Carta ao Leitor
Sete cães a um osso
Ademir
Almeida/Folha Imagem
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| Vítimas do fisiologismo
Índios guaranis de Mato Grosso do Sul: a Funasa
deveria cuidar da saúde deles. Mas quem cuida da
Funasa? |
As disputas mais
renhidas entre os partidos brasileios e também
intrapartidos ocorrem em torno de cargos na administração
federal e suas respectivas verbas. Altos cargos e polpudas
verbas, para ser exato. Recentemente, esteve em jogo o dinheiro
da Fundação Nacional de Saúde (Funasa),
cujas atribuições principais são o saneamento
básico em municípios com menos de 50 000 habitantes
e o bem-estar das populações indígenas.
De um lado, o ministro da Saúde, José Gomes
Temporão. De outro, a agremiação à
qual ele próprio pertence, o inefável PMDB.
Em certo momento, o ministro chegou a acusar a gestão
da Funasa, na esfera peemedebista, de ser "de baixa qualidade
e corrupta". Afirmação gravíssima,
vinda de alguém em posição de saber o
que estava dizendo, e que, fosse o Brasil menos anestesiado,
deveria merecer investigação profunda. No entanto,
como que por encanto, ao temporal causado por Temporão
substituiu-se uma leve brisa e, ao que tudo indica, aproxima-se
a calmaria. O motivo do súbito abrandamento está
relatado na reportagem que começa
na página 70.
Ao cidadão
que tenta acompanhar pelo noticiário diário
as contendas partidárias por cargos e dinheiro, tudo
parece não passar de um Flamengo e Fluminense ou de
um Corinthians e Palmeiras, já que não há
menção ao que de fato está em disputa.
Não se fala sobre as razões que levam os partidos
a lançar-se sobre a administração federal
com a fome de "sete cães a um osso", para
usar uma expressão de Portugal, terra natal de Temporão.
Na reportagem sobre a Funasa, órgão com
33 000 funcionários e 4 bilhões de reais de
orçamento anual, VEJA vai direto à questão
que interessa: a do vergonhoso loteamento fisiológico
que impede a gestão profissional da coisa pública.
As conseqüências são visivelmente funestas.
Entre elas, a corrupção desenfreada e a péssima
qualidade do serviço prestado aos brasileiros que trabalham
cinco meses do ano só para pagar impostos.