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Medicina
O
doutor lipo
Inventor
da técnica de aspirar
gorduras profetiza: no futuro,
todas as mulheres farão

Bel
Moherdaui
Reginaldo Teixeira
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artista e a pioneira: Illouz e Maria Edith, voluntária
na primeira lipo |
Yves-Gérard Illouz, um cirurgião plástico francês
de 64 anos, é praticamente um herói desconhecido:
foi ele que, em 1977, inventou a técnica de lipoaspiração,
que revolucionou a cirurgia estética e, por sua comparativa
simplicidade, virou a tábua de salvação para
homens e mulheres que querem perder gorduras localizadas (e quem
não quer?). Sem o doutor Illouz, imaginem só, não
existiria, ou demoraria mais a existir, a cirurgia campeã
entre as plásticas no Brasil 160.000
só em 2003, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
e no mundo. De passagem pelo Brasil, onde veio participar
do 40º Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica, em
Fortaleza, Illouz reencontrou-se no Rio de Janeiro com a primeira
brasileira a fazer uma lipo, a pesquisadora carioca Maria Edith
Pessanha, aspirada por ele em 1980, quando veio ao país para
apresentar a nova técnica. Maria Edith, que na época
removeu gordura do joelho e do culote, diz que nunca mais precisou
repetir o procedimento. Mas Illouz tem certeza de que, justamente
pelo fato de a técnica ser tão bem-sucedida, pacientes
de lipo jamais faltarão. "No futuro, todas as mulheres vão
se submeter à lipoaspiração", prevê.
Foi
também em um congresso em Fortaleza que o cirurgião
francês apresentou a técnica pioneira aos médicos
brasileiros, há 23 anos. "Os mais novos acreditaram em mim
e ficaram bem animados; já os mais velhos acharam que eu
era louco", recorda-se. Para convencê-los da eficácia
do método, o médico, que tinha trazido o equipamento
básico na bagagem, propôs fazer uma demonstração.
E assim a primeira lipoaspiração brasileira afinou,
em um hospital do Rio de Janeiro, as medidas de Maria Edith
que por acaso esteve em um jantar em homenagem a Illouz, ouviu que
ele queria uma voluntária e se ofereceu. "Quando a gente
é jovem, quer ficar bonita de todo jeito, nem mede muito
as conseqüências", justifica agora. O cirurgião
conta que sua técnica revolucionária surgiu do desejo
de agradar a uma atriz francesa que namorava na época
todo galante, não revela o nome da musa da lipo. "Ela adorava
decotes, mas tinha um nódulo de gordura nas costas. Depois
de muito pensar em um jeito de remover aquilo sem deixar cicatriz,
tive a idéia de colocar uma cânula e sugar a gordura",
relata. Namorada lipoaspirada e feliz, mesmo assim o médico
não se deu conta imediatamente da vastidão de usos
de seu método. "Ainda demorei um ano para perceber que podia
lipoaspirar gordura em várias partes do corpo", lembra. Quando
percebeu, fez-se a luz. "Outros médicos já haviam
tentado, mas Illouz detém o mérito de haver aprimorado
a técnica existente e ser seu grande difusor", elogia Ivo
Pitanguy, o papa da plástica no Brasil que estava
no congresso de Fortaleza em 1980 e, de lá para cá,
nunca mais parou de aspirar gordurinhas indesejáveis.
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