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Televisão
Bob
Esponja está ótimo
Ingênuo e dono de um humor
nonsense, Bob Esponja é o desenho
animado mais popular da TV

Sérgio
Martins
Bob
Esponja sempre foi um otimista. Desde que surgiu, em 1998, podia
meter-se na maior encrenca, mas jamais esquecia o bordão:
"Não se preocupe, eu vou ficar bem!". E Bob Esponja estava
certo. Herói maluco de animação, o personagem
virou uma febre. Nos Estados Unidos, suas aventuras conquistaram
um público cativo de mais de 60 milhões de crianças
na televisão, e o merchandising em torno dele chega aos 700
milhões de dólares. O primeiro filme da série
já está em produção, e deve estrear
em 2004. No Brasil, seu desenho é responsável pelos
picos de audiência do programa Xuxa no Mundo da Imaginação,
com até 11 pontos no ibope. É também uma
das três maiores atrações do canal pago Nickelodeon
e uma mina de rendimentos que mal começou a ser explorada,
com produtos que vão de DVDs a bonequinhos e picolés.
Bob Esponja está ótimo.
Divulgação
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carioca Ennio Torresan, que ajudou a criar Bob Esponja: dúvidas
no começo e sucesso estrondoso hoje em dia |
O pai do personagem é o americano Stephen Hillenburg, de
41 anos, que reuniu nele duas paixões: o desenho e o fundo
do mar. Hillenburg formou-se em biologia marinha e chegou a dar
aulas sobre o tema. No começo dos anos 90, migrou para o
campo das artes e passou a trabalhar com animação.
Criou Bob Esponja como uma caricatura de si próprio
os dois são dentuços e de olhos saltados. Em 1998,
propôs uma série sobre o personagem ao canal Nickelodeon.
O projeto foi aceito com desconfiança. Na equipe de criação
dos primeiros episódios, havia um desenhista brasileiro,
o carioca Ennio Torresan, hoje com 40 anos. O episódio em
que Torresan mais se envolveu é aquele em que o cérebro
de Bob é dominado por um plâncton maligno. Segundo
Torresan, a produção da primeira temporada foi uma
montanha-russa de entusiasmo e angústia. "Nós nos
divertíamos muito, mas a pressão era grande e Stephen
acabou tendo um colapso nervoso", conta. Apesar das apostas contrárias,
Bob Esponja virou hit nas primeiras exibições.
Meses atrás, descobriu-se que a comunidade gay americana
havia adotado o personagem como ícone assim como já
fizera com Tinky Winky, da série Teletubbies. No caso
de Bob Esponja nem chegou a formar-se, contudo, uma polêmica
sobre possíveis mensagens subliminares embutidas nas histórias.
O principal apelo do personagem, para todos os que gostam dele,
é o mesmo: o nonsense. Bob Esponja traz algumas referências
às velhas comédias mudas e a personagens como o Fantasma
da Ópera. Mas nada é muito elaborado. Tudo o que o
desenho pede é que o espectador entre no mundo absurdo em
que vivem Bob e seus amigos uma lula rabugenta, uma estrela-do-mar
palerma, uma esquila caipira. Sim, há um esquilo no fundo
do mar. E às vezes chove lá embaixo, o que obriga
Bob a usar uma capa amarela. Outro atrativo do herói é
a candura. Ele não tem um pingo de maldade ou esperteza
e mesmo assim consegue safar-se na vida. Se algum pai ficou intrigado,
assista a Bob Esponja. Cada episódio tem só
doze minutos. E o único perigo é virar fã.
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