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Edição 2088

26 de novembro de 2008
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Cidades
Proteção antiburaco

Com duas rodas na frente – e não atrás, como antigamente –, os novos triciclos oferecem mais segurança nas ruas


Leandro Narloch

Fotos divulgação
V13R
da Campagna Motors
Velocidade máxima: 190 km/h
Preço: 40 000 dólares

A idéia de fabricar veículos com três rodas vem do início da indústria automobilística. Era um triciclo um dos primeiros carros da história, construído pelo engenheiro alemão Karl Benz em 1885. Apesar disso, os carros de três rodas nunca se popularizaram. Com motor e tração nas duas rodas traseiras, eles se inclinavam e deslizavam com facilidade. Agora, triciclos de luxo e com boa estabilidade viraram objeto de desejo de quem não se importa em chamar atenção ao rodar pelas ruas. Os novos modelos apareceram no ano passado nos Estados Unidos e na Europa. O primeiro foi uma motoneta fabricada pela Piaggio, a criadora da Vespa, com duas pequenas rodas na frente. Depois vieram triciclos tão potentes quanto as motocicletas mais caras. O Spyder, produzido pela canadense Bombardier e recém-lançado no Brasil, chega a 200 quilômetros por hora. O T-Rex, de outra empresa canadense, a Campagna Motors, tem motor da japonesa Kawasaki e atinge a velocidade máxima de 220 quilômetros por hora.

Spyder
da Bombardier
Velocidade máxima: 200 km/h
Preço: 73 700 reais

Ao contrário dos triciclos antigos, os da nova geração têm duas rodas na dianteira. Isso é uma grande vantagem nas esburacadas ruas brasileiras. No primeiro semestre deste ano, 57% dos pagamentos do seguro obrigatório de veículos foram motivados por acidentes envolvendo motociclistas e seus passageiros. Em motos ou triciclos com apenas uma roda na frente, topar com um buraco na pista pode implicar quedas e capotagens. O par de rodas dianteiro, combinado com a tração na roda de trás, dá equilíbrio e garante que o carro permaneça fixo ao solo mesmo em curvas fechadas. Com quase a mesma potência das motos e muito mais estáveis, esses veículos atraem quem quer sentir o vento no rosto sem temer pela segurança. "Nosso público mais comum, nos Estados Unidos e na Europa, são homens na faixa de 50 a 60 anos que gostam de motos clássicas", diz o canadense René Lessard, gerente da Campagna Motors. No Brasil, o perfil dos clientes é o mesmo. "Já vendemos cinqüenta modelos, a maioria deles para quem já teve moto e não quer correr o risco de se machucar", afirma Alexandre Prado, representante da Bombardier no Brasil.

Com exceção dos freios, acionados pelo pé, os controles do Spyder são como os da moto. A aceleração, a embreagem e a buzina possuem acionamento manual. Já o modelo V13R tem volante como o dos carros e os dois assentos são posicionados lado a lado. No Brasil, quem anda numa máquina dessas precisa usar capacete e ter carteira de motorista para motos. A maior diferença do triciclo com relação às motos é mesmo o alarde que ele causa nas ruas. Diz o canadense Lessard: "Quem não quer virar alvo de fotografias nas ruas não deve comprar um triciclo desses".



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