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26 de setembro de 2007
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Escritores da Liberdade (Freedom Writers, Estados Unidos/Alemanha, 2007. Paramount) – Professora idealista tem a oportunidade de testar suas convicções ao se ver encarregada de uma classe de adolescentes pobres, desinteressados, violentos e divididos em "guetos" de cambojanos, negros e latinos – além de um solitário, e apavorado, aluno branco. Hilary Swank, porém, salva a pátria, em vários sentidos. No papel de Erin Gruwell, educadora que no fim dos anos 90 provocou uma pequena revolução no sistema educacional da região de Los Angeles, a atriz de Menina de Ouro consegue se esquivar dos clichês dramáticos no seu retrato de uma inocente que ganha experiência e traquejo sem se tornar cínica. A direção, discreta para os padrões do gênero, é de Richard LaGravenese, roteirista de As Pontes de Madison.

O Homem que Caiu na Terra (The Man Who Fell to Earth, 1976, Inglaterra) – No início dos anos 70, o cantor e compositor inglês David Bowie encarnava, em seus discos e shows, a persona de Ziggy Stardust, um alienígena doidão. Tais performances fizeram do astro pop o ator ideal para esse filme de ficção científica psicodélica. Bowie interpreta Thomas Jerome Newton, um extraterrestre que vem à Terra em busca de água, uma riqueza que se tornou escassa em seu planeta natal. Newton usa sua inteligência para enriquecer e assim cumprir sua missão de forma pacífica. O filme tem um visual muito típico dos anos 70. Sem nenhum compromisso com o realismo, explora uma narrativa não-linear, com saltos no espaço e no tempo e uma fotografia cheia de cores delirantes.

 

LIVROS

 
Ulf Andersen/Getty Images
Kehlmann: a comédia alemã

A Medida do Mundo, de Daniel Kehlmann (tradução de Sonali Bertuol; Companhia das Letras; 272 páginas; 45 reais) – Com esse instigante romance histórico, Daniel Kehlmann, de 32 anos, tornou-se best-seller na Alemanha, seu país natal – onde vendeu mais de 1 milhão de exemplares. O livro narra, em tons de sátira, o encontro, em Berlim, do matemático e astrônomo Carl Friedrich Gauss (1777-1855) com o naturalista Alexander von Humboldt (1769-1859). Em um ensaio sobre o livro publicado na imprensa européia, Kehlmann afirmou que os dois personagens representam "a grandeza e a comédia da cultura alemã". São dois gênios que vivem em um curioso descompasso com a realidade que pretendem estudar e mensurar. Leia trecho.

 
Marcus D'Paula/AE
Millôr: o humor contra a "sabedoria popular"

Novas Fábulas Fabulosas (Desiderata; 216 páginas; 29,90 reais) e Contos Fabulosos (Desiderata; 224 páginas; 29,90 reais – caixa com os dois volumes por 54,90 reais), de Millôr Fernandes – Colunista de VEJA, Millôr é uma das inteligências mais polivalentes do Brasil: desenha, pinta, escreve peças, traduz clássicos. É, sobretudo, um mestre do humor – qualidade que, nessas duas coletâneas de textos curtos, ganha sua expressão mais concentrada e ferina. Quase sempre arrematados por morais paródicas como "quem ama o feio leva cada susto", os contos e fábulas desmontam os lugares-comuns da chamada sabedoria popular – que, de acordo com o autor, "tem muito pouco de popular e nada de sabedoria". Os dois livros são ilustrados pelo cartunista Angeli. Leia trechos: Novas Fábulas Fabulosas e Contos Fabulosos.

 
Wilton Montenegro
Clara Nunes: rainha inconteste do samba

Clara Nunes: Guerreira da Utopia, de Vagner Fernandes (Ediouro; 329 páginas; 49,90 reais) – A cantora mineira Clara Nunes (1942-1983) é cultuada pela nova geração. Marisa Monte já a apontou como uma de suas artistas prediletas, e novatas como Mariana Aydar incluem em seus discos canções que fizeram parte do repertório de Clara. Essa biografia ajuda a entender as razões de tanta admiração. O jornalista Vagner Fernandes reconstitui a trajetória da cantora, que começou cantando boleros de gosto duvidoso antes de se converter ao samba – no qual fez história, criando registros definitivos das melhores composições do gênero. Há também histórias de bastidores sobre a rivalidade de Clara com Beth Carvalho, na disputa do posto de a maior sambista do Brasil – que, aliás, cabe ainda hoje a Clara Nunes. Leia trecho.

 

DISCO

 
Divulgação
KT Tunstall: distorção comedida e homenagem a amigo doidão

Drastic Fantastic, KT Tunstall (EMI) – A cantora escocesa despontou no mercado em 2004 com o disco Eye to the Telescope. Tunstall seguia o caminho trilhado por intérpretes e guitarristas como Chrissie Hynde e PJ Harvey, porém com canções de acento mais pop – o que lhe rendeu o epíteto de "roqueira de FM". Em certa medida, o novo álbum confirma as qualidades da estréia. As canções If Only e Little Favours têm refrãos pegajosos e a medida certa de distorção para tocar no rádio. Mas Drastic Fantastic também apresenta uma evolução na carreira de Tunstall. Há, por exemplo, um flerte discreto com a música folk – White Bird, por exemplo, faz menção à música dos Beatles. As letras são baseadas em experiências pessoais. A melhor delas é Funnyman, dedicada a um amigo roqueiro que enfrenta problemas psiquiátricos.



Fontes: Belém: Laselva; Belo Horizonte: Laselva, Leitura; Brasília: Cultura, Fnac, Laselva, Leitura, Saraiva; Campinas: Laselva, Fnac; Campo Grande: Leitura; Curitiba: Fnac, Laselva, Livrarias Curitiba, Saraiva; Florianópolis: Laselva, Livrarias Catarinense; Fortaleza: Laselva; Foz do Iguaçu: Laselva; Goiânia: Leitura, Saraiva; Londrina: Livrarias Porto; Maceió: Laselva; Manaus: Laselva; Natal: Laselva; Navegantes: Laselva; Porto Alegre: Cultura, Livrarias Porto, Saraiva; Porto Seguro: Laselva; Recife: Cultura, Laselva, Saraiva; Rio de Janeiro: Argumento, Fnac, Laselva, Saraiva, Travessa; São Paulo: Cultura, Fnac, Laselva, Livraria da Vila, Nobel, Saraiva; Teresina: Laselva; Vitória: Laselva, Leitura; internet: Cultura, Laselva, Leitura, Nobel, Saraiva, Submarino.
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