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26 de dezembro de 2007
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Polícia
Pilhagem no Masp

Bandidos roubam do museu telas de Picasso
e Portinari estimadas em 110 milhões de reais


Marcelo Marthe

Retrato de Suzanne Bloch (à esq.) e O Lavrador de Café: a falta de segurança ajudou os bandidos

Na quinta-feira passada, o Museu de Arte de São Paulo, o Masp, foi palco de um crime. Em três minutos, entre 5h09 e 5h12 da madrugada, um grupo de ao menos três bandidos invadiu o museu e furtou duas telas de destaque de seu acervo: o Retrato de Suzanne Bloch, do espanhol Pablo Picasso, e O Lavrador de Café, do brasileiro Candido Portinari. Chama atenção a facilidade com que as obras foram surrupiadas. Os bandidos passaram pelas divisórias de vidro em torno da escadaria de concreto do museu – em pleno vão livre do Masp, localizado no coração da Avenida Paulista. Com o auxílio de um macaco hidráulico, abriram a porta de metal que dá acesso ao interior. Subiram a escada para o 2º andar e, com um pé-de-cabra, arrombaram a porta de vidro da sala principal de exposição. A tela de Picasso, de pequenas dimensões, foi retirada de um ponto central da galeria. A de Portinari estava exposta em frente ao elevador. Até onde se sabia na quinta-feira passada, nenhum dos quatro vigias presentes viu ou ouviu coisa alguma. Durante a ação dos ladrões, eles faziam a troca de turno. "Não descartamos que gente de dentro do Masp esteja envolvida", diz o delegado Marcos Gomes de Moura, responsável pelo caso.

Pintado em 1904 e pertencente à chamada fase azul, uma das mais valorizadas de Picasso, o Retrato de Suzanne Bloch é avaliado em 100 milhões de reais, segundo o marchand Jones Bergamin. A tela de Portinari, emblemática de seu interesse por tipos brasileiros, é estimada em mais de 10 milhões de reais. Esses valores fariam do roubo ao Masp o maior do gênero já ocorrido no Brasil. No ano passado, bandidos levaram do Museu da Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, quatro quadros de Matisse, Monet, Picasso e Salvador Dalí – um conjunto estimado em 49 milhões de reais. Mais recentemente, ladrões furtaram 900 peças do Museu do Ipiranga, em São Paulo. O roubo de obras de arte é hoje a terceira maior atividade criminosa do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas e do contrabando de armas.

Os crimes recentes mostram que o Brasil se tornou um paraíso para esses bandidos. O desleixo com que acervos preciosos são tratados é um convite à gatunagem. O Masp vive há tempos uma situação lastimável. Em 2006, passou pelo vexame de um corte de luz por falta de pagamento. O museu não dispõe de sistema de alarme nem de sensores que disparam quando alguém se aproxima das obras – como ocorre no Louvre, por exemplo. Além dos depoimentos dos vigias, a principal peça da investigação são as gravações do circuito interno do museu. Só que as câmeras não mostram muita coisa. Sem infra-vermelho, captam apenas vultos no escuro.




 

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