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Especial
Malignos,
comuns e traiçoeiros

Paula
Neiva
Os
médicos calculam que um total de 405 000 brasileiros receberá
o diagnóstico de câncer em 2003. Cento e trinta mil
pessoas morrerão vítimas da doença. Das centenas
de tipos de tumores malignos, os de pulmão, mama e próstata
respondem por um quarto dos novos casos registrados anualmente.
Eles também são responsáveis por 30% de todas
as mortes. Graças ao refinamento dos métodos de diagnóstico,
à criação de drogas mais potentes e menos tóxicas
e ainda ao aprimoramento das medidas de prevenção,
a luta contra o câncer avança por meio de vitórias
isoladas. No caso dos três tumores mais comuns e letais, as
conquistas têm sido notáveis, apesar do grande número
de baixas. Desde a década de 70, a taxa de sobrevida dos
pacientes de câncer de pulmão cresceu 70%. Se o diagnóstico
for precoce, um homem vítima de um tumor de próstata
tem mais de 95% de chance de ser curado. Uma mulher com câncer
de mama, quase 90%. Foi-se o tempo em que os pesquisadores privilegiavam
a descoberta de uma "bala mágica" para exterminar o câncer
se ela existir, ainda não dá para divisá-la
no horizonte. O foco mudou. "A meta é transformar o câncer
em uma doença crônica e administrável, como
o diabetes e os distúrbios cardíacos", disse a VEJA
o cirurgião americano Judah Folkman, pesquisador da Universidade
Harvard e um dos grandes nomes da oncologia.
Principal causa de morte entre as mulheres e responsável
por quase 42.000 novas vítimas a cada ano no Brasil, o câncer
de mama é um dos tumores com mais altas taxas de recidiva.
Metade das pacientes tratadas volta a desenvolver novos nódulos.
Uma das novidades mais promissoras para tentar evitar esse problema
foi divulgada recentemente pela revista científica americana
The New England Journal of Medicine. Médicos do Instituto
Nacional do Câncer do Canadá descobriram que o medicamento
Femara, do laboratório Novartis, pode cortar em até
50% os riscos de reincidência da doença depois de cinco
anos do diagnóstico inicial. Os resultados da pesquisa foram
tão animadores que o estudo foi interrompido cerca de dois
anos e meio antes do previsto. Os pesquisadores resolveram oferecer
às pacientes que estavam tomando placebo a possibilidade
de mudar de grupo e passar a tomar o Femara.
Até então, como forma de impedir a volta da doença,
a terapia-padrão previa apenas o uso do remédio tamoxifeno
depois da fase mais pesada do tratamento (que pode envolver cirurgia,
radioterapia e quimioterapia). O tamoxifeno, contudo, não
pode ser administrado por mais de cinco anos. Após esse período,
ele perde o efeito e pode até facilitar o reaparecimento
do tumor. Segundo a pesquisa canadense, que acompanhou mais de 5.100
mulheres na pós-menopausa, o Femara é capaz de dar
continuidade à prevenção proporcionada pelo
tamoxifeno. "O estudo é excelente, mas ainda faltam dados
conclusivos sobre efeitos colaterais e riscos do tratamento a longo
prazo", diz o mastologista Luiz Henrique Gebrim. De qualquer forma,
a notícia é boa.
A genética associada a um estilo de vida ruim contribui bastante
para o aparecimento dos cânceres de mama e próstata.
Quanto ao câncer de pulmão, não resta a menor
sombra de dúvida: o principal vilão é o cigarro
(veja
quadro). Nove de cada dez tumores de pulmão
estão associados ao tabagismo. Principal causa de morte por
câncer em todo o mundo, a doença era rara até
a década de 30. Foi a partir da II Guerra, quando o consumo
de cigarros explodiu, que o tumor de pulmão começou
a ganhar espaço nas estatísticas. Ele costumava ocorrer
predominantemente entre os homens, mas, com o aumento do número
de mulheres fumantes verificado nos últimos trinta anos (um
dos aspectos negativos da liberação feminina), o câncer
de pulmão passou a ser também uma grande ameaça
para elas. Entre 1979 e 2000, segundo dados do Instituto Nacional
de Câncer (Inca), o número de casos da doença
entre os homens aumentou 57%. Entre as mulheres, registrou-se um
incremento de 134%. Médicos ingleses mostraram que as mulheres
fumantes são mais vulneráveis do que os homens ao
mais devastador e mortal dos cânceres de pulmão, o
carcinoma de pequenas células. As causas da maior suscetibilidade
ainda não foram totalmente desvendadas. Uma das hipóteses
mais aceitas é que o jeito de fumar feminino contribui muito
para o desenvolvimento da doença. As tragadas delas são
mais curtas, porém mais intensas. Soma-se a isso o fato de
que os hormônios sexuais femininos, especialmente o estrógeno,
funcionam como poderoso combustível para as células
cancerosas.
Entre os males da modernidade, o sedentarismo e o excesso de peso
são um passaporte para o câncer. Os gordos têm
até 60% mais probabilidade de desenvolver alguns tipos de
câncer do que quem se mantém na linha. A relação
entre excesso de peso e tumores de mama e próstata explica-se
pelo fato de que as células adiposas não servem apenas
de depósito para a gordura excedente. Elas funcionam como
reservatório de hormônios sexuais, extremamente perigosos
assim como o estrógeno, a testosterona, o hormônio
masculino por excelência, serve de alimento aos tumores. Meia
hora de exercício moderado, cinco vezes por semana, deixa
o organismo mais protegido contra vários tipos de câncer,
entre eles os três mais recorrentes. Protege não apenas
porque ajuda a manter o peso ideal, mas também porque aumenta
a eficiência do sistema imunológico e combate os radicais
livres, as moléculas tóxicas que aceleram o envelhecimento
e comprometem o bom funcionamento do organismo. Um estudo publicado
na revista científica Journal of the American Medical
Association mostra que caminhar a passos acelerados, duas horas
por semana, pode reduzir os riscos de câncer de mama em cerca
de 20%. Quase 75.000 mulheres, de 50 a 79 anos, foram analisadas.
A mesma pesquisa revelou que o tratamento com um tipo específico
de combinação hormonal para atenuar os sintomas da
menopausa poderia aumentar os riscos de doenças cardíacas
e tumores mamários. A prevenção contra
o câncer passa também pela mesa. A dieta ideal é
rica em frutas, grãos, verduras, legumes e peixes de águas
frias. O peso da nutrição no combate aos tumores malignos
é enorme. Uma alimentação balanceada pode cortar
em 50% os riscos de câncer de mama, em 20% os de próstata
e em 35% os de pulmão.
Desses três tipos de câncer, o de pulmão é,
sem dúvida, o maior desafio para a medicina. Trata-se de
um tumor extremamente agressivo, responsável por cerca de
um terço de todas as mortes por câncer no mundo. "Em
menos de três meses, ele dobra de volume", diz o oncologista
e pneumologista Riad Younes, professor da Universidade de São
Paulo e do Hospital do Câncer A.C. Camargo. "Quando o tumor
é de apenas 1 centímetro, a probabilidade de metástase
chega a 20%." Além disso, ele evolui silenciosamente. Quando
os primeiros sintomas surgem tosse persistente, dor no peito,
rouquidão, crises freqüentes de pneumonia, bronquite
ou asma e falta de fôlego , a doença tende a
estar em estágio avançado.
Uma das grandes novidades para a detecção precoce
do câncer de pulmão é uma máquina que
combina o que há de mais moderno em termos de tomografia
computadorizada. Batizado de PET/CT, o aparelho produz duas imagens
simultâneas da área do pulmão a ser investigada.
Uma delas mostra a região em que o consumo de glicose é
mais alto um indício de que ali pode estar o câncer.
A outra fornece uma fotografia tridimensional do tumor que
não apenas revela a morfologia do nódulo, como aponta
sua localização exata. Isso facilita tremendamente
o trabalho do cirurgião, que precisa extirpar a área
diretamente afetada. "A taxa de acerto fica em torno de 93%", afirma
o médico Eduardo Lima, coordenador do setor de medicina nuclear
do Hospital do Câncer A.C. Camargo, centro de referência
para a pesquisa e o tratamento da doença. Além de
facilitar o diagnóstico e as cirurgias, esse aparelho é
de grande utilidade na aplicação de quimioterapia
antes da extração do câncer. Desenvolvida por
médicos do Instituto Nacional de Câncer, essa técnica
visa a diminuir o tamanho do tumor antes do procedimento cirúrgico.
Em média, ele reduz em cerca de 60% o volume inicial do câncer.
Com isso, os riscos de reincidência diminuem. Outro avanço
no tratamento do câncer de pulmão é a aplicação
da quimioterapia depois da cirurgia mesmo que não haja indícios
de que o tumor tenha se espalhado para outros órgãos.
Tal procedimento não era comum. Com esse tipo de intervenção,
o número de pacientes que sobrevive ao câncer é
5% maior. Pode parecer pouco, mas é um ganho inquestionável
quando se trata de vidas salvas.
As novas técnicas cirúrgicas resultaram em melhorias
também para as vítimas de câncer de mama. Hoje,
as intervenções têm um perfil bem mais conservador.
Duas décadas atrás, depois de um câncer identificado,
a única providência era extirpar a mama por completo.
Tumores com menos de 3 centímetros de diâmetro são
agora eliminados numa operação chamada quadrantectomia,
na qual se retira apenas um quarto da mama. A paciente, mesmo quando
é submetida à mastectomia radical, já sai da
sala de cirurgia com a região preparada para o recebimento
de prótese de silicone. Outra inovação é
a técnica de avaliação do "linfonodo sentinela".
Quando o câncer de mama avança em direção
a outros órgãos, ele trilha seu caminho através
dos gânglios linfáticos localizados na região
das axilas, os linfonodos. Até meados da década passada,
além da retirada do tumor maligno, os médicos faziam
o "esvaziamento da axila". Ou seja, por receio de que o câncer
se espalhasse, extraíam todos os gânglios da axila,
escavando um buraco debaixo do braço. A precaução
diminuía os riscos de metástase, mas comprometia ainda
mais a já abalada auto-estima das pacientes. A vítima
podia também perder a sensibilidade e os movimentos do braço
afetado. Os mastologistas agora tentam evitar esse recurso, utilizando
a técnica do "linfonodo sentinela". Depois de extirpar o
câncer, eles injetam uma substância corante na mama,
que migra pelo sistema linfático e, por contraste, identifica
o primeiro gânglio. Se esse gânglio não estiver
contaminado pela doença, isso significa que os outros também
não estão. Dessa forma, é supérfluo
retirá-los. Mas há limitações. "Em até
30% dos casos, o resultado é falso negativo e a paciente
tem de operar novamente. Além disso, a técnica só
é indicada para pacientes que apresentam nódulos menores
do que 3 centímetros", diz a médica Lea Mirian Barbosa,
professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
O maior aliado no diagnóstico do câncer de mama continua
a ser a combinação do auto-exame com a mamografia
(veja
tabela).
Nos últimos dez anos, a qualidade das mamografias foi
aprimorada. As imagens obtidas com os primeiros mamógrafos
só eram capazes de identificar tumores com mais de 1 centímetro
de diâmetro. Com a invenção da mamografia de
alta definição, nódulos de até meio
milímetro puderam ser detectados. A maior novidade nessa
área é a mamografia digital, capaz de aumentar em
até vinte vezes a imagem de um tumor. Descobre-se o câncer,
assim, quando ele tem o tamanho de um grão de areia. A mamografia
digital também é bem menos desconfortável e
mais rápida que a tradicional. Identificado em estágio
tão inicial, o mal pode ser erradicado em quase 100% das
vezes. Se a mamografia encontra um nódulo, é necessário
fazer biópsia. Para retirar amostras da região sob
suspeita, era preciso fazer uma cirurgia que deixava uma larga cicatriz,
invariavelmente. Hoje, uma agulha fina é capaz de tirar quantidade
suficiente de tecido para análise.
As inovações também foram enormes no tratamento
dos tumores de próstata. O avanço no diagnóstico
deve-se, em grande parte, à combinação do exame
de toque retal com a dosagem de PSA. Essa proteína, quando
encontrada no sangue em níveis acima do normal, pode indicar
a presença de tumores de próstata. A combinação
dos dois exames é capaz de identificar até 95% dos
tumores. Recentemente, estudo publicado na revista científica
The New England Journal of Medicine contestou a validade
do exame de PSA. Segundo o artigo, o teste, isoladamente, não
detectaria 82% dos casos de câncer em homens com menos de
60 anos. Com base em tal estatística, alguns pesquisadores
chegaram a sugerir que o nível da proteína considerado
seguro fosse reduzido. Esse dado, porém, precisa ser confirmado
por outros estudos, que já estão em andamento. "A
dosagem de PSA continua a ser o método mais adequado para
detectar o câncer prostático, incluindo os que estão
em fase inicial", diz o urologista Álvaro Sarkis, professor
da Universidade de São Paulo.
Dos tratamentos disponíveis, a retirada total da próstata
é o que apresenta melhores resultados para tumores iniciais.
Esse tipo de cirurgia sempre gerou muita polêmica. Apesar
de registrar um índice de cura mais elevado que o da radioterapia,
a operação pode deixar seqüelas. A mais temida
delas, a impotência, atinge sobretudo homens entre 55 e 60
anos. Nessa faixa etária, o risco de perda de potência
sexual por causa da retirada da próstata é de até
50%. Nos pacientes mais jovens, beira os 15%. Por sua vez, a impotência
decorrente da radioterapia, em qualquer idade, ronda 40% dos doentes.
Como forma de contornar esse problema, os procedimentos cirúrgicos
foram aprimorados. Uma das técnicas para reduzir a probabilidade
de impotência foi criada há menos de dois anos. Ela
usa enxertos de um nervo da perna ou de um outro próximo
à virilha do paciente para substituir os nervos responsáveis
pela ereção, que muitas vezes são danificados
pela cirurgia. Outras terapias disponíveis são a crioterapia
(congelamento) e a braquiterapia, que destrói o tumor através
de sementes radioativas implantadas dentro da próstata. A
radioterapia também evoluiu muito. Antes ela era evitada
para tumores de próstata por ser muito tóxica e ter
foco pouco preciso, o que causava estragos a outros órgãos
próximos, como a bexiga.
Desde a década de 80, a ciência tenta saber se há
uma associação entre câncer de próstata
e nível de atividade sexual. Os primeiros estudos mostravam
que, quanto maior era o número de relações
sexuais, maiores os riscos de desenvolvimento de tumores. Em pouco
tempo, porém, essa ligação entre a doença
e um ritmo mais frenético na cama foi esclarecida. O perigo,
na verdade, era maior entre os homens que faziam muito sexo com
múltiplas parceiras o que aumenta a probabilidade
de contrair doenças sexualmente transmissíveis, um
fator de risco para o câncer de próstata.
A última pesquisa nesse sentido foi conduzida por médicos
australianos. Depois de analisar o histórico de mais de 2.000
homens, entre 40 e 69 anos, eles concluíram que a masturbação
talvez proteja contra o câncer de próstata. Os pesquisadores
enviaram um questionário a 1.079 homens vítimas da
doença, a fim de que detalhassem seus hábitos sexuais
ao longo da vida. As respostas foram comparadas às de outros
1.259 homens saudáveis da mesma faixa etária. O resultado
indica que, quanto mais ejaculações um homem teve
entre os 20 e os 50 anos, menor é a probabilidade de ele
desenvolver o tumor. A ejaculação, segundo os pesquisadores
australianos, ajudaria a evitar que algumas substâncias cancerígenas
presentes no sêmen ficassem armazenadas por tempo demais na
próstata. Por que a masturbação, e não
o sexo propriamente dito? Porque na masturbação não
há nenhum risco de infecção.
Como não poderia deixar de ser, a indústria farmacêutica
anda investindo pesado na criação de drogas para o
tratamento dos tumores que mais matam. Atualmente, nos Estados Unidos,
estão em fase de desenvolvimento setenta medicamentos para
o câncer de pulmão, 49 para o de mama e 44 para o de
próstata (veja
os mais promissores deles). "Muitas vezes, acontece
de um mesmo medicamento agir em diferentes tipos de tumor. Os estudos
iniciais podem ser específicos, mas depois a tendência
é que a nova droga também tenha outras indicações",
diz a médica Karina Fontão, do laboratório
Roche. É o caso do Avastin, criado inicialmente para o tratamento
do câncer colo-retal, que vem sendo estudado para pacientes
vítimas de tumores de mama e pulmão.
Vinte e cinco séculos depois de ter sido descrito pela primeira
vez pelo grego Hipócrates, considerado o pai da medicina,
o câncer segue como uma das doenças mais complexas
com as quais a medicina já deparou. No início desta
reportagem, foi dito que existem centenas de tipos de câncer.
Para ser mais preciso, foram contabilizados até agora mais
de 800 tumores malignos. Isso mesmo: 800. Na verdade, não
há um câncer de pulmão, mas vários. Assim
como também há uma variedade de tumores de mama e
próstata. Não bastasse essa quantidade, há
ainda uma dificuldade suplementar: um mesmo tumor pode se comportar
e reagir aos tratamentos de maneira diferente, dependendo de cada
pessoa. Por isso, são inúmeras as frentes de combate.
Uma delas é a antiangiogênese, idealizada pelo médico
americano Judah Folkman, que consiste em matar o tumor de fome (veja
quadro). Outros pesquisadores depositam suas esperanças
nos chamados anticorpos monoclonais, drogas inteligentes que agem
como mísseis teleguiados em busca de células cancerosas
preservando, assim, as sadias do ataque do medicamento, o
que reduz drasticamente os terríveis efeitos colaterais da
quimioterapia tradicional. A expectativa em relação
à eficácia das novas drogas é grande, mas a
maior arma contra todo e qualquer tipo de câncer continua
a ser a prevenção. Se você fuma, largue o cigarro
já. Se você é sedentário, comece a se
mexer. Se sua dieta é desregrada, trate de se alimentar direito.
Se você não segue a rotina de exames básicos,
marque uma consulta com o seu médico amanhã.
| O
estilo de vida faz a diferença
Cerca
de 60% dos cânceres estão associados a
um estilo de vida inadequado. Duas centenas de estudos
científicos já provaram os benefícios
da prática regular de ginástica na prevenção
da doença. De moderada a intensa, a atividade
física aumenta a eficiência do sistema
imunológico e a quantidade das substâncias
antioxidantes que circulam no organismo. Suar a camisa
por pelo menos meia hora, cinco dias por semana, ajuda
ainda a controlar o peso e a equilibrar os níveis
dos hormônios sexuais, que em excesso servem de
combustível para os tumores de mama e próstata.
Outros trabalhos já mostraram também que
uma dieta equilibrada (rica em frutas, verduras e grãos)
pode reduzir os riscos de tumores de mama em até
50%, de próstata em cerca de 20% e de pulmão
em quase 35%.
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Não
choro mais
Claudio Rossi
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"Em
outubro de 2000, descobri um caroço em meu seio
direito. Na época, estava amamentando meu filho
caçula e achei que o nódulo havia surgido
por causa do aleitamento. Por isso, não dei muita
importância, apesar de uma irmã e uma tia
terem tido a doença. Diante da insistência
de amigas, procurei o médico. Foi então
que recebi o diagnóstico: estava com câncer.
Tinha acabado de completar 35 anos dias antes e me achava
muito jovem para ter a doença. A notícia
ecoava como uma bomba no meu ouvido. Foi um período
muito confuso. Na semana anterior, eu havia me separado.
Explodi, chorei, cheguei a procurar meu ex-marido no
trabalho para culpá-lo pelo câncer. Nessa
época, foi muito importante o apoio que recebi
da minha família e dos meus amigos. Quando o
mastologista avisou que eu teria de retirar a mama inteira,
brotou em mim uma força inexplicável,
que me fez ser muito prática. Não quis
ir para casa pensar, não. A minha vontade era
cortar o mal pela raiz e o mais rápido
possível. Marcamos a cirurgia para o mesmo mês.
O que mais doía era ter de deixar de amamentar
meu filho. Meu leite tinha de secar antes da cirurgia.
Durante esse período, quando ia dar a mamadeira
a ele, tinha de cobrir meus seios com um travesseiro.
Do contrário, o bebê sentiria o cheiro
do meu leite e se recusaria a tomar a mamadeira. Depois
da operação, veio a fase mais pesada do
tratamento. Logo após as sessões de quimioterapia,
faltavam forças até para levantar uma
xícara de café vazia. O cabelo não
parava de cair. Raspei a cabeça. Quando voltei
para casa, meu filho mais velho, na época com
2 anos, disse que eu estava linda. Aquela frase bastou
para me dar ainda mais força. Assumi a careca.
Ao longo do tratamento, fiz questão de trabalhar
uma vez por semana, no mínimo, dando aulas particulares
de italiano. Voltei à terapia. Aprendi a me conhecer
melhor, a lidar bem com a doença e a ver tudo
aquilo como um renascimento, a chance de ser uma nova
pessoa. Descobri também que era essencial que
eu fosse protagonista da doença e não
me deixasse dominar por ela nem pelo pavor que ela causa.
Ainda não recebi alta. A cada seis meses, volto
ao médico e faço uma bateria de exames.
No início, ficava muito nervosa a cada nova consulta
e só melhorava depois que o médico dizia
que estava tudo bem. O alívio era tão
grande que eu saía do consultório, sentava
no meio-fio e chorava. A doença era como um fantasma
pousado no meu ombro. Hoje, o fantasma da doença
não me assusta mais. Não choro mais. Se
o câncer vier outra vez, farei tudo de novo e
continuarei a ser parte do grupo de pacientes que vingam
e que dão depoimentos como este."
Andréa
Cavani, 38 anos, psicopedagoga, de São Paulo
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