Dantas é indiciado
por causa de lista com figurões petistas
Celso
Junior/AE
Dantas: em parceria com Holder
Em
maio de 2006, VEJA revelou que o banqueiro Daniel Dantas,
dono do Opportunity, tinha em mãos uma lista com contas
bancárias supostamente mantidas no exterior por figurões
da República. Encomendada por Dantas ao americano Frank
Holder, ex-espião da agência de investigações
Kroll, ela seria uma evidência do enriquecimento ilícito
das autoridades nela mencionadas inclusive o próprio
presidente Lula. A reportagem de VEJA teve acesso à
lista, sob a condição de que o nome de Dantas
não fosse divulgado. Uma perícia contratada
pela revista revelou, no entanto, diversas inconsistências
no material, que tornaram impossível comprovar cabalmente
a inexistência das contas sem ao mesmo tempo desmentir
sua existência. Diante de sinais de que Dantas usava
a lista como elemento de chantagem em uma disputa empresarial
com fundos de pensão de estatais, VEJA revelou sua
existência e apontou o banqueiro como seu autor
fato, claro, negado por Dantas. Além disso, a revista
enviou, na ocasião, toda a papelada que reuniu sobre
as supostas contas ao procurador-geral da República,
Antonio Fernando de Souza, que, efetivamente, investigou o
caso.
Na semana passada,
ao concluir o inquérito sobre o episódio, a
Polícia Federal confirmou integralmente a história
de VEJA e indiciou Dantas e Holder por calúnia
crime que consiste em atribuir falsamente a alguém
fato criminoso. O indiciamento de Dantas só foi possível
em razão de documentos fornecidos pela revista e de
depoimentos dados por seus editores. Ainda que não
tenha obtido a quebra internacional de sigilo para verificar
a existência das supostas contas, a PF concluiu que
elas são falsas. Baseou sua decisão em "conversas
informais". Elas teriam convencido os policiais de que
tudo não passa de invenção do banqueiro
e seu cúmplice americano. Com o indiciamento, Dantas
agora pode ser denunciado pelo Ministério Público
e responder a mais um processo criminal.