Três anos
atrás, o documentário Super Size Me caiu
como um míssil sobre as redes americanas de fast-food.
Submetendo a si próprio a uma dieta à base de
McDonald's, o diretor Morgan Spurlock se tornou a imagem viva
do mal que as comidas supercalóricas podem fazer à
saúde. Nação Fast Food (Fast
Food Nation, Estados Unidos, 2006), que estréia
nesta sexta, volta a pôr na berlinda essa indústria
que movimenta 110 bilhões de dólares anuais
nos Estados Unidos. Mas, perto de Super Size Me, seu
efeito é o de um tiro de chumbinho. O filme se baseia
num best-seller de 2001 em que o jornalista Eric Schlosser
(também co-roteirista, ao lado do diretor Richard Linklater)
faz um libelo contra o McDonald's e seus concorrentes. No
filme, tenta-se costurar as teses alarmistas do livro num
enredo ficcional. Ao investigar a contaminação
de hambúrgueres por bactérias, um executivo
(Greg Kinnear) de uma rede que tem como carro-chefe um certo
sanduíche Big One depara com uma cadeia produtiva imersa
em podridão, na qual um matadouro infecto explora imigrantes
ilegais. E tome imagens indigestas de bois dilacerados. Embora
se debrucem sobre um tema sem dúvida relevante, tudo
o que Schlosser e Linklater têm a oferecer é
um repeteco da surrada ladainha contra o "sistema". E o pior
é que o fazem com um roteiro chocho. Por meio de uma
série de tramas paralelas, procura-se ilustrar várias
facetas da questão. Mas o conjunto não dá
liga. Como um hambúrguer ruim, o filme é cheio
de gordura e desprovido de sabor. Uma verdadeira Big Bomba.