Escritores da Liberdade
(Freedom Writers,
Estados Unidos/Alemanha, 2007. Paramount) Professora idealista tem a oportunidade
de testar suas convicções ao se ver encarregada de uma classe de
adolescentes pobres, desinteressados, violentos e divididos em "guetos" de cambojanos,
negros e latinos além de um solitário, e apavorado, aluno
branco. Hilary Swank, porém, salva a pátria, em vários sentidos.
No papel de Erin Gruwell, educadora que no fim dos anos 90 provocou uma pequena
revolução no sistema educacional da região de Los Angeles,
a atriz de Menina de Ouro consegue se esquivar dos clichês dramáticos
no seu retrato de uma inocente que ganha experiência e traquejo sem se tornar
cínica. A direção, discreta para os padrões do gênero,
é de Richard LaGravenese, roteirista de As Pontes de Madison.
O Homem que Caiu na Terra
(The Man Who Fell to Earth, 1976,
Inglaterra) No início dos anos 70, o cantor e compositor inglês
David Bowie encarnava, em seus discos e shows, a persona de Ziggy Stardust, um
alienígena doidão. Tais performances fizeram do astro pop o ator
ideal para esse filme de ficção científica psicodélica.
Bowie interpreta Thomas Jerome Newton, um extraterrestre que vem à Terra
em busca de água, uma riqueza que se tornou escassa em seu planeta natal.
Newton usa sua inteligência para enriquecer e assim cumprir sua missão
de forma pacífica. O filme tem um visual muito típico dos anos 70.
Sem nenhum compromisso com o realismo, explora uma narrativa não-linear,
com saltos no espaço e no tempo e uma fotografia cheia de cores delirantes.
LIVROS
Ulf Andersen/Getty Images
Kehlmann: a comédia alemã
A
Medida do Mundo,de Daniel Kehlmann
(tradução de Sonali Bertuol; Companhia das Letras; 272 páginas;
45 reais) Com esse instigante romance histórico, Daniel Kehlmann,
de 32 anos, tornou-se best-seller na Alemanha, seu país natal onde
vendeu mais de 1 milhão de exemplares. O livro narra, em tons de sátira,
o encontro, em Berlim, do matemático e astrônomo Carl Friedrich Gauss
(1777-1855) com o naturalista Alexander von Humboldt (1769-1859). Em um ensaio
sobre o livro publicado na imprensa européia, Kehlmann afirmou que os dois
personagens representam "a grandeza e a comédia da cultura alemã".
São dois gênios que vivem em um curioso descompasso com a realidade
que pretendem estudar e mensurar. Leia
trecho.
Marcus D'Paula/AE
Millôr: o humor contra a "sabedoria
popular"
Novas
Fábulas Fabulosas (Desiderata; 216
páginas; 29,90 reais) e Contos Fabulosos (Desiderata; 224
páginas; 29,90 reais caixa com os dois volumes por 54,90 reais),
de Millôr Fernandes Colunista de VEJA, Millôr é uma
das inteligências mais polivalentes do Brasil: desenha, pinta, escreve peças,
traduz clássicos. É, sobretudo, um mestre do humor qualidade
que, nessas duas coletâneas de textos curtos, ganha sua expressão
mais concentrada e ferina. Quase sempre arrematados por morais paródicas
como "quem ama o feio leva cada susto", os contos e fábulas desmontam os
lugares-comuns da chamada sabedoria popular que, de acordo com o autor,
"tem muito pouco de popular e nada de sabedoria". Os dois livros são ilustrados
pelo cartunista Angeli. Leia trechos: Novas
Fábulas Fabulosas e Contos
Fabulosos.
Wilton Montenegro
Clara Nunes: rainha inconteste do
samba
Clara
Nunes: Guerreira da Utopia,de Vagner
Fernandes (Ediouro; 329 páginas; 49,90 reais) A cantora mineira
Clara Nunes (1942-1983) é cultuada pela nova geração. Marisa
Monte já a apontou como uma de suas artistas prediletas, e novatas como
Mariana Aydar incluem em seus discos canções que fizeram parte do
repertório de Clara. Essa biografia ajuda a entender as razões de
tanta admiração. O jornalista Vagner Fernandes reconstitui a trajetória
da cantora, que começou cantando boleros de gosto duvidoso antes de se
converter ao samba no qual fez história, criando registros definitivos
das melhores composições do gênero. Há também
histórias de bastidores sobre a rivalidade de Clara com Beth Carvalho,
na disputa do posto de a maior sambista do Brasil que, aliás, cabe
ainda hoje a Clara Nunes. Leia
trecho.
DISCO
Divulgação
KT Tunstall: distorção
comedida e homenagem a amigo doidão
Drastic
Fantastic,KT Tunstall (EMI) A cantora
escocesa despontou no mercado em 2004 com o disco Eye to the Telescope.
Tunstall seguia o caminho trilhado por intérpretes e guitarristas como
Chrissie Hynde e PJ Harvey, porém com canções de acento mais
pop o que lhe rendeu o epíteto de "roqueira de FM". Em certa medida,
o novo álbum confirma as qualidades da estréia. As canções
If Only e Little Favours têm refrãos pegajosos e a
medida certa de distorção para tocar no rádio. Mas Drastic
Fantastic também apresenta uma evolução na carreira de
Tunstall. Há, por exemplo, um flerte discreto com a música folk
White Bird, por exemplo, faz menção à música
dos Beatles. As letras são baseadas em experiências pessoais. A melhor
delas é Funnyman, dedicada a um amigo roqueiro que enfrenta problemas
psiquiátricos.