Com o leilão
das concessões 3G, o Brasil avança na era da conexão
móvel com a internet
Divulgação
A
evolução da telefonia móvel é sinalizada por gerações.
A primeira foi a analógica. Servia para comunicação de voz.
A segunda, a digital com banda estreita, tornou possível a troca de arquivos
com músicas ou pequenos vídeos. A terceira é a da banda larga.
Permite ao celular manter uma conexão em alta velocidade com a internet.
Nos últimos dois anos, a tecnologia 3G tornou-se dominante no Japão
e na Coréia do Sul e se expande rápido na Europa, nos Estados Unidos
e na Austrália. No Brasil, redes desse tipo engatinham. Isso mudará
em 2008. Leilões de novas freqüências do espectro eletromagnético
pelo qual circulam os sinais de 3G , realizados na semana passada
pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), mostraram
o entusiasmo das operadoras com a tecnologia. Os 36 lotes para a operação
do serviço, colocados à venda por 2,8 bilhões de reais, foram
arrematados por 5,3 bilhões de reais 86% acima do valor mínimo.
Com a tecnologia 3G, as
operadoras querem melhorar a receita, oferecendo um maior número de serviços.
O sistema possibilita até a oferta de comodidades antes desconhecidas,
como a navegação por GPS no celular (veja outros exemplos no
quadro acima). Para o consumidor, essa oferta num ambiente de concorrência
só traz vantagens. Além de um uso mais eficiente do celular
na internet, será possível a conexão de banda larga sem fio
também para notebooks ou desktops. As ligações nesse caso
são feitas por pequenos modems, conectados com os computadores. A Claro,
que oferece banda larga por celular desde novembro em 37 cidades brasileiras,
cobra entre 70 e 100 reais mensais pelo serviço. A Telemig tem preço
semelhante na região metropolitana de Belo Horizonte. A Vivo, que dispõe
de uma rede 3G, mas mais antiga, cobra entre 40 e 140 reais.
Em geral, os aparelhos 3G têm duas câmeras, uma delas para videoconferência.
Seis celulares são oferecidos pela Claro. O LG MU500, entre os mais baratos,
custa 230 reais. O mais caro é o Palm Treo 750, por 1.350 reais. A Telemig
e a Vivo têm um aparelho cada uma. Com o leilão da semana passada
e a maior oferta de 3G, a tendência é que os preços despenquem.
Isso ocorreu na Inglaterra. Em 2005, a Vodafone vendia pacotes de banda larga
3G para computadores por 140 dólares. Hoje, cobra 50 dólares. Para
o Brasil, onde as conexões rápidas com a internet alcançam
menos de 15% das residências, a expansão das redes 3G oferece uma
alternativa animadora.
Um telefonema a custo
zero
As
redes móveis de terceira geração (3G) permitem que os celulares
façam chamadas telefônicas pela internet. A vantagem desse sistema:
o telefonema sai mais barato ou, em alguns casos, é grátis. Para
isso é preciso usar o Skypephone (foto), lançado em outubro
na Europa. O aparelhinho, com câmera de 2 megapixels e MP3, é a versão
móvel do Skype. As chamadas não são cobradas quando feitas
para outros usuários do serviço. A tecnologia empregada é
a de voz sobre protocolo da internet (VoIP, na sigla em inglês). Ela começou
a crescer em 2004 e tende a dominar a telefonia. A qualidade das ligações
móveis ainda deixa a desejar, mas a economia compensa. Um pacote do Skypephone
pode custar 24 dólares. Dá direito a 100 minutos de ligações
convencionais, além das chamadas gratuitas do Skype.