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Partidos
Presidente tucano
Depois de perder as eleições à Presidência da
República, José Serra volta como líder do PSDB

Alexandre
Oltramari
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Revoada
tucana
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1998, o PSDB tinha 115 parlamentares no Congresso.
Hoje são apenas 62 |
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Depois
de um exílio voluntário nos Estados Unidos, na semana
passada o ex-senador José Serra voltou à política
para disputar sua segunda eleição presidencial em pouco
mais de um ano. Candidato a presidente da República em 2002,
ele foi derrotado por Lula por uma diferença de 19 milhões
de votos. Na sexta-feira, José Serra foi aclamado presidente
do PSDB. Um político de biografia invejável como ele
nos últimos vinte anos foi secretário de Estado,
deputado, senador e ministro assumir a presidência de
um partido que só fez encolher em tamanho e poder nos últimos
tempos pode parecer uma volta por baixo. É quase isso. Antes
de decidir concorrer à liderança dos tucanos, Serra
estudou minuciosamente suas chances de concorrer à prefeitura
de São Paulo no ano que vem. Concluiu que havia riscos reais
de uma nova derrota, o que não seria nada bom para a imagem
de quem sonha disputar outra vez a Presidência da República.
Além disso, sem mandato algum, ficaria condenado ao limbo até
as eleições de 2006. A liderança de um partido
de oposição, além de visibilidade, vai dar ao
ex-senador a chance de retomar sua obsessiva busca de poder.
José
Serra mudou-se para os Estados Unidos em janeiro. Alguns amigos
diziam que ele iria descansar, pensar no futuro e dar aulas na Universidade
Princeton, em Nova Jersey. O ex-senador era pesquisador-visitante
no Instituto de Estudos Avançados, uma entidade que tem vínculos
com a prestigiada universidade americana, mas não chegou
a lecionar em Princeton. Consumia boa parte de seu tempo preparando
sua volta à política brasileira. Conhecido pelos hábitos
noturnos e pela mania de se comunicar por meio de bilhetes manuscritos,
Serra aprendeu a usar o correio eletrônico durante sua temporada
americana. Diariamente, acompanhava o noticiário político
brasileiro pela internet. À noite, disparava dezenas de mensagens
e telefonemas aos amigos e aliados políticos no Brasil. Certa
vez, o tucano telefonou para o deputado federal petista Sigmaringa
Seixas, seu velho conhecido, sugerindo que o PT preservasse alguns
programas do Ministério da Saúde que considerava importantes.
Também fazia sugestões e críticas à
política econômica mau hábito que ele
já tinha quando era ministro do governo Fernando Henrique.
Sigmaringa Seixas ouvia tudo com atenção e dizia que
encaminhava as observações ao governo.
Os
estudos americanos ficaram definitivamente em segundo plano a partir
de março, quando os tucanos começaram a discutir o
comando do PSDB. Serra aproveitava os intervalos entre as pesquisas
e as palestras na universidade para vir ao Brasil cuidar de política
e mantinha conversas diárias com o líder dos tucanos
na Câmara, Jutahy Junior. Sondado para ocupar o cargo, o ex-ministro
fez duas exigências. A primeira era que o PSDB adiasse a data
de sua convenção nacional, que deveria ter ocorrido
em abril. A outra, bem mais difícil de ser atendida, era
que não houvesse nenhum veto ao seu nome. Um dos maiores
focos de resistência vinha de Minas Gerais, onde Aécio
Neves, assim como Serra, postula a candidatura do partido à
Presidência em 2006. Serra visitou o governador mineiro quatro
vezes. Jurou que, ao decidir comandar o partido, seu projeto seria,
no máximo, uma eventual candidatura ao governo de São
Paulo. Aécio fez de conta que acreditou. Nos últimos
dois meses, o ex-presidente Fernando Henrique, a pedido do governador
Geraldo Alckmin, organizou três jantares na ala reservada
do Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, para buscar
consenso entre Aécio Neves, Alckmin, outro potencial candidato,
e Serra. Conseguiu o compromisso de um armistício.
A
trajetória de José Serra após a derrota no
ano passado em muito se parece com a de Al Gore, o ex-vice-presidente
dos Estados Unidos que perdeu as eleições para George
W. Bush em 2000. Assim como Serra foi apoiado por FHC, Gore recebeu
o apoio do presidente Bill Clinton. Tal como Serra, Gore foi responsabilizado
pela derrota até entre os próprios partidários.
Muitos de seus correligionários disseram que ele havia cometido
um erro ao tentar se distanciar de Bill Clinton por causa das divergências
com o presidente assim como Serra no caso da política
econômica de Fernando Henrique Cardoso. Outra crítica
freqüente a Gore era sua inabilidade para comandar equipes.
O ex-vice tinha uma imensa trupe de estrategistas, mas não
confiava em ninguém. Preferia, na maioria das vezes, seguir
um caminho oposto ao combinado com seus conselheiros. Assessores
de Serra tinham as mesmas reclamações e chegam a apontar
essa característica de personalidade do ex-senador como letal
na campanha.
Depois
da derrota, Gore também submergiu e se dedicou a dar aulas
em três universidades. Chegou a deixar a barba crescer. Serra,
se fizesse isso, ficaria parecido com o popular Enéas. Gore
aproveitou a ressaca da derrota para escrever um livro. Serra, antes
de viajar, anunciou que um de seus projetos era também escrever
um livro. Ninguém acreditava que Gore, depois de mais de
vinte anos de carreira política, o mesmo tempo que Serra,
tivesse a mínima intenção de desistir da política.
Ele resolveu voltar no clímax da crise gerada pelos atentados
de 11 de setembro. Criticou a política de Bush na hora errada
e foi repreendido pelos democratas. Mergulhou de novo no ostracismo.
Serra agora tem pela frente a missão de reorganizar um partido
que não sabe ainda como se comportar na oposição.
"O principal desafio dos tucanos é ressaltar as diferenças
que existem em meio a tantas semelhanças", diz o cientista
político Marcos Coimbra, do Vox Populi. O PSDB pretende deixar
de ser um partido de elite e formar frentes com quadros de setores
mais populares. Depois de o PT adotar uma cartilha parecida com
a tucana, agora é o PSDB que vai tentar ser um pouco petista,
criticando de maneira mais dura o governo de Lula. Sem barba, Serra
e Al Gore têm muito em comum.
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