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Edição 2088

26 de novembro de 2008
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LIVROS

Nelson Kon
Casa de Isay Weinfeld no Guarujá, em São Paulo: moderno, mas não ortodoxo

ISAY WEINFELD (Bei, 336 páginas; 160 reais)

• Um dos arquitetos mais brilhantes do Brasil, Weinfeld já projetou restaurantes, galerias de arte, hotéis – e até o interior da prefeitura de São Paulo. Neste livro, são apresentadas apenas casas feitas por ele, em cidades do interior, no litoral ou em capitais como São Paulo. As fotos mostram tanto as fachadas quanto a decoração interna (Weinfeld é conhecido por dar atenção meticulosa a todos os espaços da residência). As imagens, complementadas por desenhos de Weinfeld e por textos do crítico e designer americano Raul Barreneche, documentam o trabalho de um arquiteto de linhas modernas – mas sem aquela ortodoxia que fez com que o modernismo, no Brasil, se tornasse sinônimo de frieza e desconforto.

 

O RECURSO, de John Grisham (tradução de Michele Gerhardt MacCulloch; Rocco; 384 páginas; 48 reais)

• Depois de um livro de não-ficção, O Inocente, e de Jogando por Pizza, um romance sobre o futebol americano na Itália (!), o best-seller americano John Grisham está de volta ao seu terreno: o thriller jurídico. Como é comum nas obras do autor, a história se desenvolve em torno de pessoas comuns que tentam obter compensação legal de uma poderosa corporação – no caso, uma companhia acusada de despejar resíduos tóxicos na água de uma cidade do Mississippi, causando câncer nos moradores. Condenada em primeira instância a pagar uma indenização milionária, a empresa decide não só recorrer à Suprema Corte estadual – também usa seus recursos econômicos para eleger um juiz que defenda seus interesses. Leia trecho.

 

Liane Neves
Moacyr Scliar: o drama humano das histórias bíblicas

MANUAL DA PAIXÃO SOLITÁRIA, de Moacyr Scliar (Companhia das Letras; 216 páginas; 39,50 reais)

• O escritor gaúcho Moacyr Scliar é autor de criativas revisões de histórias bíblicas – caso dos romances A Mulher que Escreveu a Bíblia e Os Vendilhões do Templo e do belo conto As Pragas. Manual da Paixão Solitária recupera o drama humano de uma passagem pouco lembrada do Gênesis – o capítulo 38, sobre Onan, que, como mandava a tradição, deveria fecundar a mulher que seu irmão mais velho deixara viúva e sem filhos, Tamar, mas decide evitar o filho pelo expediente do coito interrompido (pelo que é castigado por Deus com a morte). No romance de Scliar, dois participantes de um congresso de estudos bíblicos apresentam a história sob a perspectiva de seus personagens – Shelá, irmão mais novo de Onan, e Tamar. Leia trecho.

 

DISCOS

Divulgação
Kings of Leon: rock vigoroso e flerte com
a música eletrônica

ONLY BY THE NIGHT, Kings of Leon (Sony/BMG)

• Este quarteto americano vem fazendo uma evolução notável. Formado por quatro rapazotes, três irmãos e um primo da família Followill (os guitarristas Caleb e Matthew, o baterista Nathan e o baixista Jared), o Kings of Leon era influenciado inicialmente pelo punk rock e pela música caipira. A partir de seu terceiro CD, Because of the Times, eles agregaram outras escolas musicais. Only by the Night, seu mais recente lançamento, tem canções vigorosas e acessíveis. É o caso de Crawl e de Use Somebody. Elas trazem um flerte com música eletrônica e lembram o U2 dos tempos de Achtung Baby. Outro bom momento do CD é o rock Sex on Fire, que emplacou o primeiro lugar na parada de singles da Inglaterra.

 

Divulgação


Goudaroulis: conforme a receita da mulher de Bach

JOHANN SEBASTIAN BACH: 3 SUITES FOR VIOLONCELLO SOLO, Dimos Goudaroulis (Tratore)

• Compostas por Bach entre 1720 e 1723, as Suítes para Violoncelo nasceram como um exercício para os músicos se aprimorarem no instrumento. Mas, quando o catalão Pablo Casals as registrou em disco, na década de 30, elas viraram um desafio a ser superado pelos violoncelistas. Dimos Goudaroulis não só passa nesse teste, como traz uma nova leitura da obra. Ele seguiu as articulações e as arcadas que constam do manuscrito de Anna Magdalena Bach, viúva do compositor, e que é considerado uma das versões mais fiéis da obra (há pelo menos outros três manuscritos das suítes). Além disso, Goudaroulis, um exímio violoncelista, empunha um instrumento francês do século XVIII – de onde tira uma sonoridade inacreditável.

 

 

Cinemateca VEJA

Em Pulp Fiction, que a Cinemateca VEJA lança nesta semana nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, o diretor Quentin Tarantino ressuscitou algo antigo (a carreira de John Travolta), revelou algo até então ignorado (o carisma de Samuel L. Jackson) e criou algo novo: a violência em tom radicalmente pop. Por meio de histórias que se entrecruzam de forma vertiginosa, até formar um único fio, Tarantino tramou não só um jeito inédito de fazer cinema, mas de pensá-lo. Em um aspecto, porém, o filme é um verdadeiro clássico – na sua solidez, que começa pelo roteiro robusto, segue pelas interpretações antológicas (entre as quais as de Bruce Willis e Tim Roth) e culmina na montagem primorosa.

Nos demais estados, nesta semana: Los Angeles – Cidade Proibida, a fenomenal volta ao noir estrelada por Russell Crowe e Guy Pearce.

 

Como comprar a Cinemateca VEJA

Em bancas, livrarias e redes de supermercados, a 13,90 reais o exemplar avulso. Para assinar, ligue 3347-2179 (Grande São Paulo) ou 0800-775-2979 (outras localidades), de segunda a sexta-feira, das 8 às 22 horas. Pela internet, acesse www.assineabril.com

 
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