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Dieta
Emagreça
comendo mais
É
o que promete um médico americano que
já vendeu mais de 1 milhão de exemplares
de um livro de dieta nos Estados Unidos

Monica
Weinberg
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A lista
de dietas acaba de crescer. O médico americano Howard Shapiro
vendeu 1 milhão de exemplares de seu livro Picture Perfect
Weight Loss (algo como A Imagem Perfeita para a Perda de Peso),
que promete a quem seguir suas instruções a possibilidade
de perder peso comendo mais. O livro virou best-seller nas listas
do New York Times e da Amazon Books e será lançado
na Europa no começo de 2004. A tese central do doutor Shapiro
é que as pessoas gordinhas cultivam o hábito de comer
alguns alimentos que mais engordam do que propriamente saciam a
fome. E por isso, insatisfeitas, acabam comendo mais. Seu objetivo
é oferecer a quem queira emagrecer o seguinte desafio: evite
ingerir uma quantidade enorme de calorias contidas em alimentos
de tamanho reduzido. Mas faça isso comendo mais, ou seja,
busque atingir a mesma quantidade de calorias com um volume respeitável
de alimentos que engordam menos individualmente. Como em geral a
quantidade de comida proposta para chegar àquele patamar
calórico é enorme, as pessoas tenderão a comer
menos e assim acabarão perdendo peso.
Para
provar o que diz, Howard Shapiro selecionou em seu livro dezenas
de fotografias que comparam bombas energéticas e seu correspondente
mais saudável. Algumas delas estão dispostas nesta
e nas demais páginas desta reportagem. Uma das imagens mostra
um bolinho do tipo muffin de apenas 270 gramas, que contém
fabulosas 720 calorias. O médico então coloca ao lado
uma pilha de alimentos saudáveis que podem render um pratão
inesquecível com as mesmas 720 calorias do bolinho. Lá
estão um abacaxi inteiro, meio melão, meio mamão
papaia, uvas, meio kiwi e duas peras. Mais os pães. O médico
recomenda a seus pacientes que, em vez do bolinho, ataquem a cesta
de frutas e os pães. Shapiro diz que o método funciona
porque a maioria das pessoas não consegue comer tudo de uma
só vez. Imagine comer 1 quilo e meio de frutas mais dois
pães integrais. Quem faz a troca acaba economizando em calorias.
A
diferença para as outras dietas baseadas na redução
calórica é que esta não impõe um limite
nem sugere que seus seguidores passem a vida fazendo contas na hora
de comer. Sua proposta é ajudar as pessoas em dieta a encontrar
opções menos calóricas, sempre trocando o pouco
(que engorda) pelo muito (só que mais saudável). Segundo
o doutor Shapiro, o cérebro não aceita bem a idéia
de trocar uma barra de chocolate por meia barra de chocolate. Por
outro lado, a idéia de trocar uma bombinha calórica
por uma grande quantidade de alimentos parece bastante compensadora.
Os nutricionistas reconhecem que a idéia do livro pode ser
usada como uma ferramenta útil para as pessoas que precisam
descobrir alternativas saborosas para substituir alimentos muito
calóricos. As trocas alimentares podem ser um bom começo
para quem busca um estímulo para enfrentar um projeto de
emagrecimento mais ambicioso. No longo prazo, no entanto, os médicos
informam que a reeducação alimentar disciplinada é
a única fórmula eficaz para evitar o efeito engorda-emagrece-volta-a-engordar.
Como
o objetivo dos autores de obras que versam sobre dieta é
não apenas ensinar os outros a emagrecer, mas também
vender livros, muitas vezes o tema acaba sendo tratado com uma certa
leveza, ou seja, sem o equilíbrio de quem analisa com ponderação
os prós e os contras. No caso do método do doutor
Shapiro, percebe-se certa tendência a diminuir as dificuldades
contidas nas substituições. O médico só
listou as alternativas para as bombas calóricas, tais como
castanhas, sorvetes e frituras, batatas fritas. O livro não
oferece sugestões muito eficientes para quem precisa cortar
alimentos igualmente calóricos presentes no cotidiano das
pessoas, como o ovo frito, o arroz e o feijão. Outro ponto
desfavorável é a dificuldade de estabelecer metas
nessa dieta. Uma vez que o ritmo de emagrecimento depende das trocas
feitas por cada um dos seguidores da chamada dieta visual, a perda
de peso pode ser muito demorada. Como não há sinal
de que o livro vá ser publicado no Brasil, ao menos por enquanto,
a informação sobre a existência dessa nova dieta
serve como fonte de inspiração. Quem sabe, seguindo
um novo método criativo, o ponteiro da balança comece
a exibir números mais agradáveis.
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