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Religião
Elas querem viver cobertas
Jovens
muçulmanas criadas na Europa
lutam para usar o véu nas salas de aula
AFP
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| As
irmãs francesas Alma e Lila: expulsas da escola por causa do
véu |
A última
vez que um pedaço de pano causou tanta polêmica na
Europa foi há cinco décadas quando dois costureiros
franceses inventaram o biquíni. Desta vez, o pivô da
controvérsia é o hijab, o véu com o
qual as muçulmanas devotas cobrem o cabelo. Na França,
duas adolescentes foram expulsas de uma escola secundária,
no mês passado, por se recusar a tirar o véu durante
as aulas. Dias depois, na Alemanha, uma professora primária
de 31 anos ganhou uma batalha de cinco anos na Justiça para
ter o direito de lecionar numa escola pública com o hijab.
Nos dois casos, as autoridades alegaram que o uso do véu
fere o princípio da rigorosa separação entre
o Estado e a religião. Na maioria dos países europeus,
símbolos religiosos são proibidos em instituições
públicas.
AP
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| A
professora Fereshta Ludin: luta na Justiça para manter a cabeça
coberta |
O surpreendente é ver jovens nascidas e criadas na Europa
insistir no uso do hijab, um símbolo da submissão
feminina na sociedade islâmica. As irmãs Lila Levy-Omari,
de 18 anos, e Alma, de 16, preferiram abandonar a escola onde estudavam,
na periferia de Paris, a tirar o véu. A decisão seria
digerida com naturalidade se a devoção a Alá
e o respeito ao rígido código de costumes muçulmano
fossem uma herança de família. Acontece que o pai
das duas jovens é judeu e a mãe, católica nascida
na Argélia. Recém-convertidas, Lila e Alma passaram
a usar o véu apenas neste ano. A mesma determinação
levou a professora alemã Fereshta Ludin, nascida no Afeganistão
numa família de classe média, a desafiar o governo
da Alemanha. Impedida de dar aula numa escola pública usando
véu, ela pediu demissão e foi à Justiça.
Uma corte de apelação decidiu a seu favor, alegando
que não há lei que proíba uma professora de
lecionar com a cabeça coberta.
Para
as mulheres européias que adotaram o biquíni e queimaram
sutiãs em praça pública para demarcar sua independência,
essa cruzada islâmica não faz sentido. Uma explicação
para o apego à tradição é o que os especialistas
chamam de fenômeno de segunda geração
pelo qual os filhos de imigrantes seguem o Islã com mais
fervor que os pais. São jovens nascidas e criadas na Europa,
mas que se sentem discriminadas. Para elas, o Islã é
um símbolo de identidade étnica e cultural. Os atentados
de 11 de setembro ajudaram a isolá-las ainda mais. O risco
representado pelo fundamentalismo islâmico levou vários
países europeus a tentar enquadrar com fervor nunca visto
os muçulmanos nos princípios seculares. A França,
que abriga 5 milhões de muçulmanos, a mais numerosa
comunidade do continente, lançou-se neste ano numa empreitada
para "integrá-los" à cultura francesa. O plano é
dar ao Estado a missão de supervisionar a formação
de clérigos e incentivar os muçulmanos a adotar os
princípios laicos da sociedade francesa.
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