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Ministério
Ministras
virtuais
O
Brasil descobre que tem uma
ministra chamada Matilde Ribeiro,
oito meses depois de sua posse

Alexandre
Oltramari
Paulo Libert/AE
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| Lula
e Matilde: política de igualdade racial e ameaça de perder cargo
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O governo
planeja, há meses, promover uma reengenharia na Esplanada
dos Ministérios. Vai extinguir uma parte dos 35 ministérios,
um recorde na história republicana, pretende fundir algumas
pastas e deve se livrar de alguns colaboradores. O primeiro escalão
do governo petista é tão grande que o presidente tem
optado por realizar as reuniões ministeriais na Granja do
Torto, um lugar mais amplo que o tradicional salão oval do
Palácio do Planalto, que tem apenas 39 lugares. É
ministro demais. Todos, é óbvio, têm alguma
função que pode ser considerada importante, mas acabam,
por falta de estrutura, relegados a uma condição apenas
simbólica. Na semana passada, o presidente Lula foi ao interior
de Alagoas participar do lançamento da Política Nacional
de Promoção à Igualdade Racial um documento
de catorze páginas que resume uma série de boas intenções
para tratar a questão da discriminação no Brasil.
Na festa, a maioria dos brasileiros descobriu que o projeto foi
elaborado pela equipe de Matilde Ribeiro, uma senhora de 43 anos
que estava ao lado do presidente no palanque e que vem a ser ministra
da Secretaria de Igualdade Racial.
Jose Paulo Lacerda/AE
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| Emília
Fernandes: sem estrutura, esforça-se para aparecer nas solenidades
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Filha de uma empregada doméstica e de um vigia, a ministra,
a exemplo da colega Benedita da Silva, é um caso notável
de mobilidade social. Nascida no interior de São Paulo, Matilde
começou a trabalhar aos 12 anos como empregada doméstica,
foi metalúrgica aos 14 e recepcionista aos 17. Teve chance
de tentar uma carreira artística. Um dia, Matilde caminhava
por uma rua de São Paulo e foi abordada por um senhor grisalho.
"Você é uma negra muito bonita. Poderia ganhar a vida
dançando", disse. O galanteador era o empresário carioca
Oswaldo Sargentelli, já falecido, famoso promotor de shows
de mulatas nas noites cariocas. Matilde recusou o convite, ingressou
num curso de serviço social e militou no movimento negro.
Hoje, em Brasília, ela comanda um ministério virtual,
com uma equipe de 35 pessoas, sem um tostão de orçamento
próprio. Para viajar, precisa de autorização
e recursos da Presidência da República.
Desde
a posse, Matilde teve apenas duas audiências com o presidente.
Com a proximidade da reforma ministerial, ela deve ser uma das assessoras
do governo a perder o status de ministro. "Seria um retrocesso",
diz ela. "Esse ministério é diferente. Nossa ação
é política, simbólica. É ficar lembrando
o governo de que é preciso fazer algo pelos negros", diz
a ministra, que obteve a primeira vitória no terreno das
ações concretas. O presidente Lula assinou um decreto
regularizando as terras de 740 comunidades remanescentes de quilombos
no país. Outra ministra virtual com o cargo ameaçado
é Emília Fernandes, da Secretaria Especial de Políticas
para as Mulheres. Em onze meses de mandato, ela tem marcado sua
gestão por insistentes pedidos para acompanhar Lula em viagens
presidenciais. Como se sabe, Emília não é negra
nem tem relação alguma com as comunidades quilombolas,
mas estava lá, firme e forte, junto com Lula e Matilde, na
solenidade em Alagoas.
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