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26 de setembro de 2007
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Televisão
O enigma do domingo

O Fantástico nunca esteve tão interessante.
Só faltou combinar com a audiência


Marcelo Marthe

Com 34 anos recém-completados, o Fantástico vive um momento paradoxal. Nos últimos tempos, a atração das noites de domingo da Globo provou que é possível falar de assuntos complexos na TV de forma interessante e acessível ao grande público. Se um dia já foi o paraíso dos videoclipes, dos mágicos e da parapsicologia (para não falar em algo como o "menino da bolha", nos anos 70), seu carro-chefe hoje é um quadro como O Valor do Amanhã, em que o economista e filósofo Eduardo Giannetti discorre sobre os juros. A atriz Regina Casé acaba de estrear uma série que enfoca a periferia de metrópoles estrangeiras. E também entrou no ar o quadro É Muita História, no qual o jornalista Eduardo Bueno desconstrói mitos históricos. Ao mesmo tempo em que foge ao óbvio, porém, o Fantástico enfrenta problemas no ibope. Desde abril, quando iniciou um processo de renovação do visual e do conteúdo, sua curva de audiência é descendente. No último domingo, obteve apenas 23 pontos de média na Grande São Paulo – uma das menores que já registrou. Por catorze minutos, foi superado pelo SBT, que exibia o Domingo Legal, de Gugu Liberato. A turma do Pânico, da RedeTV!, também lhe roubou pontos. Não é nada que se compare à crise de 2002, quando Silvio Santos infligiu derrotas sucessivas à Globo com seu Casa dos Artistas. Ainda assim, acendeu-se a luz vermelha. "Dizer que estamos tranqüilos seria inverdade. Mas o Fantástico permanece líder", afirma Ali Kamel, diretor executivo do jornalismo da Globo.

A emissora acredita que a queda na audiência se deve em boa medida a fatores conjunturais. Leva algum tempo, raciocina-se, para os espectadores se habituarem às reciclagens sofridas pelo programa. E aí se abrem flancos para a concorrência. Na semana passada, o SBT se aproveitou da fragilidade para estender a duração do programa de Gugu, que exibiu um quadro assistencialista e outro em que se premia quem descobre uma nota de 2 reais perdida. Mas apenas isso não explica os números. Tanto que, em breve, a Globo deverá fazer uma pesquisa qualitativa para avaliar o programa. É fato que o Fantástico perdeu força junto aos jovens das classes A e B. Uma parcela deles está preferindo sintonizar o Pânico – que rouba pontos do programa com tiradas em cima das estrelas da Globo.

O Fantástico enfrenta ainda uma guerra em outro front. O Domingo Espetacular, da Record, é um clone que vai ao ar mais cedo e tem buscado minar as reportagens do concorrente. Na época do acidente da TAM, a Globo preparou uma matéria sobre um sobrevivente do impacto do avião no prédio da companhia. A Record se antecipou e também exibiu uma entrevista com o pai da vítima. A partir deste domingo, a Record espera fustigar o Fantástico com mais uma arma: a série americana Heroes, que irá ao ar em seu horário.

Para tentar reverter o momento ruim, o Fantástico tem testado uma ordem diferente para suas atrações a cada domingo. A boa notícia é que a aposta em temas mais elevados não está diretamente relacionada à queda no ibope. "O público vê nesses quadros uma forma divertida de ganhar cultura", diz Ali Kamel. Mesmo discutindo conceitos abstratos, O Valor do Amanhã tem garantido os picos de audiência do Fantástico. A abordagem da história também não decepcionou. Investiu-se nas séries "cabeça" depois do sucesso alcançado pelo quadro sobre filosofia apresentado por Viviane Mosé. Uma nova fornada dele deve chegar ao programa em breve. Assim como um quadro sobre mitologia.

 

O show em três tempos


A ERA DAS PÍLULAS CULTURAIS

Fotos divulgação/TV Globo
Bueno no quadro É Muita História: conhecimento com humor

Ao colocar em pauta a filosofia, em 2005, o programa inaugurou o filão dos quadros que abordam temas do conhecimento de maneira simples. Hoje, há uma série sobre juros e outra sobre a história do Brasil

 


A ERA DAS GRANDES REPORTAGENS

Guilherme Vizame
Glória Maria na África: papo viajante

O jornalismo ganhou espaço com o crescimento das equipes da Globo no exterior, nos anos 80. Na década de 90 e na atual, relatos de viagens e matérias investigativas deram o tom

 

A ERA DOS CLIPES MUSICAIS

Nos anos 70: lembra da Sandra Bréa?

Nos anos 70 e em boa parte dos 80, esse tipo de entretenimento era o forte. Havia shows em estúdio e produções da pré-história do videoclipe

Fonte: Memória Globo

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