de cada país", disse a VEJA o cientista político americano Joshua Busby, da Universidade do Texas. Isso pode mudar. O presidente George W. Bush, que se recusou a ratificar o Tratado de Kioto em 2001, não estará mais na Casa Branca em 2009, ano em que será decidido o acordo para substituir o pacto atual. A favorita nas pesquisas presidenciais é a senadora Hillary Clinton, que apoiou projetos de lei para reduzir as emissões americanas. Depois de Bush, os europeus talvez não fiquem mais sozinhos.


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