Edição 1830 . 26 de novembro de 2003

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Cartas

 

"A reportagem trouxe a versão teórica dos benefícios que eu sinto na prática, desde que comecei na ioga."
Graziela Szabunia
Joinville, SC

Ioga

Depois dessa reportagem, haverá uma corrida às academias, atrás do iorgasmo (ioga + orgasmo), o prazer inigualável! Pena que não dá para praticar entre quatro paredes, como sugere De Rose.
Ana Marisa de Oliveira Costa
Dourados, MS

A reportagem de capa sobre o yoga ateve-se ao boom comercial que permeia a milenar técnica indiana no Ocidente. Priorizou os aspectos externos (contorcionismos e culto ao corpo), desprezando a essência subjacente: a busca do equilíbrio corpo-mente e a transcendência mente-alma, e não mencionou que os reais praticantes de yoga devem observar a ética embutida nos yamas e nyamas, como a prática da não-violência. Como bem ensina o professor Hermógenes: não se faz yoga, vive-se o yoga.
Fátima Memória de Andrade
Fortaleza, CE

É muito grande o número de escolas e institutos independentes e professores de Yóga que se recusam a trabalhar em academias, em razão dessa deturpação de nossas metodologias. Todos nós, professores de Yóga éticos e responsáveis, temos lutado arduamente para que nosso trabalho seja reconhecido e respeitado, e a reportagem representa um duro e amargo golpe contra essa realidade.
Claudio Duarte
Presidente da Associação Brasileira de Yóga
www.yogaclassico.com.br

Achei interessante o fato de a matéria ser abrangente, citando vários professores e mestres de linhas diferentes, mostrando as inúmeras caras que, infelizmente, o nome Yôga tomou nessas últimas décadas, derivando de seu aspecto filosófico e iniciático para as citadas ginásticas baseadas em algumas de suas técnicas.
Bruno Kiraly
Instrutor de Swásthya Yôga
Por e-mail

 

Jessica Stern

Parabéns à revista VEJA pela excelente entrevista com Jessica Stern (Amarelas, 19 de novembro). O conteúdo elucida um dos temas mais obscuros da atualidade, o terrorismo, e demonstra de forma convincente o que impulsiona essa máquina e como funcionam seus mecanismos.
Ernando José Souza
Alterosa, MG

Com a insensatez de George W. Bush, o terrorismo está propenso a se alastrar por toda parte no mundo. O melhor combate ao terrorismo é tentar dar a esses países menos favorecidos condições de ter uma vida mais digna.
Vitor Moreira Vargas

Brasília, DF

 

João Mellão Neto

Talvez a ascensão do PT ao poder tenha servido para alguma coisa. Parece que nossos liberais estão finalmente despertando e talvez venhamos a ter um ou mais partidos realmente liberais, em vez de siglas de aluguel. João Mellão resumiu em seu magistral artigo ("Você também é liberal", 19 de novembro) tudo aquilo de que precisamos. Que venha o "choque liberal" que o saudoso Roberto Campos preconizava!
Chrysógeno Rocha de Oliveira
Niterói, RJ

Também acreditava ser liberal, até ler sua coluna em VEJA de 19 de novembro. Introduzindo o assunto de forma conciliatória, acompanho 100% de seus artigos no Estado e concordo com 90% das idéias que você defende. Talvez por isso mesmo tenha ficado surpreso e até um pouco consternado com as freqüentes referências ao divino e ao sagrado na coluna mencionada. Para ser liberal, tenho de louvar? Tenho de me submeter a alguma ordem supernatural, conduzida por uma entidade com o nome Deus? Espero que o sagrado e o divino não separem, mais uma vez, dois seres humanos que parecem – e querem – acreditar na liberdade.
Paulo A. Franke
São José dos Campos, SP

Já compararam o cristianismo com o socialismo. O sensatíssimo artigo de João Mellão Neto corroborou minha crença de que ditos como "No suor do teu rosto comerás o teu pão" e "Não devemos ser pesados a ninguém", contidos na perfeita lei cristã, casam perfeitamente com o liberalismo, e não com o desestímulo ao trabalho e escoramento no Estado que é o socialismo. Eu também sou liberal, pois sou cristão.
Fábio Borges de Aquino
São Paulo, SP

 

Ioga 2

Quero cumprimentar Roberta Salomone pela excelente reportagem sobre o Yôga. A opinião desse conceituado veículo de comunicação é muito importante para todos nós. Gostaria de aproveitar a oportunidade para informar que DeRose é o meu nome de família, pois da forma como foi redigido dava a impressão de se tratar de nome adotado, o que não é fato. Ao fornecer os subsídios por escrito à entrevista, esclareci que não trabalho com franquia. Não obstante, a reportagem afirma que sim. Só pode ter sido ato falho ao redigir a matéria, pois estou certo de que não houve a intenção de nos contradizer. Quanto à declaração "por suas aulas já passaram, segundo ele, mais de 50.000 alunos", o que está escrito nos textos de apoio enviados à jornalista é que "contamos com mais de 50.000 alunos inscritos na Universidade de Yôga". Embora eu tenha esclarecido que não somos academia e mostrado a Certidão de Personalidade Jurídica, as salas de aulas teóricas, a biblioteca etc., a matéria termina declarando que somos academia. No entanto, preservo o clima de agradecimento desta carta, pois sei que não foram equívocos intencionais nem graves.
Mestre DeRose
www.uni-yoga.org.br
São Paulo, SP

Ao longo de quase cinqüenta anos tenho vivido a doutrina e o método e, por isso, não tenho vendido Yoga. Cumprindo o preceito aparigraha (não-ambição), renunciando à corrida pelo prazer, pelo poder e pelas riquezas falazes, não vendo Yoga. Trabalho há quase meio século no mesmo espaço e ainda pago aluguel. Assim como no apartamento onde moro. Não tenho carro. O fato de receber 900 reais de empresas que me contratam não significa vender Yoga, como VEJA ironicamente insinuou. As empresas querem aprender como administrar o stress e ampliar a eficiência dos profissionais. Há mais de quarenta anos não adoeço nem tomo remédios. Yoga tem me ensinado a ser feliz amando e servindo. Declarei a VEJA quanto lamento ver Yoga sendo transformado de algo milenar, santo e sagrado em mero objeto de consumo, atendendo às necessidades imaturas das multidões, que agitadamente compram ginástica supondo ser Yoga, comendo a casca da fruta e jogando fora a polpa.
Hermógenes de Andrade
Rio de Janeiro, RJ

 

Transgênicos

A elaboração do denominado "guia do consumidor" – lista de produtos com ou sem transgênicos – pelo Greenpeace se deu por meio do envio de carta às indústrias de alimentos, para que firmassem termo de garantia de que os ingredientes utilizados na fabricação de seus produtos não eram derivados de organismos geneticamente modificados, sob pena de lançarem esses produtos na lista vermelha (contaminados com OGM). Inconformada com a metodologia utilizada pelo Greenpeace, uma vez que entende que a forma adequada para atestar a existência ou não de OGM é a detecção através de um processo analítico, a Abia dirigiu-se aos órgãos públicos afetos ao tema, comprometidos com a verdade científica, solicitando seu ponto de vista sobre os métodos utilizados pelo Greenpeace. Assim, o Ministério da Saúde e a CTNBio esclareceram a questão dos métodos científicos válidos para a detecção de organismos geneticamente modificados em produtos alimentícios, concluindo que "o critério utilizado para a classificação dos produtos listados não apresenta nenhuma fundamentação científica". Diante do exposto, ficou demonstrado que as ações dos ditos "ambientalistas" embasadas no "guia do consumidor" resultam inadequadas, contrariando o Código de Defesa do Consumidor, que exige que as informações sobre o produto sejam precisas ("Transgênicos – Os grãos que assustam", 29 de outubro).
Edmundo Klotz
Presidente da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação
São Paulo, SP

Com relação à reportagem "A soja ideológica" (19 de novembro), a Monsanto esclarece que não produz e nunca produziu sementes estéreis (terminator). Inclusive, em 1999, a empresa fez um anúncio público comprometendo-se a não produzir esse tipo de semente. O desenvolvimento pela Monsanto de sementes modificadas geneticamente que poderiam ser estéreis, impedindo o agricultor de replantá-las e obrigando-o a sempre comprar novos lotes da empresa, é mais um boato que ronda a biotecnologia aplicada à agricultura. Com referência à Medida Provisória 131/03, em votação no Congresso Nacional, a Monsanto acredita que o texto atual ainda contém aspectos que podem ser aprimorados ao longo do processo de aprovação final. Os direitos de propriedade intelectual são garantidos pela Constituição brasileira e também pelos acordos comerciais internacionais assinados pelo Brasil. Os direitos de propriedade intelectual da Monsanto se aplicam ao gene Roundup Ready existente dentro de qualquer semente geneticamente modificada resistente a herbicidas à base de glifosato, independentemente de qual seja a variedade da semente. Por esse motivo, atrelar o pagamento da propriedade intelectual exclusivamente à venda de novas sementes não é consistente com a legislação brasileira de patentes, que protege essta tecnologia.
Lúcio Pedro Mocsányi
Diretor de comunicação Monsanto do Brasil
São Paulo, SP

 

Operação Anaconda

Sobre "Como funciona a quadrilha de Rocha Mattos" (19 de novembro), é forçoso esclarecer que, conforme documentos em poder de VEJA, nenhuma linha de minha defesa contesta laudo sobre os custos da obra do TRT, e o próprio MP, na folha 12 de sua apelação, critica o fato de a sentença ter sido disponibilizada na internet no dia de sua prolação. Não menti para o Senado. Não sou, nunca fui dono da construtora responsável pelas obras do TRT, conforme comprovam perícias e depoimentos de testemunhas, inclusive de acusação. O Senado, sim, fraudou a Constituição ao quebrar o sigilo da votação de minha cassação, adulterou o resultado daquela decisão e usou essa anunciada ilegalidade para coagir e influenciar o voto dos senadores.
Luiz Estevão de Oliveira Neto
Brasília, DF

 

Governo Lula

Em relação à reportagem "Lula como chanceler... Dirceu como presidente" (19 de novembro), na qual meu nome é citado, gostaria de esclarecer o seguinte: 1) não há nenhuma "disputa de poder" com a ministra das Minas e Energia, Dilma Roussef; 2) não houve, em momento algum, solicitação de intervenção militar ou policial na usina Amazonas da El Paso, mas sim resposta sobre uma possível interrupção do funcionamento da usina aventada, não pela Eletrobrás, e que afligiria a população de Manaus com o risco de blecaute. Estranhamente, hipótese mencionada pela El Paso após se ter chegado a um acordo aceitável por ambas as partes.
Luiz Pinguelli Rosa
Presidente da Eletrobrás
Rio de Janeiro, RJ

 

Diogo Mainardi

O excelente artigo de Diogo Mainardi mostra com clareza como foi extenuante a construção de uma das mais belas cidades africanas à custa do apartheid. Muitos ditadores sanguinolentos viraram nome de praças e ruas nessa bela cidade construída para brancos. Todo brasileiro por natureza gosta do que é bom, inclusive o presidente Lula, que fez muitos elogios a Winhoek, os quais devem servir de inspiração aos ministros de Lula e às autoridades brasileiras para dar início à urbanização das favelas que já existem e fim às que estão para nascer.
Bruno G. Buzzulini
Campinas, SP

 

Sérgio Abranches

Sérgio Abranches conseguiu sintetizar em seu artigo "Retrato falado do Brasil" (Em foco, 19 de novembro) uma situação penosa para os negros que é essa pseudo-aceitação da sociedade brasileira. Sobre seu aluno, de 1973, passei por essa situação em minha pós-graduação em 2003, ou seja, trinta anos depois ainda vivemos nesse maremoto em que o próprio governo gosta de propagar que o Brasil não é um país racista, o que nós, negros, sabemos que é. Quando iniciei minha vida profissional, lutei para melhorar e procurava sempre promoções por meu desempenho profissional, mas nunca consegui nada. Entrava e ficava em uma função até o dia em que me cansava completamente e saía para outra empresa em busca de alguém que pudesse valorizar meu talento. Mas, infelizmente, até hoje continuo nessa luta.
Maria Elisa S. Doppenschmitt
São Paulo, SP

 

CORREÇÕES: A maior tela individual de projeção oferecida em vôos comerciais pelas empresas aéreas é a de 14 polegadas, e não a de 10, como foi publicado ("Vôo cinco-estrelas", 19 de novembro). A Universidade Emory fica na cidade americana de Atlanta, e não em Nova Orleans ("Pílula contra o medo", Guia, 19 de novembro). O preço do rodízio de carnes do restaurante Ambrosio's é 56 reais por casal, e não 28, como foi publicado no especial Veja Belo Horizonte – O Melhor da Cidade 2003. Esse último valor é o preço cobrado por pessoa.

 
IOGA, YOGA, YÔGA, YÓGA

Pedro Rubens

Ao ler a seção de cartas desta semana, os leitores poderão estranhar as diversas grafias utilizadas para designar a milenar prática oriental da ioga (arte, ciência, filosofia, ginástica?). Há uma fartura de correntes distintas de cultores da ioga, cada qual com características peculiares. Para alguns desses grupos de praticantes, a grafia é fundamental e dela eles não abrem mão. Mestre DeRose, da Universidade Uni-Yôga, dá a pista da razão para tal variedade de grafias: "Existem 108 ramos de Yôga e, ainda, a possibilidade de que cada um deles pertença a uma das quatro grandes linhas, o que poderia chegar a mais de 400 interpretações, diferentes e divergentes, surgidas em culturas distintas, desenvolvidas por várias etnias mutuamente hostis ao longo de 5 000 anos de história indiana". Por esse motivo foi mantida a forma grafada pelos missivistas.

 
APAIXONADOS POR VEJA

Almeida com sua coleção de VEJA: a busca por exemplares para completar o acervo

Freqüentemente, a redação recebe pedidos de exemplares antigos de VEJA para complementar a coleção de algum colecionador. É o caso de Saulo Chaves Almeida (na foto), de Viamão, no Estado do Rio Grande do Sul, um apaixonado por VEJA desde a primeira edição, publicada em 11 de setembro de 1968. No fim de outubro, Almeida solicitou algumas edições para completar sua valiosa coleção. Em casos como esse, a redação – que não dispõe desses exemplares antigos, mas apenas das seis últimas edições da revista – recomenda ao interessado consultar sebos ou instituições como o Museu da Revista, de Santo André, na região metropolitana de São Paulo, que conta com um vasto acervo. "O museu vende alguns exemplares, analisa propostas de compra e se encarrega de localizar edições que estão em falta, dentro de suas limitações", explica Lucile O. Alencar, proprietária e pesquisadora do Museu da Revista (www.museudarevista.cjb.net).

 
O exemplo de Funilândia


O artigo "Funilândia existe?", de Claudio de Moura Castro (Ponto de vista, 12 de novembro), que falou do sucesso do sistema de gerenciamento da educação naquele município mineiro, mexeu com os leitores. Setenta cartas sobre o assunto chegaram à redação. "É preciso funilandizar o Brasil antes que nossos demagogos desmantelem o pouco de bom de que ainda dispomos", escreveu Álamo C. de Oliveira Pinheiro, de Belo Horizonte. "Adorei o artigo. É assim mesmo que me sinto desde que na rede municipal de São José dos Campos foi implantado um sistema de gestão integrada. Uma das vantagens do sistema é que se pode perceber o que dá e o que não dá certo", escreveu Denise Clarissa, de São José dos Campos. Priscila Orsi Moretto Boarato, de Lençóis Paulista, interior de São Paulo, gostou tanto do que leu que quer Claudio de Moura Castro como "ministro da Educação, já"! O prefeito municipal de Funilândia, José Inácio Pereira, escreveu emocionado com a citação de sua cidade como exemplo positivo para o resto do país.

 

 
 
 
 
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