Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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DVDs


Divulgação
Nemo: um show de animação


Procurando Nemo
(Finding Nemo, Estados Unidos, 2003. Buena Vista) – A produtora Pixar é a melhor em tudo o que faz: roteiro, animação e até criação de extras, como os que recheiam o segundo disco deste lançamento. Basta ver o documentário apresentado por Jean-Michel Cousteau – filho de Jean-Jacques –, em que o oceanógrafo é levado ao desespero pelas intervenções de Marlin, Nemo e Dory, os três protagonistas do desenho. Quanto ao filme em si, não é surpresa que ele tenha desbancado O Rei Leão do posto de animação recordista em bilheteria: a história do peixe-palhaço medroso que cruza o oceano em busca de seu filho, preso no aquário de um dentista, é irresistível. Uma sugestão: esquecer o áudio dublado e assistir ao filme no original, para apreciar o trabalho soberbo de Ellen DeGeneres como a confusa, mas sempre alegre, Dory.


Mila Maluhy
Martin, cantor do Coldplay: arrebatador


Live 2003,
Coldplay (EMI) – Em setembro passado, o grupo liderado pelo cantor e guitarrista Chris Martin baixou no Brasil para apresentações únicas no Rio de Janeiro e em São Paulo. Foi um sucesso arrebatador, com gente saindo pelo ladrão e uma platéia que sabia todas as letras do grupo de cor. Esse lançamento é um belo prêmio de consolação para quem não teve a chance de conferi-los em ação. Live reúne um CD e um DVD – que também podem ser comprados separadamente – com dois concertos da banda em Sydney, na Austrália. Um dos grupos mais melodiosos da nova safra do rock inglês, o Coldplay encontra sua razão de ser no palco, como comprovam suas performances dos sucessos Yellow e Parachutes. Como extra, há um documentário sobre os bastidores da turnê.

 

DISCO

Miúcha Canta Vinicius: Música e Letra, Miúcha (Biscoito Fino) – Entre as diversas homenagens que foram feitas para lembrar o aniversário de 90 anos de Vinicius de Moraes, essa é, sem dúvida, uma das mais significativas. Miúcha compilou catorze canções, cujas melodias e letras foram compostas somente por Vinicius, e chamou um time de respeito para tocá-las – a lista de convidados vai de Bebel Gilberto e Chico Buarque, respectivamente filha e irmão da cantora, ao violonista Yamandu Costa. O resultado mostra que o talento de Vinicius ia além da criação de versos. Ele compôs sambas, valsas e fados de belíssima cepa. A voz pequena e delicada de Miúcha brilha particularmente em duas composições: Ai, Quem Me Dera (gravada também por Clara Nunes) e Valsa de Eurídice.

 

FILME

Divulgação
Geração: a história fala por si


Geração Roubada
(Rabbit-Proof Fence, Austrália, 2002. Desde sexta-feira em cartaz) – Em 1931, a menina Molly Craig, de 14 anos, tomou pela mão sua irmã e sua prima e atravessou a pé 1 600 quilômetros de deserto, para voltar para casa. Molly foi uma entre milhares de crianças mestiças de aborígines que, de 1905 a 1971, foram tiradas de suas famílias pelo governo australiano, num programa de "embranquecimento" – com o resultado de que quase sempre as crianças viravam empregadas domésticas (e sexuais) de patrões brancos. É uma história tão extraordinária que dispensa floreios: basta mostrá-la. É o que faz Phillip Noyce, diretor de Jogos Patrióticos, que aqui filma em seu país, com pouco dinheiro e excelentes atores – Kenneth Branagh, no papel do chefe do programa estatal, e três meninas recrutadas em vilarejos aborígines.

 

LIVROS

Moscou contra 007, de Ian Fleming (tradução de Sylvio Gonçalves; Record; 318 páginas; 36 reais) – Antes de se tornar famoso no cinema, interpretado na primeira encarnação por Sean Connery, James Bond já fazia sucesso nas listas de best-sellers. O agente 007 veio ao mundo nos anos 50, numa série de romances do inglês Ian Fleming (1908-1964). Ex-jornalista que fez reportagens na União Soviética nos anos 30 e atuou no serviço secreto da Marinha britânica na II Guerra Mundial, o escritor explorou de forma bem-humorada a paranóia da Guerra Fria nos catorze títulos da série. Há vários anos fora de catálogo, Moscou contra 007 – que deu origem ao filme homônimo – volta às livrarias em nova tradução. No livro, Bond enfrenta uma organização de espiões criminosos. Espiões comunistas, é claro. A editora pretende lançar outras aventuras do agente secreto.

O Demônio no Freezer, de Richard Preston (tradução de Ana Deiró; Rocco; 318 páginas; 38,50 reais) – Em 1994, o jornalista americano Richard Preston causou algum pânico nos Estados Unidos com o best-seller Zona Quente, no qual fala sobre o poder mortífero do vírus Ebola. Ele volta a combinar reportagem e ciência num relato não-ficcional de tirar o sono dos mais impressionáveis: dessa vez, sobre a possibilidade de um ataque bioterrorista com o vírus da varíola. A moléstia, que mata um em cada três doentes, foi erradicada oficialmente em 1980. Hoje, existem apenas duas amostras do vírus no mundo, em poder dos governos americano e russo. Preston aventa hipóteses assustadoras, como a de que outros países teriam o vírus em seu poder e de que bioterroristas poderiam produzir uma cepa de varíola resistente a vacinas. Leia trecho.

 
Bergman em dois tempos
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Pandora Filmes

Fanny: o passado sempre presente

Donzela: uma raridade lançada em DVD

Na família do pastor Erik Bergman, as contravenções eram punidas com surras metódicas. O filho em questão – Dag, Ingmar ou Margareta – se curvava sobre a mesa e alguém o segurava pela nuca enquanto os golpes eram dados. Ao final, o penitente tinha de beijar a mão do pai. Há uma cena idêntica a essa em Fanny e Alexander (Fanny och Alexander, Suécia, 1982), relançado em cópia nova, em São Paulo, na sexta-feira. Toda a obra do sueco Ingmar Bergman é autobiográfica, e toda ela se desenrola num território que Woody Allen chama de "o campo de batalha da alma". É um território que Bergman desbravou praticamente sozinho, e no qual, apesar da aposentadoria que se impôs desde Fanny e Alexander (apenas do cinema, não do teatro), ele se mantém insuperável, pelo olhar que confronta tudo, sem esconder nada. A importância do que Bergman fez está na constância desse exame, e na aceitação de que o passado nunca deixa de fazer parte do presente. Basta conferir em A Fonte da Donzela (Jungfrukällan, Suécia, 1959), uma raridade que sai agora em DVD. Na Suécia medieval, dois andarilhos estupram e matam uma jovem e depois, por acaso, pedem abrigo na casa dos pais dela. Apesar das circunstâncias tão distintas, é enorme o número de temas coincidentes nos dois filmes – e é impressionante também o pouco que, como cineasta, Bergman teve de evoluir entre os anos 50 e os 80, tal o seu domínio estupendo do meio.

 

 

 
Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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