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Música "Jesus
é um casca-grossa" Baby do
Brasil agora é pastora evangélica e tem uma igreja. Mas
continua em outro planeta  Sérgio
Martins Oscar
Cabral
 | Chico
Aragão
 | | Baby
como pregadora (à esq.) e com os Novos Baianos: cruzada contra o
demônio e pela cura dos gays |
Baby do Brasil, ex-Consuelo, está
fundando uma igreja evangélica. Seu lema é o seguinte: No céu
não vai ter molenga. Só casca-grossa. "Eu vi Jesus e Ele é
o maior casca-grossa que existe. O rei Salomão já dizia: 'Se fores
frouxo, a tua força será pequena'", afirma Baby. Nesta semana, ela
deve dar entrada no processo de registro do culto Ministério do Espírito
Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo, que hoje soma dezenove adeptos e
a tem como líder. Um registro como esse não requer grande trabalho.
"Montar uma igreja evangélica no Brasil é mais fácil que
abrir bar", diz o sociólogo Ricardo Mariano, especialista em religiões.
Realizadas as formalidades, a igreja de Baby gozará de todas as prerrogativas
das religiões estabelecidas no Brasil como, por exemplo, a isenção
de impostos nas atividades relacionadas ao culto. Baby cobra dízimo, que,
por enquanto, lhe serve como uma espécie de complemento de renda. A pastora
garante que seu intuito não é ganhar dinheiro ou benefícios
pessoais. "Acham que vou ficar milionária. Não é verdade",
diz ela. Por via das dúvidas, contudo, a igreja que ocupa o mesmo
prédio em que ela está montando um estúdio, no bairro carioca
de Botafogo já tem os préstimos de um contador. Isso é
que é fazer uma fezinha. Baby
sempre foi mística. Nos anos 60 e 70, ela integrou os Novos Baianos, grupo
que misturava MPB com filosofia hippie e indiana. Baby flertou também com
a umbanda e com o guru Thomas Green Morton aquele que gritava "Rá!".
Com esse currículo, ninguém se surpreendeu com mais uma mudança.
Há seis anos, ela virou evangélica, num momento em que parecia estar
na moda artistas em crise seguirem esse caminho. Primeiro ela foi fiel da igreja
Sara Nossa Terra. Há três anos, começou a reunir seu próprio
rebanho, em cultos caseiros. Baby faz da luta contra o demônio uma das razões
de sua pregação. Afirma que teve contato com ele aos 8 anos. "Estava
dormindo quando alguém que tinha pés de bode e cara de tarado disse:
'Eu sou o demônio e estou aqui na cama com você'", conta. Baby denuncia
que o coisa-ruim estaria por trás de doenças e até da devastação
da cidade americana de Nova Orleans pelo furacão Katrina. "Lá só
tem vodu", explica. O tsunami que atingiu a Ásia no ano passado seria sinal
de que o Apocalipse está em curso.
Baby fala na "cura" de gays. "Se a opção do cara é ser homem,
basta ele falar com o Pai e acabou essa história", diz. Ela também
propagandeia milagres e diz que conecta o devoto com Deus. "Quem faz o milagre
é Ele. Eu apenas apresento o caso", afirma. O primeiro desses acontecimentos
místicos teria ocorrido ainda nos tempos dos Novos Baianos, quando a filha
de Paulinho Boca de Cantor, seu colega de banda, se acidentou. "Ela morreu na
minha frente", diz. "Eu me desesperei, subi no telhado e gritei: 'Você é
Deus, eu creio'. Urrei tanto que senti os meus ovários", afirma. A menina
teria ressuscitado. Paulinho minimiza o milagre. "Minha filha teve uma convulsão.
Mas de Baby eu espero qualquer coisa: ela me falou que encontrou Jesus Cristo
e Ele era baixinho", diz. Baby corrige: "Eu vi Jesus e ele tem estatura mediana".
Em 2000, quando o baterista Marcelo Yuka ficou paraplégico depois de levar
seis tiros, Baby teria entrado no hospital com uma Bíblia e ordenado: "Levanta-te
e anda". Segundo ela, só não funcionou porque manifestações
de outras religiões confundiram as energias do ambiente.
Baby mudou as letras de seus sucessos depois da guinada evangélica. Ao
cantar Brasil Pandeiro, de Assis Valente, troca "Eu fui à Penha,
fui pedir à padroeira para me ajudar" por "Eu fui à igreja, fui
pedir a Jesus Cristo para me abençoar". O "dragão tatuado no braço",
de Menino do Rio, virou "Jesus forever tatuado no braço". Os negócios
religiosos se mesclam com a carreira de cantora que Baby tenta reativar. Depois
de roubar a cena num show em homenagem aos Novos Baianos, no mês passado,
em São Paulo, prepara novo disco. Em compensação, as coisas
andam devagar na vida amorosa. A ex-mulher de Pepeu Gomes, hoje com 53 anos, revela
que não faz sexo há cinco. Ela conta com Jesus para arrumar um namorado.
"Se Ele mandar alguém para mim, que seja na medida", afirma. Por "na medida"
entenda-se alguém que tope subir com ela num trio elétrico evangélico,
durante a festa pagã do Carnaval, na sincrética Salvador. |