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Edição 2088

26 de novembro de 2008
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Crime
Megamistério

Um dos catorze ganhadores de um bolão
da Mega-Sena é morto com um tiro no peito


Naiara Magalhães

David Barros / Ag. O Globo e Paulo Liebert /AE
PRECAVIDO
Santos investiu o prêmio em negócios em Limeira e gastou pouco: o carro era um Fiesta Sedan. À esquerda, sua mulher, Maria Isabel Cano

O comerciante Altair dos Santos, 43 anos, não era um homem dado a extravagâncias. Um dos ganhadores de um bolão da Mega-Sena organizado há um ano e meio no bar do qual era proprietário, em Limeira (SP), ele usou sua parte no rateio de forma estudada e precavida. Depois de dar o bar a um amigo, investiu parte do 1,1 milhão que lhe coube (o prêmio foi de 16 milhões de reais) em uma metalúrgica e em uma loja de carros usados. Comprou um Fiesta Sedan, reformou a chácara que já tinha e demoliu a casa em que morava para refazê-la mais ao gosto da mulher. "Uma das poucas coisas que ele fez questão de ter foi uma churrasqueira bem caprichada", conta Raquel Denadai, vendedora da loja que forneceu material para a obra. Preparar um churrasco para os amigos e a família na chácara do condomínio Portal das Flores era o programa que Santos gostava de fazer quase todos os fins de semana. No último domingo, o pretexto para a festa foi o aniversário do seu único filho, que completou 8 anos de idade. Às 21h20, cerca de uma hora depois que o último convidado saiu, o comerciante foi desligar as luzes da varanda e levou um tiro no peito, que o matou.

Fernando Quevedo/Ag. O Globo
SUSPEITA
Adriana Almeida é acusada pela morte do também ganhador da Mega-Sena Renê Senna, de Lavras (RJ)


Não foi o primeiro ganhador da Mega-Sena a morrer assassinado em circunstâncias misteriosas. No ano passado, o ex-lavrador Renê Senna, que em 2005 havia ganho 52 milhões de reais, foi alvejado com quatro tiros na cabeça enquanto tomava cerveja em um bar, em Lavras (RJ). A ex-cabeleireira Adriana Almeida, que namorava Renê havia um ano, chegou a ficar presa durante quase um ano e meio, acusada de ser a mandante do crime. Hoje, aguarda o julgamento em liberdade. No caso de Altair dos Santos, as investigações, segundo o delegado João Vasconcelos, ainda estão "na estaca zero". Na sexta-feira, o policial disse a VEJA que encara como "remotíssima" a hipótese de morte resultante de tentativa de roubo e que também não vê indícios de crime passional.

Inicialmente, a mulher de Santos, Maria Isabel Cano, disse à polícia que o marido tinha sido ameaçado por Dorgival Oliveira, um dos catorze apostadores do bolão – que, juntamente com outro colega, ganhou, mas não levou. Como ambos não pagaram os 5 reais da aposta, quando o resultado saiu, ficaram de fora da partilha (na verdade, Oliveira acabou recebendo uma espécie de prêmio de consolação dado pelos ganhadores: 270 000 reais). O suspeito de primeira hora admitiu a várias pessoas que havia ficado ressentido por ter sido deixado de fora do rateio e que se sentia "chateado" ao ver os ganhadores fazendo festas com o dinheiro do prêmio. No dia seguinte ao crime, porém, ao saber que seu nome estava na boca do povo, ele se apresentou na delegacia e foi liberado. O delegado Vasconcelos disse não acreditar que Oliveira esteja envolvido na morte. "Trata-se de um senhor de 52 anos, sem antecedentes criminais, que tem um álibi consistente", afirmou. Por via das dúvidas, para evitar novos problemas, Limeira desenvolveu uma tecnologia para controle dos bolões. No bar que Igor Camargo – o segundo excluído da partilha – abriu há cinco meses, a relação dos apostadores é digitada num computador e cada um leva uma cópia. Se o prêmio sair, só leva quem tiver o nome na lista.



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