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Crime Um dos catorze ganhadores
de um bolão
O comerciante Altair dos Santos, 43 anos, não era um homem dado a extravagâncias. Um dos ganhadores de um bolão da Mega-Sena organizado há um ano e meio no bar do qual era proprietário, em Limeira (SP), ele usou sua parte no rateio de forma estudada e precavida. Depois de dar o bar a um amigo, investiu parte do 1,1 milhão que lhe coube (o prêmio foi de 16 milhões de reais) em uma metalúrgica e em uma loja de carros usados. Comprou um Fiesta Sedan, reformou a chácara que já tinha e demoliu a casa em que morava para refazê-la mais ao gosto da mulher. "Uma das poucas coisas que ele fez questão de ter foi uma churrasqueira bem caprichada", conta Raquel Denadai, vendedora da loja que forneceu material para a obra. Preparar um churrasco para os amigos e a família na chácara do condomínio Portal das Flores era o programa que Santos gostava de fazer quase todos os fins de semana. No último domingo, o pretexto para a festa foi o aniversário do seu único filho, que completou 8 anos de idade. Às 21h20, cerca de uma hora depois que o último convidado saiu, o comerciante foi desligar as luzes da varanda e levou um tiro no peito, que o matou.
Inicialmente, a mulher de Santos, Maria Isabel Cano, disse à polícia que o marido tinha sido ameaçado por Dorgival Oliveira, um dos catorze apostadores do bolão que, juntamente com outro colega, ganhou, mas não levou. Como ambos não pagaram os 5 reais da aposta, quando o resultado saiu, ficaram de fora da partilha (na verdade, Oliveira acabou recebendo uma espécie de prêmio de consolação dado pelos ganhadores: 270 000 reais). O suspeito de primeira hora admitiu a várias pessoas que havia ficado ressentido por ter sido deixado de fora do rateio e que se sentia "chateado" ao ver os ganhadores fazendo festas com o dinheiro do prêmio. No dia seguinte ao crime, porém, ao saber que seu nome estava na boca do povo, ele se apresentou na delegacia e foi liberado. O delegado Vasconcelos disse não acreditar que Oliveira esteja envolvido na morte. "Trata-se de um senhor de 52 anos, sem antecedentes criminais, que tem um álibi consistente", afirmou. Por via das dúvidas, para evitar novos problemas, Limeira desenvolveu uma tecnologia para controle dos bolões. No bar que Igor Camargo o segundo excluído da partilha abriu há cinco meses, a relação dos apostadores é digitada num computador e cada um leva uma cópia. Se o prêmio sair, só leva quem tiver o nome na lista.
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