Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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Televisão
Pressão do bem

A lista dos programas que cometem
excessos tem lá sua serventia


Ricardo Valladares


Fotos Giane Carvalho/divulgação
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O ator Marcos Pasquim e cena de Kubanacan: sexo e violência no horário das 7

Em Dia: baixaria na TV

Os incomodados com a baixaria na televisão brasileira reclamam bastante, mas nunca dispuseram de um instrumento efetivo para pressionar as emissoras. Esse instrumento, contudo, pode estar tomando forma no ranking Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania, divulgado desde novembro de 2002, a intervalos de dois ou três meses, pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. O último ranking de programas que erram na mão ao tocar em temas como violência ou sexualidade saiu na semana passada e, como os anteriores, provocou algum barulho e irritação entre os atingidos (veja quadro). É preciso reconhecer que há alguns exageros politicamente corretos na lista. O programa humorístico Casseta & Planeta, por exemplo, recebeu 52 votos por causa de uma piada com os gaúchos, considerada uma forma de discriminação. Mas a iniciativa é interessante e, como não tem a pretensão de realizar nenhuma espécie de "controle social dos meios de comunicação" – um eufemismo para censura –, é bom que incomode.


Fotos Giane Carvalho/divulgação
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Deborah Secco, de Celebridade: nudez e palavrões reduzidos por ordem da direção da Globo

Por ironia, foram algumas figuras famosas da TV, alvos constantes das acusações de baixaria, que ajudaram a campanha Quem Financia a Baixaria É contra a Cidadania a ganhar repercussão. Ao longo de 2003, Gugu Liberato e João Kleber foram visitar a comissão chefiada pelo deputado federal Orlando Fantazzini (PT-SP) ou mandaram emissários até ela. Gugu foi o primeiro a fazer isso, porque tinha uma preocupação urgente: ele está lutando para obter a concessão de um canal de TV, e para isso precisa ter o nome limpo. Depois da visita, o Domingo Legal deu indícios de que ia ficar mais comportado. Infelizmente, cometeu um deslize feio em setembro: a entrevista forjada com falsos integrantes do grupo criminoso PCC. O episódio tirou o programa do ar por uma semana e ajudou a levá-lo para a segunda posição do ranking atual de baixaria.

Críticos da lista costumam dizer que ela não é representativa, pois se baseia em poucas centenas de denúncias, enquanto o público brasileiro de televisão é de milhões de pessoas. "Por ser a mais vista, é natural que a Rede Globo seja a mais citada. Mas o universo das pessoas que se manifestam é tão inexpressivo que chega a ser consagrador para nós em termos de qualidade", diz o diretor de comunicação da emissora, Luis Erlanger. O fato de as reclamações serem poucas não tira sua legitimidade, até porque há um certo rigor na organização do ranking que reduz o número de denúncias. "Só computamos as reclamações bem fundamentadas. Não adianta a pessoa dizer simplesmente que não gosta de um programa. Isso diminui o número de opiniões válidas, mas torna as que registramos mais significativas", observa Orlando Fantazzini.


Samuel Chaves
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Gugu: ele disse que ia mudar, mas tropeçou feio com a falsa entrevista

Canais e apresentadores dizem que não se pautam pela lista. A Globo afirma que sempre teve seus próprios mecanismos para controlar a qualidade de sua programação e coibir abusos. A novela Celebridade, por exemplo, que está em terceiro lugar no ranking, teve as cenas de nudez e os palavrões diminuídos um mês e meio depois de estrear. A emissora disse que essa iniciativa nada teve a ver com o ranking. Outros apresentadores afirmam que são capazes de fazer autocrítica e mudar quando necessário. "Não vou me aborrecer por causa de 32 reclamações contra o Hora da Verdade", diz Márcia Goldschmidt. "Estou deixando de fazer o programa. Além disso, ele já não exibia brigas nem discussões. Só dramatização." Mesmo quando expressam desdém pelo ranking, pode-se ter certeza de que os apresentadores como Márcia estão atentos a ele, ao menos por um motivo: quanto mais um programa é associado ao mau gosto, mais probabilidade ele tem de perder anunciantes. Ninguém quer levar esse prejuízo.

 
O ranking da "baixaria"

Os programas que mais receberam
reclamações dos espectadores*

1 Kubanacan (Globo)

2 Domingo Legal (SBT)

3 Celebridade (Globo)

4 Programa do Ratinho (SBT)

5 Mulheres Apaixonadas (Globo)

6 Casseta & Planeta (Globo)

7 Programas de João Kleber (Rede TV!)

8 Hora da Verdade (Bandeirantes)

9 Malhação (Globo)

10 Domingão do Faustão (Globo)

 

*Entre 24 de setembro e 12 de novembro

 
 
 
 
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