BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2027

26 de setembro de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Lya Luft
Millôr
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Livros
O outro lado do balcão

Duas tramas se entrelaçam com ironia
e tensão na ficção de estréia do crítico


Rinaldo Gama

Paulo Vitale
Teixeira: o escritor sustenta o crítico

VEJA TAMBÉM
Exclusivo on-line
Trecho do livro

Gênero intermediário entre o conto e o romance, a novela não tem a potência concentrada do primeiro, tampouco o vigor paciente do segundo. Na luta pela conquista do leitor, ela não consegue ganhar nem por nocaute nem por pontos – para usar uma imagem cara ao escritor argentino Julio Cortázar, quando comparava as artes do contista e do romancista. Resta-lhe a alternativa da vitória "por mérito", que o novelista pode alcançar reconhecendo e explorando os próprios limites da novela. É isso que faz com brilho Jerônimo Teixeira, repórter de VEJA, em As Horas Podres (Bertrand Brasil; 120 páginas; 25 reais), sua primeira experiência como ficcionista, lançada em 1997, que ganha agora uma nova edição.

Teixeira constrói o livro sobre duas histórias paralelas: a de um jovem que confessa ter matado o pai e a do retorno de um funcionário público e escritor inexpressivo para sua cidade natal, por ocasião do enterro da mãe. As Horas Podres segue à risca um dos preceitos clássicos da novela: é o enredo que comanda a narrativa, e não as criaturas que agem dentro dele. Isso significa que ambas as tramas avançam por meio da apresentação sucessiva e nervosa de fatos e versões – e não do mergulho no perfil psicológico dos personagens. No caso do parricídio, o assunto vem à tona por meio do diálogo entre o assassino e seu tio paterno, um advogado que o criminoso tenta convencer a defendê-lo. Não há distinção substancial entre as duas vozes e, após algum tempo, os papéis passam a se inverter, de modo a permitir a entrada em cena de novas camadas de episódios, que ajudam a elucidar os acontecimentos. Na outra vertente do livro, Teixeira transforma a sombra da influência dos grandes autores em motivo de escancarada ironia acerca do fazer literário.

De Machado de Assis a Franz Kafka, de Augusto dos Anjos a Sigmund Freud – Édipo e a fixação pela figura materna têm mais importância na novela do que aparentam à primeira vista –, as referências são, propositalmente, "muitas e variadas", o que não quer dizer que As Horas Podres constitua "um livro de crítico literário", no mau sentido do termo (vale dizer, feito para iniciados). O leitor de VEJA, familiarizado com o rigor das análises de Teixeira, mestre em letras pela PUC-RS, tem, aqui, a oportunidade de vê-lo do outro lado do balcão – e constatar que o escritor sustenta o crítico.

  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |