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Divórcio
A
vida começa aos 60
Cada
vez mais brasileiros se divorciam
e refazem a vida na terceira idade
Carol Quintanilha
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| José,
75 anos: academia e separação após os 60 |
Os brasileiros com 60 anos ou mais são os que mais aderem
ao clube dos descasados. Em cinco anos, o número de pessoas
nessa faixa de idade que se divorciaram ou se separaram judicialmente
de seus parceiros subiu 51%. No total da população,
o aumento foi de apenas 13%. Ou seja, em nenhum outro grupo os índices
de separação crescem tanto. Os especialistas são
unânimes em apontar como principal motivo para esse fenômeno
a elevação na expectativa de vida, que hoje é
35% mais alta do que há cinqüenta anos. Naquela época,
não era comum alguém na casa dos 60 anos mudar radicalmente
de vida ou fazer planos para o futuro. Isso mudou. Voltar a estudar,
fazer esportes e até namorar são atividades plenamente
aceitáveis para quem está na terceira idade. Antes,
poucas pessoas achavam que valia a pena se separar na terceira idade.
Agora, existe a idéia de que ainda se pode fazer muita coisa
depois dos 60 anos.
É
o caso de José Agostinho Valente, de 75 anos, que se separou
com 62 anos e casou-se dois anos depois com uma mulher quinze anos
mais nova. "Só porque você tem mais de 60 anos não
significa que deve deixar de buscar a felicidade ou de esperar algo
mais da vida", diz José, que nunca parou de trabalhar e freqüenta
a academia três vezes por semana. Um estudo recente da agência
de pesquisas Indicator GfK mostra que 44% dos idosos brasileiros
têm postura parecida com a de José. Eles são
independentes, ativos e felizes com a vida que levam. Isso vale
para homens e mulheres. Elas, no entanto, quando se separam ou ficam
viúvas, têm maior dificuldade para encontrar um novo
parceiro. Segundo dados do IBGE, de cada quatro pessoas que se casam
com mais de 60 anos, apenas uma é mulher. Pouco mais de 70%
dos homens nessa situação desposam mulheres que têm
menos de 60 anos. Entre as mulheres idosas, o índice das
que se casam com homens mais jovens é de apenas 18%. "Por
outro lado, o homem tem mais dificuldade de cuidar de si mesmo.
Por isso, se não refaz sua vida amorosa, pode sofrer mais",
diz a psicóloga Laura Mello Machado, do Instituto de Gerontologia
da Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro.
As
mulheres fazem excursões com as amigas, entram na universidade
da terceira idade, fazem cursos. Para muitas delas, o divórcio
representa uma libertação. Terezinha Ferreira da Costa,
de 65 anos, finalizou o divórcio há cerca de um mês,
mas o processo de separação começou há
dez anos. No começo, ela relutou em terminar um casamento
de quase trinta anos. Há quatro anos entrou na universidade
da terceira idade. "Sou mais feliz agora do que quando era casada",
diz Terezinha. O fato de os filhos já serem adultos torna
mais fácil a decisão de se separar. "Às vezes,
depois que os filhos saem de casa, o casal deixa de ter objetivos
comuns para a vida", diz o psicólogo Ari Rehfeld, da Pontifícia
Universidade Católica. Isso, para uma relação
saudável, significa o fim. Outro fator de desequilíbrio
para um relacionamento de longo tempo é a sexualidade. Nos
últimos anos, com o surgimento das pílulas contra
a impotência, muitos homens voltaram a assumir um papel que
já tinha sido abandonado. Isso pode dar ânimo novo
a um casamento. Mas nem sempre a mulher está disposta a voltar
a incluir a sexualidade no relacionamento.
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