Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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Televisão
Bob Esponja está ótimo

Ingênuo e dono de um humor
nonsense, Bob Esponja é o desenho
animado mais popular da TV


Sérgio Martins

Bob Esponja sempre foi um otimista. Desde que surgiu, em 1998, podia meter-se na maior encrenca, mas jamais esquecia o bordão: "Não se preocupe, eu vou ficar bem!". E Bob Esponja estava certo. Herói maluco de animação, o personagem virou uma febre. Nos Estados Unidos, suas aventuras conquistaram um público cativo de mais de 60 milhões de crianças na televisão, e o merchandising em torno dele chega aos 700 milhões de dólares. O primeiro filme da série já está em produção, e deve estrear em 2004. No Brasil, seu desenho é responsável pelos picos de audiência do programa Xuxa no Mundo da Imaginação, com até 11 pontos no ibope. É também uma das três maiores atrações do canal pago Nickelodeon e uma mina de rendimentos que mal começou a ser explorada, com produtos que vão de DVDs a bonequinhos e picolés. Bob Esponja está ótimo.


Divulgação
O carioca Ennio Torresan, que ajudou a criar Bob Esponja: dúvidas no começo e sucesso estrondoso hoje em dia


O pai do personagem é o americano Stephen Hillenburg, de 41 anos, que reuniu nele duas paixões: o desenho e o fundo do mar. Hillenburg formou-se em biologia marinha e chegou a dar aulas sobre o tema. No começo dos anos 90, migrou para o campo das artes e passou a trabalhar com animação. Criou Bob Esponja como uma caricatura de si próprio – os dois são dentuços e de olhos saltados. Em 1998, propôs uma série sobre o personagem ao canal Nickelodeon. O projeto foi aceito com desconfiança. Na equipe de criação dos primeiros episódios, havia um desenhista brasileiro, o carioca Ennio Torresan, hoje com 40 anos. O episódio em que Torresan mais se envolveu é aquele em que o cérebro de Bob é dominado por um plâncton maligno. Segundo Torresan, a produção da primeira temporada foi uma montanha-russa de entusiasmo e angústia. "Nós nos divertíamos muito, mas a pressão era grande e Stephen acabou tendo um colapso nervoso", conta. Apesar das apostas contrárias, Bob Esponja virou hit nas primeiras exibições.

Meses atrás, descobriu-se que a comunidade gay americana havia adotado o personagem como ícone – assim como já fizera com Tinky Winky, da série Teletubbies. No caso de Bob Esponja nem chegou a formar-se, contudo, uma polêmica sobre possíveis mensagens subliminares embutidas nas histórias. O principal apelo do personagem, para todos os que gostam dele, é o mesmo: o nonsense. Bob Esponja traz algumas referências às velhas comédias mudas e a personagens como o Fantasma da Ópera. Mas nada é muito elaborado. Tudo o que o desenho pede é que o espectador entre no mundo absurdo em que vivem Bob e seus amigos – uma lula rabugenta, uma estrela-do-mar palerma, uma esquila caipira. Sim, há um esquilo no fundo do mar. E às vezes chove lá embaixo, o que obriga Bob a usar uma capa amarela. Outro atrativo do herói é a candura. Ele não tem um pingo de maldade ou esperteza – e mesmo assim consegue safar-se na vida. Se algum pai ficou intrigado, assista a Bob Esponja. Cada episódio tem só doze minutos. E o único perigo é virar fã.

 
 
 
 
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