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Música
A
musa do
"telecotecno"
Elza
Soares, uma das cantoras mais
ousadas da MPB, adere à eletrônica
Oscar Cabral
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| Elza
Soares, cujo novo disco tem sambas incrementados pela eletrônica:
"Eu gosto do agito que essa moçada faz" |
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A cantora Elza Soares tem ousadia de sobra. Nos anos 60, quando
estreou em disco, ela incrementou os sambas de seu repertório
com improvisos vocais que pareciam saídos de uma sessão
de jazz. Deixou os tradicionalistas de cabelo em pé e ganhou
críticas severas, mas não se abalou. Pelo contrário,
transformou o estilo audaz numa marca registrada. Veja-se o seu
novo álbum, Vivo Feliz. Com 67 anos estimados (ela
não crava jamais sua idade), Elza poderia muito bem explorar
glórias passadas. Afinal de contas, o revisionismo está
em voga. Gal Costa, por exemplo, acaba de gravar um repertório
de bolerões dos anos 40 e 50. Outras artistas jovens, e muito
movidas a marketing deslavado, também estão nessa
trilha. Mas Elza resolveu seguir adiante e flertar com a eletrônica,
criando uma espécie de "telecotecno". Em parceria com o produtor
Arthur Joly, ela fez versões arrevesadas de músicas
como Opinião, de Zé Keti, e Volta por Cima,
de Paulo Vanzolini. "Ela não se tornou especialista em tecno,
evidentemente, mas fica alucinada com a música e as festas",
diz Joly.
O
fôlego de Elza Soares é impressionante. Ela está
casada há três anos com o jornalista Anderson Lugão.
A diferença de idade entre os dois é de quatro décadas.
"Ele é um senhor de 27 anos, e ajuda a controlar o meu pique",
brinca a cantora. Os dois moram numa casa confortável no
bairro da Joatinga, no Rio de Janeiro. A rotina dos exercícios
é sagrada para Elza não exercícios vocais,
mas para manter o corpão em forma. Ela faz duas horas diárias
de musculação acompanhada por Anderson, uma espécie
de personal trainer informal. A agenda de shows está cheia
são cerca de vinte por mês. No tempo que sobra,
Elza vai para a cozinha. "Sou cozinheira de mão-cheia. Minha
especialidade são os pratos italianos e mineiros", diz ela.
A
história de Elza daria um samba-enredo. Em 1962, ela iniciou
um romance atribulado com o jogador de futebol Garrincha, que na
época era famosíssimo e casado. Elza foi tachada
de aproveitadora e enredou-se num escândalo que pôs
sua carreira em declínio. Duas décadas mais tarde,
ela fez uma celebrada participação no álbum
Velô, de Caetano Veloso, e foi alçada novamente
à posição de diva. Depois disso, criou o show
Minha Vingança Sará Maligrina, que era apresentado
à meia-noite numa casa de espetáculos de São
Paulo. "Era uma loucura, um show meio provocador e espalhafatoso.
Soavam umas badaladas de filme de terror e eu surgia no palco, de
calça rasgada", lembra. Então sobreveio uma tragédia:
Garrinchinha, seu único filho com Garrincha, morreu num acidente
de carro. O atual ciclo artístico de Elza iniciou-se há
dois anos, quando ela se associou ao produtor José Miguel
Wisnik. Wisnik produziu o disco Do Cóccix até o
Pescoço. Lançado pelo selo independente MaiangAa,
o disco vendeu 85.000 cópias
número bastante respeitável dentro desse mercado.
Vivo Feliz é uma continuação daquele
projeto. "Na minha vida tudo tem de ser para a frente", diz Elza.
E ela soa autêntica.
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