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26 de setembro de 2007
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Cinema
Quanta saúde!

Travolta se traveste de mulher obesa
numa comédia que ataca o preconceito

 
Divulgação
Travolta (à esq.) e Nikki Blonsky: as gordinhas são uma graça

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Trailer do filme

Bem antes de sua estréia, na última sexta-feira, o musical Hairspray – Em Busca da Fama (Estados Unidos, 2007) já despertava interesse por um detalhe engraçado: a presença de John Travolta, que nos anos 70 ganhou fama em produções desse tipo, como Grease, no papel de uma mulher. E que mulherão: graças à maquiagem, Travolta se transmuta numa mãe dos anos 60 para lá de rechonchuda. Só por revelar a porção "tiazinha" do ex-galã, Hairspray já valeria o ingresso. Mas o filme não se esgota aí. É engraçado o suficiente para agradar até a quem vê os musicais com ressalvas. O humor, no seu caso, está a serviço de uma causa: a denúncia do preconceito. Trata-se de uma refilmagem da fita independente de 1988 que leva a assinatura de John Waters, cineasta conhecido pelo estilo camp (a vertente gay do brega) e pelas críticas anárquicas à sociedade americana. Assim como o sucesso Os Produtores, a história inspirou um musical da Broadway, que por sua vez impulsionou a segunda versão no cinema. O novo Hairspray é menos amalucado que o original (que trazia o travesti Divine, morto em 1988, no mesmo papel de Travolta). Mantém-se fiel, contudo, ao teor político da obra de Waters, que escancara de forma tão ácida quanto caricatural a discriminação contra os negros nos Estados Unidos. Também conserva intacta uma certa mensagem social subversiva. Num país traumatizado pelos altos índices de obesidade, o filme é uma ode aos gordinhos.

Embora Travolta seja seu maior chamariz e o elenco ostente ainda Michelle Pfeiffer como uma malvada preconceituosa, quem brilha mesmo em Hairspray é a novata (e cheinha de fato) Nikki Blonsky. Ela interpreta a protagonista Tracy, colegial que adora cantar e dançar, mas cuja participação num concurso musical é vetada por uma emissora de TV. Com suas formas generosas, Tracy passa ao largo do padrão de beleza exigido – só loiras, altas e magras são bem-vindas. Alia-se então aos cantores negros do programa em questão para promover uma revolta. A alusão à discriminação não tem nada de sutil. Os negros surgem dançando num chiqueirinho, separados dos brancos. E o tal programa reserva uma data no mês para o Dia dos Negros, a única oportunidade em que estes podem aparecer na TV. Hairspray é um filme com causa, mas que não resvala na pregação chata. Com suas tiradas, ele expõe o que há de abominável por baixo das aparências sociais de maneira tão livre, leve e solta quanto o jeito de ser de sua protagonista.

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